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O maior ilustrador do BDSM, considerado por muitos o
Mestre absoluto da arte e humor bizarro, foi um homem
submisso que adorava as mulheres dominadoras, altas,
fortes e bonitas.
O artista Eric Stanton nasceu em 1926 no
Brooklyn - New York, entre as Avenidas Atlântica
e Pacífico (no mar, como ele costumava dizer)
e morreu aos 73 anos, em 1999. Stanton pertencia a uma
família de origem russa e italiana (o sobrenome
de seu pai era D'Andrea).
Foi forçado a interromper seus estudos durante
a Segunda Guerra Mundial para se tornar um operador
de rádio em um navio torpedo na guerra no Pacífico
contra o Japão. Aos 12 anos de idade começou
a desenhar, mas foi durante a época em que serviu
a Marinha que se tornou conhecido pelas publicações
de seus desenhos no jornal American Forces Newspapers.
Foi nessa época que iniciou sua carreira de arte
(ligeiramente) erótica, criando desenhos para
seus colegas de bordo com garotas sexys, geralmente
em aventuras e cenas de dominação feminina
com os próprios marinheiros.
No
período pós-guerra, havia poucas oportunidades
para os marinheiros que retornavam ao país, e
foi então que Eric, para sobreviver, aproveitou
sua origem russa e se tornou dançarino russo,
garçom e lançador-de-facas. Durante estes
anos, enviou seu portfolio de desenhos ao famoso Irwin
Klaw, conhecido como o Rei da Fotografia das 'Folhinhas'
(calendários). Começou a trabalhar para
ele, e sua colaboração continuou até
a morte de Klaw, em 1964. Stanton foi um artista que
venceu por mérito próprio, era um autodidata.
Somente iniciou as primeiras lições de
desenho formais em 1952, quando já estava trabalhando
em tempo integral. Na verdade, foi Klaw que o convenceu
a freqüentar a Escola de Artes Visuais.
Grande parte de sua obra foi produzida nas décadas
de 50 e 60, e ainda são insuperáveis no
tratar com toda classe e seriedade os mais diversos
fetiches. A produção de Stanton foi imensa:
desenvolveu milhares de desenhos, esboços, ilustrações
para livros, histórias em quadrinhos, calendários,
fotografias e filmes. Atendia na época à
demanda das publicações eróticas
e fetichistas, dentre elas, as famosas Erotic e Masque.
Criou várias Super-Heroínas, todas é
claro, Dominadoras envolvidas em histórias de
dominação masculina e feminina. Ilustrava
também suas próprias publicações,
além de fazer desenhos para clientes anônimos
que pagavam bem para que ele criasse suas próprias
personagens. Ele se tornou um dos colaboradores do Relatório
de Kinsey. Vários trabalhos originais foram adquiridos
pelo Instituto Kinsey, ligado à Universidade
de Indiana.
Stanton sabia retratar de maneira realista, e muitas
vezes cômica, os mais diversos fetiches: podolatria,
sadomasoquismo, bondage, sufocamento, cigarro... Nos
últimos anos, ele se tornou independente e criou
a Stanton Archives, inc., que organizou toda a sua obra,
resultado de 40 anos de trabalho, através do
acervo de desenhos originais, cópias, fotocópias
e filmes.
O artista se casou duas vezes. Sua segunda mulher, Britt,
uma talentosa pintora, era também o retrato vivo
das mulheres que o inspiravam. Era bem mais alta que
ele, muito bonita e dominadora.
(continua na próxima semana)
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