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Dominadores x Sádicos
Tenho notado, seja através dos
debates, como em conversas diretas e/ou chats uma
divisão categórica dos dois tipos claros
de Top nas relações BDSM, uma diferenciação
que não me agrada muito. A figura do Dominador,
que sempre andou lado a lado com a dos Sádicos,
parece-me está sendo vista como algo mais elaborada,
com uma (questionável) superioridade; daí
comecei a me perguntar: Seria a dominação
o up-grade do sadismo?
Começa-se em tenra idade dando
nó no rabo dos felinos e furar olho de Curió
com compasso, para mais tarde nos tornarmos Imperials
Dominators?
Pode parecer absurda a questão, mas é
como me chegam alguns comentários e a conclusão
apressada dos mesmos. De repente os sádicos
se extingüiram e passou a existir apenas uma
única tribo?
Como um eterno inquieto, levantei essas
questões acima e na minha doce conclusão
não concluí nada. Mas não me
furtei de elaborar novas questões para florear
nossa pauta de debate. Uma delas indaga aos Dominadores,
como poderiam exercer esse domínio sem a presença
dos elementos clássicos do sadismo? Antes de
chafurdar em maiores devaneios, gostaria de salientar,
que na minha modestíssima opinião o
sadismo é uma filosofia, e, com certa dose
de condescêndencia àqueles que apenas
associam ao ato de infligir a dor física, deixar
claro que as práticas não se limitam
somente a isso. Um sádico em sua essência
brinca com o inesperado, gosta de ver os rostos chocados
mediante uma frase polêmica, busca a discussão
de idéias e tem o prazer em polemizar ou arrancar
o chão de seu submisso por uma situação
criada. Eu poderia discorrer sobre inúmeras
possibilidades do exercício do sadismo em sua
plenitude, mas quis apenas mostrar que não
temos limitações quanto a seu uso. Pensei,
repensei e tripensei sobre esse prisma da dominação
sem a presença de elementos de sadismo e infelizmente
não consegui enumerar nenhuma situação.
E antes que conclua, gostaria de deixar em aberto
para aqueles que assim vêem a dominação
sem estar atrelada a qualquer prática do sadismo,
e aqui não me prendo apenas naquela de provocar
a dor física , que é comum a todos e
mais simplista, como disse, falo aqui de uma filosofia.
Bom, confesso que tentei buscar uma
desassociação e não vi, na minha
visão pessoal acho que não existe, sendo
assim, a dominação anda lado a lado
com o sadismo e não deve ser vista com um doutorado
das práticas de Sade. Uns com mais tendências,
outros com menos, mas certamente a presença
de ambas as práticas e o equilíbrio
das mesmas, estão contidas num verdadeiro Mestre.
Lord Ruthwen, que é Dominador
e Sádico
postado originalmente no Castelo
da Luxúria
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Submissas x Masoquistas
Querido Lord,
Li seu texto sobre Dominadores e Sádicos
com um sorriso cúmplice, quase aliviado, pois
ele veio ao encontro de algumas reflexões que
tenho feito nesta minha vida de suposta submissa e
que gostaria, se me permite, de compartilhar.
Confesso que nunca aceitei muito bem
a distinção estanque entre Doms e Sádicos,
na prática. No campo conceitual, tal divisão
parece até ter uma suposta lógica. Podemos,
de um lado, considerar Sádico aquele que tem
um prazer intenso em infligir dor e medo e, por outro,
Dominador aquele que tira seu melhor prazer a partir
da dominação psicológica, conduzindo,
em diversos campos, à sua parceira. Há
também outra distinção aceita
por alguns que é a de que relações
D/s seriam aquelas que extrapolam o contexto da sessão,
pressupondo um intenso nível de entrega e responsabilidade,
e que relações SM seriam aquelas que
se restringiriam à cena, sem maiores envolvimentos
extras. Isso tudo pode ser muito bonito e até
aparentemente coerente no campo das idéias
e da teoria mas, na prática, numa relação
de fato, pode engessar, cristalizar e até inviabilizar
o que, no meu modo de ver, o BDSM tem de mais belo:
seu caráter libertário e amoral.
Voltando ao seu texto: apesar de concordar
com sua concepção do sadismo como filosofia,
intrigou-me o fato de que o complemento
do sadismo, o masoquismo, não tenha sido visto
da mesma maneira; sob o mesmo enfoque. No box de comentários,
vc. mesmo fala que um Mestre (Dom+Sádico) com
tendências mais sádicas procuraria uma
masoquista e outro, com tendências mais dominadoras,
uma submissa. Temos, aí, ainda, duas figuras
dissociadas. Ou seja, ou se é masoquista ou
se é submissa. Por que, no lado de cá
do chicote, estas duas figuras não
podem, também, co-habitar o mesmo ser? Se há
o Mestre Dom+Sádico, que tem o
sadismo como filosofia, por que não pode haver
seu correlato, a escrava sub+masoquista?
Assim como, para muitos, o Dominador
seria o upgrade do Sádico, percebo, principalmente
nas entrelinhas de alguns discursos, que a submissa
tende a ser vista como a figura sublime, devotada,
doce e quase pura do BDSM. Aquele ser que, por estar
totalmente envolvido emocionalmente, se entrega de
corpo e de alma a seu Senhor, Amo e Mestre, sem restrições.
A dita masoquista, por outro lado, tende
a ser vista com um certo desdém, como algo
mais baixo e menos elegante. E este discurso,
acredito, vem muito a calhar para muitas de nós,
submissas. Afinal, se nos submetemos, se fazemos sexo
oral, anal, vaginal, fisting, se levamos tapas, se
nos exibimos, se nos deixamos amarrar, amordaçar,
vendar e chicotear, se aceitamos que nosso Dono tenha
outras subs, se aceitamos transar com outras subs
etc., etc., etc. é tão somente porque
amamos nosso Dono e não porque sejamos devassas
masoquistas que tiramos nosso maior prazer, justamente,
do fato de sermos humilhadas, usadas, fustigadas,
castigadas, dominadas e conduzidas eroticamente. Deslocamos,
desta forma, para o outro, a responsabilidade pelos
nossos atos insanos e isso nos livra da
responsabilidade do horrendo pecado da luxúria....
Do mesmo modo, para muitos Dominadores, é mais
interessante pensar que se possui uma submissa que
faz o que faz unicamente por amor e devoção
e porque eles são os únicos no planeta
a fazerem surgir tais comportamentos do que aceitar
que talvez elas façam o que fazem, antes de
mais nada, porque esta é sua natureza, porque
isso reflete plenamente sua essência - na minha
humilde opinião, sempre masoquista. Não
estou, aqui, em absoluto, desacreditando das relações
amorosas que possam existir no nosso meio. Mas acredito
que o amor, tão raro aqui quanto em qualquer
outro tipo de relação, não é,
necessariamente, nem base nem ingrediente no BDSM.
É que a visão de que a submissa, sob
o manto sagrado do amor e da devoção
incondicional, seja superior à masoquista,
realmente, para mim, não tem absolutamente
nada a ver.
Do meu ponto de vista, submissão
e masoquismo andam tão juntos quanto Dominação
e Sadismo e complementam o que se poderia chamar de
escrava. Não acredito em relações
light no BDSM (e não estou falando
de práticas mas de essência). Se há
BDSM há, necessariamente, intensidade. Se há
encontro, de fato, entre Mestre e escrava, as tais
siglas B, D, S e M, normalmente - guardadas, evidentemente,
as diferenças de estilo de cada par - se apresentam
em bloco, com todas as suas possíveis variações.
E, neste momento (ele, sim, sagrado), pouco importam
as convenções terminológicas
que nós, os adeptos, decidimos impor-lhes.
Com um grande beijo, sempre extensivo
à sua colombina,
insensata
submissa&masoquista ;-)
postado originalmente no Castelo
da Luxúria
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