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UM ESTILO DE VIDA
Desejos e Paixões na Arte da
Dominação Feminina

Senhora Helga Vany Freyja

       Introdução

        O título da coluna sintetiza o sentido que pretendo desenvolver nos assuntos a serem tratados. Procurarei basear os pontos que têm sido fruto de minha experiência de vida, de pesquisa que venho desenvolvendo sobre o tema e dos contatos pessoais estabelecidos. Para que esta coluna seja mais dinâmica, mais participativa e, portanto, mais enriquecedora, seria muito útil que as pessoas interagissem comigo através do e-mail helgavany@helgavany.org, formulando questões, sugerindo temáticas, como também contribuindo com opiniões e comentários sobre os temas abordados.
        Tenho acompanhado este site desde sua criação. E o vejo como um local que trata com seriedade os temas, sem preconceitos ou tendências espúrias, e que aborda, em sua maioria, as diversas modalidades e formas do universo BDSM. Também noto que, a cada etapa de sua evolução, a equipe responsável procura ampliar sua forma de comunicação com seu público. A iniciativa de colunas como esta permitirá, por certo, a expansão e a multiplicação de maior gama de informações aos que aqui procuram algo para seu crescimento pessoal nesta Arte.


        O papel da simbologia e dos arquétipos da "Deusa" no imaginário e no universo da Dominação Feminina e da submissão masculina

        Antes de tudo, quero esclarecer que não sou nenhuma expert nesta área. Simplesmente gosto e estudo o tema. O que me levou a procurar tal aprofundamento foi o fato do grande interesse que sempre tive na natureza humana e a minha observação sobre o comportamento das pessoas, dos casais D/s SM e também dos ditos "baunilhas". Além disso, minha vivência em D/s, os rituais de entrega e o processo por que passa um submisso/escravo para ser aceito por mim são também outros fatores que despertaram a vontade de estudar tais símbolos e arquétipos.
        Mesmo o processo por que passei (e passo), desde o desejo, o reconhecimento, a constatação e a ação em me assumir integralmente e passar a viver a Dominação Feminina como um estilo de vida teve muito envolvimento do mundo simbólico e dos arquétipos das Deusas, dos deuses, de Rainhas, de reis, castelos, súditos, escravos, etc.
        Isto tudo está impresso em nosso imaginário, vindo dos contos de fadas e outras histórias infantis, transformando-se nas ricas fantasias da adolescência e da vida adulta, expressando-se mais ou menos disfarçadamente (ou até de modo mais claro) em nosso comportamento. Existem pessoas que bloqueiam todo esse universo interno, criativo, fora de seu processo de vida, aprisionado pelos valores castradores (sociais, culturais, religiosos) ou por um excesso de realidade ou por outras dificuldades pessoais. Deixam assim de viver suas fantasias, como aquelas que pertencem a nosso mundo D/s SM, rico, variado, e extremamente simbólico. Ao contrário, deixar que aflorem tais fantasias, permite que saiamos do lugar comum, do modo pré-programado da existência, e nos trazem também um grande desafio: viver os desejos em toda sua expressão.
        Não foi por acaso que escolhi a Deusa Freyja, da mitologia nórdica, como representação simbólica de meu imaginário Feminino e darepresentação mais geral da Femina Suprema, no conceito e no contexto que tenho e que expresso como Supremacia Feminina (ver o artigo A Femina Suprema e o 24/7, também de minha autoria).
        É lógico que, quando escolhi Freyja para compor meu nome, ainda não tinha a consciência de toda sua representação simbólica. Naquela ocasião (e lá se vão alguns anos) sabia que o nome tinha significados como desejo, paixão, ousadia, persistência, invulnerabilidade, beleza, generosidade e amor, e tais eram os elementos fundamentais para a criação de Meu Reino. Com o passar do tempo, além de ir me desenvolvendo mais em diversas áreas, fui me aprofundando no conhecimento da "Deusa" e sua representação em nosso imaginário.
        Atualmente sei mais sobre a Deusa Freyja e tenho conhecido suas peripécias no mundo dos deuses nórdicos. Alguns aspectos são até muito engraçados e me fazem dar boas risadas, como o relato no qual ela submete o Deus Thor a uma espécie de feminização forçada (posso contar tal passagem em outra ocasião).
        Mas o ponto principal que quero destacar é a percepção do significado simbólico e de arquétipos. A percepção do símbolo é exclusivamente pessoal, não apenas porque varia de acordo com o entendimento (racional) cada um, mas também no sentido de que pode representar o todo de cada pessoa.
        O símbolo tem, precisamente, essa propriedade excepcional de sintetizar, numa expressão sensível, todas as influências do inconsciente e da consciência. Também sintetiza as forças instintivas e espirituais, estejam elas em conflito ou em vias de se harmonizar, no interior de cada pessoa.
        O símbolo é, portanto, muito mais do que um simples signo ou sinal: transcende o significado e depende da interpretação que, por sua vez, depende de certa dose de predisposição. Está, assim, carregado de afetividade e de dinamismo.
        Sejam quais forem os sistemas de interpretação das Deusas de toda a mitologia, no geral eles ajudam a perceber uma dimensão da realidade humana e trazem à tona a função simbolizadora da imaginação. Eles não pretendem transmitir a Verdade ou uma verdade científica, mas expressar a verdade de certas percepções. O importante é discernir o seu valor simbólico, que revela o sentido profundo de cada arquétipo vivenciado e desejado.
        Segundo C. G. Jung, "os arquétipos seriam protótipos de conjuntos simbólicos, tão profundamente gravados no inconsciente, que dele constituiriam uma forma estrutural. Na alma seriam como que modelos pré-formados, ordenados (taxinômicos) e ordenadores (teleonômicos), isto é, formariam conjuntos representativos e emotivos estruturados, dotados de um dinamismo formador.
        Os arquétipos manifestam-se como estruturas psíquicas quase universais, inatas ou herdadas, tornando-se uma espécie de consciência coletiva; exprimem-se através de símbolos específicos, carregados de uma grande potência energética. Desempenham um papel motor e unificador considerável na evolução da personalidade." (retirado dos estudos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant sobre "Mitos , Símbolos, Costumes")
        O símbolo do arquétipo liga o universal ao individual. O importante de tudo isso, em nossa prática D/s, é ter conhecimento de toda essa potencialidade e refletir sobre ela; é saber que tais estruturas simbólicas fazem parte do nosso processo de escolhas e das manifestações dos nossos desejos secretos ou explícitos. E não sair por aí se achando de fato Deusa, rei, Rainha, escravo ou escrava, e assim se amalgamar com o símbolo desejado, sem discernir o real do fantástico.
        O imaginário simbólico, essa encruzilhada de todos os desejos e fantasias do psiquismo humano, onde se reúnem o afetivo e o desejo, o conhecido e o sonhado, o consciente e o inconsciente. Tudo é signo e todo signo é portador de um sentido. Portanto, não podemos nunca perder o pé da realidade e do sentido do real e do possível nas nossas relações, por mais sonhos, ousadias e desejos que tenhamos neste nosso universo D/s BDSM.

Na próxima coluna mensal estarei respondendo eventuais questões ou comentários que sejam encaminhados. O importante é que este espaço seja compartilhado para que se possam desenvolver ainda mais os temas abordados. Por outro lado, seria importante também receber idéias e sugestões de temas que possam ser de interesse geral na discussão da Dominação Feminina.

Um abraço e até mais.



Contato:

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