O que se poderia advir do fato de se saber que
o destemido líder do dito "mundo livre",
um homem com coragem o bastante para desafiar
para a guerra terroristas de 80 nações
pelo mundo afora, solicitou anestesia geral para
a execução de um exame corriqueiro
de colonoscopia (exame pra observação
de ânus, reto e intestino grosso) ? Saibam
vocês ou não, das 7:09 às
9:24 da manhã de sábado de 29 de
junho, Dick Cheney esta como presidente em exercício
dos Estados Unidos da América, porque George
W. Bush evocou pela segunda vez na História
a 25ª. Emenda constitucional daquele país
e ausentou-se de temporariamente de seu cargo.
Esta emenda requer que a presidência dos
Estados Unidos seja transferida ao vice-presidente
em momentos nos quais o presidente apresente-se
incapacitado. (A evocação anterior
desta emenda foi igualmente relacionada a assuntos
anais e ocorreu quando Ronald Reagan foi submetido
a uma cirurgia do intestino grosso).
Como ocorreu com o recente eclipse parcial do
sol, muitos americanos dirigiam-se a seus trabalhos
naquele 29 de junho, completamente desavisados
que algo não usual estava ocorrendo.
Mesmo assim, por mais de duas horas, o vice-presidente
e ex-executivo da Halliburton Company (companhia
sob investigação por práticas
irregulares em suas contas bancárias)
estava sendo empossado como comandante da grande
máquina estatal americana, enquanto George
W. Bush se recuperava da anestesia geral requisitada
para um procedimento médico mínimo
e de menor importância.
Eu não sou um grande fã do jeito
machão de ser, mas tenho que dizer que
quando li que Bush havia recebido inclusive
"propofol", um anestésico geral,
para submeter-se a uma colonoscopia rotineira,
meu primeiro pensamento foi que o cara havia
agido... bem... como um "maricas"
frente sua colonoscopia. Ou, para ficar mais
simpático, eu imaginei que o presidente
dos Estados Unidos da América devesse
ter alguma coisa mal resolvida em relação
a seu próprio cu, para ter que ser nocauteado
desta forma para permitir a manipulação
de sua bunda... Este dado absolutamente pessoal,
a meu ver, talvez explique um pouco a estrutura
de personalidade torturada que Bush apresenta.
Eu percebi que alguns consideram mal educado
falar de forma desrespeitosa de um dos símbolos
do orgulho nacional e que a solidariedade que
tantas pessoas estavam demonstrando conta muito
hoje em dia para um manter senso de estabilidade
e segurança. Bush é, como bem
se sabe, aquele homem cujo trabalho consiste
em mostrar para Osama bin Laden, Saddam Hussein
e Yassir Arafat - sem falar em toda a Comunidade
Européia - que qualquer um que se coloque
no caminho dos Estados Unidos vai se colocar
em encrenca da grossa. Mas como diz meu pai,
assim como qualquer chefe de escoteiros por
ai, todo mundo fica igual quando baixa as calças,
quando se barbeia de manhã e quando está
sentado em seu vaso sanitário. E eu gosto
muito de me lembrar que isto também é
válido para todos os líderes mundiais
- seja George W. Bush, Bill Gates ou Mahatma
Ghandi - e que todos eles são de carne
e osso como o resto dos mortais.
Há, de fato, algo de humildade em se
fazer uma colonoscopia e foi isso que me fez
pensar no Presidente dos Estados Unidos com
a bunda para o ar preste a ser penetrado pelo
medico da Casa Branca Richard Tubb. A cena é
particularmente apelativa, mesmo que Bush estivesse
inconsciente no momento. Eu mesmo já
fiz minha colonoscopia de rotina (sem usar nenhuma
droga, diga-se de passagem) há alguns
anos, então, eu posso falar sobre o assunto
com conhecimento de causa. Eles pedem para você
se ajoelhar numa mesa de exames (assumindo aquela
posição que meu proctologista,
um homem com um ótimo senso de humor,
chama de "posição de oração").
Em seguida um tubo de 2m com uma micro-câmera
na ponta vai entrando em você. Esta é
uma daquelas experiências de que você
não pode nem se entregar, nem resistir.
Meu impulso foi o de me entregar, mas esta é
mesmo minha tendência natural mesmo. De
toda forma, minha colonoscopia foi por vezes
incômoda (para ultrapassar as duas curvaturas
principais do meu intestino grosso foram precisos
algumas respirações profundas)
e por vezes prazerosa (sim, eu sou uma daquelas
pessoas que conseguem ter prazer com este tipo
de coisa), mas a maior parte do tempo o exame
foi um grande nada. Se você for uma pessoa
com mais de 50 anos que vem evitando o exame
que, quem sabe, pode até salvar sua vida,
tome isto como um encorajamento para superar
seu medo e para dar mais este passo para se
manter saudável por ainda muitos anos.
Eu sei que algumas pessoas têm mais dificuldade,
bem como muito menos diversão, com a
colonoscopia do que eu tive. Muitos tomam tranqüilizantes
para ajudar a relaxar durantes este exame. Mas
tomar um Valium, medicamento comumente prescrito
nestes casos, é totalmente diferente
da necessidade de ser nocauteado por uma droga
como o propofol, aquele remédio que o
Bush precisou para superar sua extrema fobia
anal. Propofol, vendido comercialmente como
Diprivan, foi desenvolvido para ser um anestésico
geral e apenas é usado como sedativo
como uma segunda escolha. Esta droga, segundo
o "site" do Diprivan, "deve ser
administrada somente por pessoas treinadas na
administração de anestesia geral".
Pacientes que receberam propofol necessitam
ser "constantemente monitorizados e entubados,
bem como mantidos em instalações
hospitalares onde haja a possibilidade de respiração
artificial, administração de oxigênio
e ressuscitação cardio-respiratória".
Em outras palavras: este remédio não
é para brincadeiras.
De acordo com a agência internacional
Reuters, o propofol foi dado a Bush por via
endovenosa e ele esteve inconsciente durante
os 20 minutos que durou seu exame. Na verdade,
apenas depois de 2 horas de recobrar a consciência
foi que Bush se considerou capaz de reassumir
suas funções como presidente.
Quando questionado porque demorou tanto para
que Bush reassumisse, o porta-voz da Casa Branca
Al Gonzales citou "uma abundância
de causas" e o desejo de Bush de não
ter "uma decisão precipitada ao
retornar e assumir sua autoridade e poder".
Minha experiência pós-exame consistiu
numa agradável conversa com meu medico
e após ter visto com ele as imagens do
exame, pegar meu carro e dirigir de volta para
casa. Eu com certeza em momento algum me senti
incapaz para nada. Se um avião caísse
sobre minha casa, eu teria sabido exatamente
o que fazer e me sentia capacitado para fazê-lo.
Isso nos leva à questão de o que
será que se passa com George W. Bush
que o torna assim tão cheio de dedos
em relação ao fato de algo ser
introduzido em seu ânus que o tenha levado
a ser mantido inconsciente na ocasião?
Os repórteres que estavam na Casa Branca,
não é de admirar, deixaram passar
a oportunidade de fazer esta pergunta ao porta-voz
Ari Fleischer. Conseqüentemente, a explicação
militar de Bush ("estamos em uma situação
de Guerra e eu preferi ser super cauteloso")
foi dada à pergunta de porque ele havia
passado o poder a Cheney, e não sobre
porque ele necessitou de anestesia geral.
Será possível que Bush nunca tenha
colocado nem seu dedo mindinho no seu próprio
cu? Toda esta estória sugere que ele
tenha aqueles calafrios homofóbicos
Ou será talvez que em algum lugar do
passado Bush de fato tenha tido algo (ou alguém)
muito significante dentro de seu ânus?
Se foi isso, ele teria ficado tão traumatizado
que apenas o pensamento de qualquer coisa que
se pareça com este fato o leva a suar
frio. Talvez ainda possa ser que as experiências
de Bush com sua bunda tenham sido tão
intensamente prazerosas que ele tenha tido medo
de deixar seu corpo responder naturalmente a
elas, de maneira não alterada por drogas.
Representante de um caso extremo de aversão
anal, Bush definitivamente não está
sozinho nessa de não se sentir, digamos,
apaixonado por esta parte específica
de seu corpo. Em seu livro "O Prazer Anal
e a Saúde" (Anal Pleasure and Health)
Jack Morin fala sobre a fobia que muitos de
nós têm em relação
ao ânus e como isto nos atrapalha em ver
neles uma possível fonte de prazer sexual.
"Como muitos de nós fomos profundamente
alienados da área anal", nos mostra
Morin, "nós tipicamente vivenciamos
esta área como escondida, suja, nojenta
e sem nenhum mérito de nossa atenção".
Crianças, diz ele, sentem prazer em todas
as partes de seu corpo, inclusive na região
do ânus.
Infelizmente, ele acrescenta, "com o crescimento
aprendemos a desconfiar de nosso corpo ou a
simplesmente ignorá-lo. Este processo
de auto-alienação é especialmente
pronunciado em relação à
região anal, que é considerada
o símbolo último de tudo o que
é sujo e revoltante. A gradual tomada
de consciência de que o ânus é
visto assim de forma tão repulsiva pelos
adultos deve ser desconcertante para as crianças,
pois contradiz diretamente suas experiências
tão prazerosas com este lugar de seus
corpos. Nasce então assim um conflito
inconfessável que facilmente perdura
por toda uma vida".
Por sorte, os americanos em geral parecem ter
um relacionamento mais amigável, menos
fóbico e até francamente erótico
com seus cus do que seu Presidente. "A
sexualidade anal", diz Jack Morin, "é,
e sempre foi, um ponto importante na eroticidade
humana". Ele cita uma pesquisa feita com
mais de 2.000 homens e mulheres por Morton Hunt
no início dos anos 70, na qual "quase
um quarto dos casados, abaixo dos 35 anos já
haviam experimentado o sexo anal, pelo menos
de maneira eventual, enquanto mais da metade
haviam provado a introdução digital
no ânus. Mais de um revelou já
ter feito estimulação oral desta
área". Uma pesquisa feita pela revista
Playboy com 100.000 de seus leitores no início
dos anos 80 revelou que 47% dos homens e 61%
das mulheres já haviam tido sexo anal.
Estas duas pesquisas vieram à discussão
pública com o aparecimento da AIDS no
início dos anos 90, revelando a importância
do sexo anal para a maioria das pessoas.
Hoje em dia, apesar do fato de 15 estados americanos
ainda terem em seus códigos penais a
"sodomia" (sexo anal) considerada
como crime , há uma crescente fascinação
pelo sexo anal, particularmente entre os jovens.
O sexo anal é um dos temas mais comuns
nos filmes pornôs, por exemplo. Uma loja
de material erótico em São Francisco,
a "Good Vibrations", revela que um
filme chamado "Bend Over Boyfriend"
("Inclinando-se sobre o Namorado"),
que trata da penetração anal de
homens por suas parceiras mulheres, evidentemente
com o auxílio de "consolos"
sustentados por suportes especiais, é
um de seus vídeos mais vendidos.
"Praticamente todos", diz Jack Morin,
"sem importar o sexo ou a preferência
sexual, podem estar bem alertas em relação
às suas áreas anais, aprendendo
a relaxar suas estruturas musculares retais
e expandir sua capacidade de aproveitar todo
tipo de estimulação desejada".
Tudo o que é preciso, diz ele, é
ter "um pouco de paciência e uma
idea clara de como proceder". Ele ainda
complementa: "quase todas as pessoas com
quem trabalhei chegaram à conclusão
que as vantagens - prazer anal e saúde
- valem o esforço". Tentativas de
colocar em contato o Dr. Morin com o presidente
Bush, um gesto desesperado em nome da paz mundial,
infelizmente resultaram em nada até agora.
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Colunas passadas podem ser encontradas no site
da
Society for Human Sexuality,
em
www.sexuality.org/davids.html.
Dois dos livros editados por David -
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of Our Wonderful Bodies e The Erotic Impulse:
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sobre como proceder para adquirir os livros podem
ser encontradas em:
www.sexuality.org/l/davids/en.html
e
www.sexuality.org/l/davids/ei.html.