|
EMPRESTAR,
NÃO EMPRESTAR...
Parte 2
Edgeh
O
empréstimo a um outro dominador é o que
há de mais intenso para um submisso ou submissa
que aceitem a idéia. O que poderia mostrar de
forma mais clara e cabal o nível de submissão,
de entrega ao seu dominador, do que ir servir a outra
pessoa que não se conhece? O que daria uma noção
mais ampla de ser um mero objeto, uma coisa a ser usada
pelo dominador para dar prazer a ele? E, portanto, na
visão do submisso, o que poderia ser mais excitante?
Certamente, haverá muitas respostas a
esta pergunta... o que é natural, já que
cada pessoa se excita de uma maneira, e sempre achará
a sua melhor que a dos outros. Mas não é
disso que estamos falando.
Claro que o empréstimo deve ser feito
com a concordância do submisso. Estamos no terreno
da consensualidade - e vocês sabem, sem consenso,
sem jogo. Se o dominador quer muito emprestar seu submisso
ou submissa a outro dominador, mas se a sub ou o sub
não concordarem com a idéia, azar do dominador.
Não importam os motivos do submisso. Ele nem
tem que discuti-los, porque sabe que não vai
gostar e que não vai mudar de opinião,
por mais argumentos que se lhe apresentem. É
como querer convencer alguém que não curta
escatologia que comer merda é bom... Impossível.
No caso contrário - se o sub quer, mas
o mestre não - o azar é o mesmo, só
que muda de lado. Passa para o sub... (mas o sub tem
a vantagem, claro, de sempre poder se aproveitar do
"não" recebido de seu dominador como
fonte de prazer, hehehehe).
Agora, se ambos estão de acordo, sabem
que têm condições emocionais de
fazê-lo sem que isso comprometa sua relação,
então está tudo quase certo. Quase - falta
apenas um detalhe, que afinal é dos mais importantes:
saber para quem será feito o empréstimo,
e em que condições.
O primeiro ponto fica exclusivamente a cargo
do dominador "oficial". Espera-se dele não
menos do que total responsabilidade quanto ao que está
para acontecer. Cabe a ele definir se o dom "recebedor"
é confiável, equilibrado e capaz de se
manter rigorosamente dentro dos limites concordados
entre as partes. Acho desnecessário dizer algo
mais sobre isso, porque o assunto, por si só,
já deixa suficientemente claro o quão
importante é avaliá-lo com todo o vagar
do mundo. Erre aqui, e seu sub sofrerá as conseqüências
primeiro - você as sofrerá depois, mas
com certeza muito mais intensamente, porque qualquer
que seja sua pena, ela será acrescida de um insuportável
sentimento de culpa, pelo sub e por você mesmo.
Deu pra entender?
O segundo ponto é mais fácil, já
que se trata apenas de definir os limites do dom "recebedor",
que serão tratados diretamente com o "oficial".
Claro que quanto menos o sub souber acerca desses limites,
mais interessante o jogo tende a ficar (presumindo,
claro, que o dom "oficial" sabe muito bem
até onde pode permitir que o sub seja usado e
que o sub confie plenamente do dom "oficial",
tendo a certeza de que ele jamais permitiria que o dom
"recebedor" fizesse qualquer coisa que o ofendesse,
ferisse ou desrespeitasse durante a cena).
Claro que também é interessante
que o sub jamais saiba quem será o dom "recebedor".
A ansiedade desse aspecto em particular é um
sentimento catalizador da excitação que
pode e deve ser aproveitado até a última
gota. Basta que o dom "oficial" conheça
o "recebedor". Ao sub caberá apenas
servi-lo, não conhecê-lo. Mesmo durante
a cena - o dom "recebedor" pode usar uma máscara,
por exemplo.. assim, o sub nunca saberá quem
o está usando.
Enfim, o jogo é de fato interessante.
Mas tem regras importantes a serem seguidas - sem falar
no aspecto emocional, já abordado no meu artigo
anterior (se você não leu, sugiro que o
faça). Desejo a todos que forem tentar jogá-lo
sucesso completo - no aspecto físico tanto quanto
no emocional.
|