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AS ESCRAVAS CASADOIRAS


Edgeh


        Há algo de muito estranho com as escravas. Ou, pelo menos, com 90% das escravas com quem já teclei por esta vida. Ou talvez nem seja assim tão estranho. Não sei, julguem vocês.
        O fato é que quase todas elas não querem, no fundo, realizar uma fantasia. Elas querem VIVER ao lado de um homem que as possua, domine e torture. Dá para notar a diferença?
        Quero dizer o seguinte: a grande maioria das escravas busca não fantasiar, mas se apaixonar. Não vivenciar uma experiência excitante e independente de, mas, pelo contrário querem uma experiência excitante e totalmente dependente. Querem um namorado, antes de um dono. Querem paixão, antes de dor. Querem amor, antes de submissão.
        A fantasia, o bdsm, para elas, está sempre em segundo plano. É preciso haver envolvimento emocional. É preciso haver juras de amor. É preciso haver compromisso. Não importa se seja falso ou se seja eterno enquanto dure... mas é preciso.
        Particularmente, vejo um equívoco neste comportamento. Não que eu nao acredite que as pessoas tenham o direito de se envolver e de se apaixonar. Só não acho que, no bdsm, essa seja a ordem racional das coisas. Pelo próprio conceito da relação - que é uma fantasia - eu sempre presumi que tal ordem fosse PRIMEIRO ter um relacionamento simples e puramente para satisfazer esta fantasia. DEPOIS disso, SE fosse o caso, poderia haver um desenvolvimento do lado emocional da relação.
Sempre tive em mente que estava buscando satisfazer uma fantasia. Minha vida pessoal - ou "real" - não tem absolutamente nada a ver com o que meu lado lúdico (ainda que o sexualmente lúdico) faz ou deixa de fazer. Ou seja, o que sempre busquei (e continuo buscando) é uma parceira suficientemente lúcida (sob o meu ponto de vista, claro) para entender isso e desejar o mesmo que eu desejo: um encontro carnal, nao espiritual ou emocional. O que me move é satisfazer um DESEJO, não resolver um CARÊNCIA. Quem fala nesta relação é a carne, nao o coração.
        O problema é que começo a desconfiar que sou um lobo solitário (ou quase) nesta campina... Tenho visto centenas de casos de submissas que buscam, antes de mais nada, um parceiro estável e emocionalmente envolvido (preferencialmente, para a vida inteira), para só depois pensarem na fantasia.
OK, eu SEI que as mulheres têm esta diferença primordial de nós, homens canalhas, que somos cinicamente capazes de separar sexo e amor de uma forma animalesca e reprovável - coisa que elas, em sua imensa maioria, não consegue fazer. Meu espanto é que elas já não conseguem fazer isso nem levando chicotadas!!!
        Não deixa de ser um tanto surpreendente. Pensava eu - e isso mostra o quanto ainda tenho a aprender neste mundo - que, estando no terreno das fantasias, e de fantasias eminentemente sexuais, a ligação sexo-amor das mulheres presentes a este terreno fosse posta de lado. Ou, pelo menos, fosse passível de ser discutida.
        Mas não é. Ela é tão forte quanto numa relação real (por real, quero dizer fora das fantasias sexuais). E isso, evidentemente, me incomoda. Primeiro, porque é pouco prático. Já perdi muito, muito tempo teclando com pretensas escravas dispostas a um encontro real (e eu que achava que ISSO é que era difícil... de novo, digo: quanta coisa ainda tenho a aprender!!), mas que desistiam imediatamente ao saberem que eu não poderia ser seu namorado ou noivo ou marido....
        Ora, me desculpem, mas eu não entro nesta arena de desejos e fantasias disposto a me envolver com ninguém (e acho, sinceramente, que ninguém deveria fazê-lo). Permito-me, claro, desenvolver uma relação de amizade, carinho e respeito - coisas, aliás, essenciais. Mas amar? Me apaixonar? Sinto, tais coisas não estão (e nem nunca estarão) disponíveis.
Por conta disso, há muitas escravas que, me desculpem, nem são assim tão escravas. Fetichistas verdadeiros, reais, não são assim tão controlados que possam passar anos esperando até encontrar "a pessoa certa". Fetichistas não querem uma pessoa certa. Querem uma pessoa. Um cúmplice. Um parceiro. Querem compartilhar uma fantasia, não uma vida inteira. Pelo menos inicialmente, ressalvo - depois, nada impede que a relação evolua e vá acabar lá onde a escrava sempre quis...
        No fundo, lamento por mim mesmo –já conheci escravas tentadoras: inteligentes, com senso de humor e, aparentemente, bastante resistentes à dor (condição essencial para mim enquanto dominador). Mas pouquíssimas vezes pude desfrutar delas, porque quase todas caíam na ladainha da procura pelo homem de suas vidas... E eu não sou homem de uma vida, sou homem de uma (ou várias) fantasias.... nada além.
        Também lamento pelas próprias escravas que se colocam nesta situação. Por dois motivos: primeiro, pelo tempo que perdem sem que jamais tenham coragem de ao menos experimentar realizar suas fantasias, mesmo que sem envolvimento emocional. E segundo – mais grave – porque, quando namoram um dominador e a coisa mais para frente não dá mais certo, elas sofrem muito, muito mais do que uma namorada "normal" – porque puderam experimentar não apenas o amor que tanto buscam, mas realizar as fantasias que tanto desejavam. Perder uma dessas coisas é ruim. Perder as duas é quase insuportável.
        E isso é fácil de perceber – é só prestar atenção nas queixas das escravas "abandonadas" por seus namorados dominadores...
        Enfim, é o preço que elas pagam por não saberem, ou não quererem, ou não admitirem desvincular sexo e fantasias de amor e sentimento. Um preço que eu, que não sou mulher, presumo que seja bastante alto...