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O nome real de Tom of Finland é Touko,
porque ele nasceu no dia oito de maio de 1920, na costa
sul da Finlândia,
e maio, em finlandês, chama-se Toukokuu. Sua pátria
se tornou independente apenas três anos após
o nascimento de Touko e algumas cidades do país
continuavam rústicas e selvagens. Os homens que
trabalhavam nos campos e florestas, os fazendeiros e
lenhadores, eram homens que carregavam a aspereza e
a selvageria do campo. Touko nasceu entre esses homens,
mas não era parte deles. Seus pais eram professores
de escola e educaram Touko numa atmosfera de arte, literatura
e música. Obviamente com talento, aos cinco anos
o menino tocava piano e desenhava tiras em quadrinhos.
Ele amava a arte, a literatura e a música, mas
amava ainda mais aqueles homens rudes.
Também
aos cinco anos Touko começou a espionar, na vizinhança,
um garoto musculoso que trabalhava numa fazenda cujo
nome, Urho, significa herói. Urho foi o primeiro
de uma série de heróis que tiveram a atenção
de Tom enquanto ele memorizava cada flexão dos
seus músculos torneados, cada reentrância
sensual dos seus lábios.
Em 1939 Touko foi para a escola de arte em Helsinki,
para estudar propaganda. Sua fascinação
se expandiu ao incluir os tipos sensuais da cidade,
encontrados no porto cosmopolita: trabalhadores das
construções, marinheiros, policiais...
Mas ele nunca se atreveu a fazer nenhuma proposta a
eles.
Sua vida começou a mudar quando Stálin
invadiu a Finlândia e Tom, usando um uniforme
de tenente, encontrou o paraíso nos blackouts
da Segunda Guerra Mundial. Nas ruas escuras da cidade
ele começou a fazer sexo da maneira que havia
sonhado: com homens uniformizados cuja luxúria
ele veio desenhar mais tarde, especialmente soldados
alemães, que chegavam com suas jaquetas e botas
irresistíveis. Depois da guerra, Touko voltou
a estudar arte e a ter aulas de piano no afamado Instituto
Sibelius.
Mas a paz veio colocar um fim no sexo do "blackout"
e os uniformes se tornaram raros novamente. Então,
Touko voltou à sua prática de adolescente,
trancando-se nu em seu quarto, masturbando-se e desenhando
no papel aqueles que ele gostaria de encontrar
nas ruas.
Durante o dia ele trabalhava como freelancer com desenho
para propaganda e moda. À noite ele tocava piano
em festas e cafés, tornando-se assim um membro
popular da boemia do pós-guerra de Helsinki.
Ele evitava freqüentar a cena gay que despontava
na cidade porque aquilo que eles chamavam de bares artísticos
era dominado pelo homossexualismo extravagante, típico
daquela época. Enquanto isso, ele viajava freqüentemente,
tornando-se conhecido nos locais gays de cada grande
cidade.
Em 1953 ele conheceu Veli, com quem viveria os próximos
28 anos, numa esquina a alguns quarteirões da
sua casa. No final de 1956 Touko mandou seus desenhos
secretos para uma popular revista americana de homens
musculosos, tendo o cuidado de usar o pseudônimo
Tom. O editor amou e a capa da edição
de primavera de 1957 trazia um lenhador sorrindo, desenhado
por "Tom of Finland". Foi uma sensação.
Touko se tornou Tom e o resto é história.
A demanda pelo que Tom chamava de "desenhos sujos" cresceu
rapidamente, mas nem a arte erótica ou a arte
homossexual era bem paga nos anos 50. Ele parou de tocar
piano para
se dedicar à sua arte e só a partir de
1973 conseguiu ganhar dinheiro com seus desenhos e largar
o trabalho em propaganda.
Uma vez que pôde dedicar seu tempo integral aos
desenhos eróticos, Tom combinou detalhes foto-realísticos
com suas fantasias sexuais mais selvagens, a fim de
produzir um trabalho cheio de homoerotismo, provavelmente
nunca antes mostrado. A representação
de detalhes, como
as botas e as roupas em couro que Tom fez, são
excitantes pela sua perfeição. O brilho
que esses objetos de fetiche transmitem via papel, desenhados
com um simples lápis preto, aguça a fantasia
dos observadores, impressionados com a força
de seus desenhos.
1973 foi, também, o ano da sua primeira exibição
de arte em Hamburgo, na Alemanha, mas essa experiência
foi muito negativa (só um de seus trabalhos não
foi roubado); somente em 1978 ele concordou
em participar de outra exposição, em Los
Angeles. Era a primeira vez que viajava para a América.
Nos próximos anos, houve uma série de
exibições em Los Angeles, San Francisco
e Nova York. As viagens para os EUA transformaram o
tímido artista de Helsinki numa celebridade gay
internacional, com amigos como Etienne e Robert Mapplethorpe.
O grande salto na sua carreira deu-se quando o canadense-americano,
Durk Dehner, se tornou seu empresário.
Em 1981 o amante de Tom, Veli, morreu de câncer
na garganta, ao mesmo tempo em que a epidemia de Aids
se espalhava por várias cidades. Tom começou
a ter mais amigos queridos na América e passava
seis meses em Los Angeles, com Durk
Dehner, e seis meses em Helsinki. Depois de ter diagnosticado
um enfisema em 1978, Tom foi forçado a diminuir
as suas viagens, mas continuou a desenhar. Quando a
doença e a medicação deixaram sua
mão trêmula para executar o detalhado trabalho
pelo qual se tornou famoso, Tom voltou à técnica
que gostava na infância, usando lápis pastel
para executar uma série de nus muito coloridos,
até morrer em 7 de novembro de 1991.
O trabalho de Tom tem sido considerado muito mais que
"desenhos sujos" e tem sido um crédito importante
na mudança da auto-imagem do mundo gay. Quando
o primeiro trabalho de Tom foi publicado, os homossexuais
eram vistos como imitações das mulheres
e passavam suas vidas se escondendo nas sombras. Trinta
e cinco anos depois, os gays são muito mais do
que corpos queimados ao sol em botas de couro personificando
masculinidade.
A influência de Tom nessa direção
não foi acidental. Desde o começo sua
consciência tornou seu trabalho positivo, mostrando
uma imagem altamente máscula na fantasia homossexual.
Também foi responsável pela divulgação
do fetiche pelo couro, traduzido nos
uniformes dos soldados e motoqueiros de suas ilustrações.
Vemos, em vários de seus trabalhos, homens másculos
enormes ajoelhados lambendo botas em couro maravilhosamente
lustradas e, por vezes, sendo açoitados com cintas
e ou chibatas em suas bundas torneadas. Os rostos perfeitos,
com bigodes, bocas e olhares sedutores, nos mostram
que esses homens felizes gostam de seus corpos e de
fazerem o que fazem, serem homens rústicos, bonitos
e muito cruéis.
Quando perguntado se não ficava envergonhado
ao desenhar homens fazendo sexo, Tom discordava enfaticamente,
afirmando: "Eu trabalhei arduamente para ter certeza
de que os homens que eu desenho têm orgulho pelo
sexo que praticam e estão felizes por fazê-lo!".
Para Tom, vergonha seria reprimir suas fantasias.
Fundação e Museu de Arte Erótica
Criada em 1986, a Fundação Tom of Finland
é uma organização sem fins lucrativos,
com a proposta de documentar o trabalho do artista ao
longo de seis décadas de arte erótica
masculina. Por receber informações e trabalhos
de todas as categorias de artistas dedicados à
arte erótica e que tiveram seus trabalhos tratados
sem seriedade, a fundação expandiu sua
proposta ao incluir, em seu projeto, todas as áreas
de arte erótica. Hoje, graças ao trabalho
de divulgação realizado pela entidade,
uma gravação completa com artistas gays
e não gays está disponível em discos
laser em Instituições de arte, colégios,
museus e outros arquivos que se utilizem desse material
ou trabalhem com obras de referência.
Nos planos da Fundação está a criação
de um Museu de arte erótica homossexual, heterossexual,
bissexual, do presente e do passado, primitiva e moderna,
contemplando todas as diversidades possíveis,
incluindo a Fetish Art, todas apresentadas lado
a lado, com suas similaridades e diferenças representadas
através da sexualidade humana. Haverá
também um espaço para encorajar o desenvolvimento
de artistas contemporâneos, exibindo seus trabalhos
para venda.
Esse era um sonho do artista Tom of Finland, ajudar
outros artistas, oferecendo a eles um local para mostrar
e vender seus trabalhos. Embora a Fundação
esteja localizada nos EUA, os códigos sociais
e morais na América estão forçando
seus membros a procurar outros locais, como Amsterdã,
na Holanda, para construir o Museu.
Tom of Finland foi um homem que esperou mais de trinta
anos para ver sua arte reconhecida. A perfeição
e a ousadia de seu trabalho são a prova de que
Tom nunca desistiu de fazer aquilo em que mais acreditava:
mostrar ao mundo que existem formas e formas de prazer.
Livros mais conhecidos:
Dirty Pictures: Tom of Finland, Masculinity and Homosexuality,
by Micha Ramakers. Tom of Finland (Illustrator) - Taschen
Tom of Finland : The Art of Pleasure, by Micha Ramakers
- Taschen
Links:
http://www.eroticarts.com/foundation/welcome.html
- Site Oficial da Tom of Finland Foundation, onde encontramos
alguns de seus trabalhos e de outros artistas do gênero.
http://www.eroticarts.com/company/welcome.html -
Site Oficial da Tom of Finland Company, onde encontramos
vários produtos com a marca de Tom para serem
comercializados.
Bibliografia:
Tom of Finland - Taschen - 1992
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