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SOBRE O ÂNUS PRESIDENCIAL E DEMAIS ZONAS ERÓGENAS
Copyright © 2002 David Steinberg
(agradecemos a tradução por: Mr. B)

 

        O que se poderia advir do fato de se saber que o destemido líder do dito "mundo livre", um homem com coragem o bastante para desafiar para a guerra terroristas de 80 nações pelo mundo afora, solicitou anestesia geral para a execução de um exame corriqueiro de colonoscopia (exame pra observação de ânus, reto e intestino grosso) ? Saibam vocês ou não, das 7:09 às 9:24 da manhã de sábado de 29 de junho, Dick Cheney esta como presidente em exercício dos Estados Unidos da América, porque George W. Bush evocou pela segunda vez na História a 25ª. Emenda constitucional daquele país e ausentou-se de temporariamente de seu cargo. Esta emenda requer que a presidência dos Estados Unidos seja transferida ao vice-presidente em momentos nos quais o presidente apresente-se incapacitado. (A evocação anterior desta emenda foi igualmente relacionada a assuntos anais e ocorreu quando Ronald Reagan foi submetido a uma cirurgia do intestino grosso).

        Como ocorreu com o recente eclipse parcial do sol, muitos americanos dirigiam-se a seus trabalhos naquele 29 de junho, completamente desavisados que algo não usual estava ocorrendo. Mesmo assim, por mais de duas horas, o vice-presidente e ex-executivo da Halliburton Company (companhia sob investigação por práticas irregulares em suas contas bancárias) estava sendo empossado como comandante da grande máquina estatal americana, enquanto George W. Bush se recuperava da anestesia geral requisitada para um procedimento médico mínimo e de menor importância.

        Eu não sou um grande fã do jeito machão de ser, mas tenho que dizer que quando li que Bush havia recebido inclusive "propofol", um anestésico geral, para submeter-se a uma colonoscopia rotineira, meu primeiro pensamento foi que o cara havia agido... bem... como um "maricas" frente sua colonoscopia. Ou, para ficar mais simpático, eu imaginei que o presidente dos Estados Unidos da América devesse ter alguma coisa mal resolvida em relação a seu próprio cu, para ter que ser nocauteado desta forma para permitir a manipulação de sua bunda... Este dado absolutamente pessoal, a meu ver, talvez explique um pouco a estrutura de personalidade torturada que Bush apresenta.

        Eu percebi que alguns consideram mal educado falar de forma desrespeitosa de um dos símbolos do orgulho nacional e que a solidariedade que tantas pessoas estavam demonstrando conta muito hoje em dia para um manter senso de estabilidade e segurança. Bush é, como bem se sabe, aquele homem cujo trabalho consiste em mostrar para Osama bin Laden, Saddam Hussein e Yassir Arafat - sem falar em toda a Comunidade Européia - que qualquer um que se coloque no caminho dos Estados Unidos vai se colocar em encrenca da grossa. Mas como diz meu pai, assim como qualquer chefe de escoteiros por ai, todo mundo fica igual quando baixa as calças, quando se barbeia de manhã e quando está sentado em seu vaso sanitário. E eu gosto muito de me lembrar que isto também é válido para todos os líderes mundiais - seja George W. Bush, Bill Gates ou Mahatma Ghandi - e que todos eles são de carne e osso como o resto dos mortais.

        Há, de fato, algo de humildade em se fazer uma colonoscopia e foi isso que me fez pensar no Presidente dos Estados Unidos com a bunda para o ar preste a ser penetrado pelo medico da Casa Branca Richard Tubb. A cena é particularmente apelativa, mesmo que Bush estivesse inconsciente no momento. Eu mesmo já fiz minha colonoscopia de rotina (sem usar nenhuma droga, diga-se de passagem) há alguns anos, então, eu posso falar sobre o assunto com conhecimento de causa. Eles pedem para você se ajoelhar numa mesa de exames (assumindo aquela posição que meu proctologista, um homem com um ótimo senso de humor, chama de "posição de oração"). Em seguida um tubo de 2m com uma micro-câmera na ponta vai entrando em você. Esta é uma daquelas experiências de que você não pode nem se entregar, nem resistir. Meu impulso foi o de me entregar, mas esta é mesmo minha tendência natural mesmo. De toda forma, minha colonoscopia foi por vezes incômoda (para ultrapassar as duas curvaturas principais do meu intestino grosso foram precisos algumas respirações profundas) e por vezes prazerosa (sim, eu sou uma daquelas pessoas que conseguem ter prazer com este tipo de coisa), mas a maior parte do tempo o exame foi um grande nada. Se você for uma pessoa com mais de 50 anos que vem evitando o exame que, quem sabe, pode até salvar sua vida, tome isto como um encorajamento para superar seu medo e para dar mais este passo para se manter saudável por ainda muitos anos.

        Eu sei que algumas pessoas têm mais dificuldade, bem como muito menos diversão, com a colonoscopia do que eu tive. Muitos tomam tranqüilizantes para ajudar a relaxar durantes este exame. Mas tomar um Valium, medicamento comumente prescrito nestes casos, é totalmente diferente da necessidade de ser nocauteado por uma droga como o propofol, aquele remédio que o Bush precisou para superar sua extrema fobia anal. Propofol, vendido comercialmente como Diprivan, foi desenvolvido para ser um anestésico geral e apenas é usado como sedativo como uma segunda escolha. Esta droga, segundo o "site" do Diprivan, "deve ser administrada somente por pessoas treinadas na administração de anestesia geral". Pacientes que receberam propofol necessitam ser "constantemente monitorizados e entubados, bem como mantidos em instalações hospitalares onde haja a possibilidade de respiração artificial, administração de oxigênio e ressuscitação cardio-respiratória". Em outras palavras: este remédio não é para brincadeiras.

        De acordo com a agência internacional Reuters, o propofol foi dado a Bush por via endovenosa e ele esteve inconsciente durante os 20 minutos que durou seu exame. Na verdade, apenas depois de 2 horas de recobrar a consciência foi que Bush se considerou capaz de reassumir suas funções como presidente. Quando questionado porque demorou tanto para que Bush reassumisse, o porta-voz da Casa Branca Al Gonzales citou "uma abundância de causas" e o desejo de Bush de não ter "uma decisão precipitada ao retornar e assumir sua autoridade e poder".

        Minha experiência pós-exame consistiu numa agradável conversa com meu medico e após ter visto com ele as imagens do exame, pegar meu carro e dirigir de volta para casa. Eu com certeza em momento algum me senti incapaz para nada. Se um avião caísse sobre minha casa, eu teria sabido exatamente o que fazer e me sentia capacitado para fazê-lo.

        Isso nos leva à questão de o que será que se passa com George W. Bush que o torna assim tão cheio de dedos em relação ao fato de algo ser introduzido em seu ânus que o tenha levado a ser mantido inconsciente na ocasião? Os repórteres que estavam na Casa Branca, não é de admirar, deixaram passar a oportunidade de fazer esta pergunta ao porta-voz Ari Fleischer. Conseqüentemente, a explicação militar de Bush ("estamos em uma situação de Guerra e eu preferi ser super cauteloso") foi dada à pergunta de porque ele havia passado o poder a Cheney, e não sobre porque ele necessitou de anestesia geral.

        Será possível que Bush nunca tenha colocado nem seu dedo mindinho no seu próprio cu? Toda esta estória sugere que ele tenha aqueles calafrios homofóbicos… Ou será talvez que em algum lugar do passado Bush de fato tenha tido algo (ou alguém) muito significante dentro de seu ânus? Se foi isso, ele teria ficado tão traumatizado que apenas o pensamento de qualquer coisa que se pareça com este fato o leva a suar frio. Talvez ainda possa ser que as experiências de Bush com sua bunda tenham sido tão intensamente prazerosas que ele tenha tido medo de deixar seu corpo responder naturalmente a elas, de maneira não alterada por drogas.

        Representante de um caso extremo de aversão anal, Bush definitivamente não está sozinho nessa de não se sentir, digamos, apaixonado por esta parte específica de seu corpo. Em seu livro "O Prazer Anal e a Saúde" (Anal Pleasure and Health) Jack Morin fala sobre a fobia que muitos de nós têm em relação ao ânus e como isto nos atrapalha em ver neles uma possível fonte de prazer sexual. "Como muitos de nós fomos profundamente alienados da área anal", nos mostra Morin, "nós tipicamente vivenciamos esta área como escondida, suja, nojenta e sem nenhum mérito de nossa atenção". Crianças, diz ele, sentem prazer em todas as partes de seu corpo, inclusive na região do ânus.

        Infelizmente, ele acrescenta, "com o crescimento aprendemos a desconfiar de nosso corpo ou a simplesmente ignorá-lo. Este processo de auto-alienação é especialmente pronunciado em relação à região anal, que é considerada o símbolo último de tudo o que é sujo e revoltante. A gradual tomada de consciência de que o ânus é visto assim de forma tão repulsiva pelos adultos deve ser desconcertante para as crianças, pois contradiz diretamente suas experiências tão prazerosas com este lugar de seus corpos. Nasce então assim um conflito inconfessável que facilmente perdura por toda uma vida".

        Por sorte, os americanos em geral parecem ter um relacionamento mais amigável, menos fóbico e até francamente erótico com seus cus do que seu Presidente. "A sexualidade anal", diz Jack Morin, "é, e sempre foi, um ponto importante na eroticidade humana". Ele cita uma pesquisa feita com mais de 2.000 homens e mulheres por Morton Hunt no início dos anos 70, na qual "quase um quarto dos casados, abaixo dos 35 anos já haviam experimentado o sexo anal, pelo menos de maneira eventual, enquanto mais da metade haviam provado a introdução digital no ânus. Mais de um revelou já ter feito estimulação oral desta área". Uma pesquisa feita pela revista Playboy com 100.000 de seus leitores no início dos anos 80 revelou que 47% dos homens e 61% das mulheres já haviam tido sexo anal. Estas duas pesquisas vieram à discussão pública com o aparecimento da AIDS no início dos anos 90, revelando a importância do sexo anal para a maioria das pessoas.

        Hoje em dia, apesar do fato de 15 estados americanos ainda terem em seus códigos penais a "sodomia" (sexo anal) considerada como crime , há uma crescente fascinação pelo sexo anal, particularmente entre os jovens. O sexo anal é um dos temas mais comuns nos filmes pornôs, por exemplo. Uma loja de material erótico em São Francisco, a "Good Vibrations", revela que um filme chamado "Bend Over Boyfriend" ("Inclinando-se sobre o Namorado"), que trata da penetração anal de homens por suas parceiras mulheres, evidentemente com o auxílio de "consolos" sustentados por suportes especiais, é um de seus vídeos mais vendidos.

        "Praticamente todos", diz Jack Morin, "sem importar o sexo ou a preferência sexual, podem estar bem alertas em relação às suas áreas anais, aprendendo a relaxar suas estruturas musculares retais e expandir sua capacidade de aproveitar todo tipo de estimulação desejada". Tudo o que é preciso, diz ele, é ter "um pouco de paciência e uma idea clara de como proceder". Ele ainda complementa: "quase todas as pessoas com quem trabalhei chegaram à conclusão que as vantagens - prazer anal e saúde - valem o esforço". Tentativas de colocar em contato o Dr. Morin com o presidente Bush, um gesto desesperado em nome da paz mundial, infelizmente resultaram em nada até agora.



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