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Limites e segurança
Vitar@
Quando
decidi escrever sobre segurança, a primeira coisa
que me veio à mente foi o sustentáculo
do BDSM: os princípios São, Seguro e Consensual.
Como tive a oportunidade de escrever num texto anterior,
a relação BDSM, para ser plena, tem que
conter um mínimo de cumplicidade entre o Dominador
e o /Dominado, de forma que exista a consensualidade
e, principalmente, que ela seja sadia...
Outro ponto,
que todos aprendemos desde cedo, é que nosso
limite acaba quando começa o limite dos nossos
semelhantes. Isso quer dizer que limite e respeito sempre
caminham juntos. Todos temos limitações
e se não fosse assim, seríamos super-homens
ou super- heroínas, pois cada pessoa tem um nível
de sensibilidade, seja psicológico ou físico.
No BDSM as
coisas são da mesma forma condicionadas: antes
de estabelecer-se uma relação, seja ela
de que tipo for, lá estão eles novamente,
os nossos limites, pois os estabelecendo estaremos,
de certo modo, nos assegurando.
A literatura
erótica mostra personagens desprovidos de limites
ou que vão além de seus limites apenas
para ver seus Donas e Donas satisfeitos. Na História
de O, de Pauline Reagè, por exemplo, isso fica evidente
pela forma da entrega de O a Renè, da
mesma forma ocorrendo em outros contos, nos quais a
escrava se entrega e rompe seus limites sem pensar nas
conseqüências que isso pode trazer para ela
mesma.
Creio que,
na vida real, não é bem por aí...O
prazer tem que ser mútuo, em primeiro lugar.
Outro fato importante é nunca comparar nossos
limites com os de outras pessoas. Aquele papo de que
"fulano de tal" agüenta e você também
tem que agüentar está fora de questão...
Apenas nós sabemos o que sentimos. Portanto,
é de nossa responsabilidade nunca burlar nossos
limites, para que a relação possa ser
a mais saudável possível.
É importante
que cada um de nós, Submissas e Submissos, deixemos
bem claro aos nossos Donos e Donas o que queremos -
ou não - durante uma sessão ou cena. Cada
um tem que expor o que sente e o que não gostaria
que acontecesse, para que não fuja do seu controle
a situação. Sem dúvida alguma,
também cabe a nossos donos respeitar nossos limites.
Limites que não são meramente impostos,
mas sim discutidos e apresentados da forma clara, para
que a relação possa, desta forma, ser
a mais sadia possível.
E a segurança?
Toda relação
em BDSM tem, por objetivo único, criar formas
de prazer através de algumas práticas,
muitas das quais provocando dor. Para tanto, desde o
início da relação, o ideal é
que sejam estabelecidos e discutidos os limites. Tem
que se deixar bem claro o que deve-se e ou não
se deve ser feito. Um papo aberto e franco entre o Dominador
e o Dominado pode esclarecer bem esta questão.
Isso é super importante para que sejam evitados
possíveis situações que coloquem
em risco a nossa própria segurança, valendo
lembrar que devemos nos entregar apenas a quem realmente
confiamos e conhecemos muito bem.
Outro ponto
da segurança é o estabelecimento de uma
safeword. Uma safeword (ou savecode) é uma palavra
ou um código que tem por finalidade a interrupção
de uma determinada prática dentro de nossas cenas.
Assim que a(o) submissa(o) a pronuncia, seja por dor
ou por qualquer motivo que fira a sua integridade física,
a cena é interrompida. Uma palavra ou expressão
utilizada e previamente combinada entre o Dom e Sub
para que nossos limites sejam respeitados. É como jogar
a toalha, no boxe, ou pedir tempo, no voleibol...
Segurança
também inclui outros fatores, que independem
da posição que cada um de nós ocupa
na cena BDSM. Cabe ao Dominador zelar por nossa segurança
através dos equipamentos que ele utiliza nas
sessões, incluindo-se aí o cuidado com
a higinene. Segurança inclui saúde e,
portanto, sexo seguro. Ou seja, mesmo que você
use os mais variados métodos, o uso de preservativos,
seja qual for sua posição na cena, é
fundamental.
Como sempre
digo: tudo que é exagero, prejudica. Estabeleça
seus limites, ponha sua segurança em dia, faça
de sua relação BDSM um porto seguro e...
Seja Feliz!
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