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UM ESTILO DE VIDA
Desejos e Paixões na Arte da
Dominação Feminina

Senhora Helga Vany Freyja



O MATRIARCADO: Mitos e Realidade
Parte 2

Considerações, comentários e questionamentos

       O último artigo que publiquei nesta coluna provocou discussão e curiosidade entre alguns leitores, que se manifestaram em lista de discussão e/ou em e-mails privados, o que está dentro dos meus objetivos: criar oportunidade de reflexão sobre temas candentes e polêmicos da Dominação Feminina, incluindo aí o Matriarcado. O curioso é que a discussão aberta ocorreu na lista "amor com podólatras", liderada e coordenada pela Rainha Bya, cujos membros, em sua maioria, têm os pés como fetiche, não se considerando submissos e, portanto, longe deste tipo de discussão.
       Fiquei muito gratificada pelas discussões havidas, especialmente as questões levantadas por "tapete das Mulheres", que despertou considerações muito pertinentes de outros participantes daquele grupo. E as discussões transcorreram, sem que se colocassem preconceitos ou estereótipos que cristalizam opiniões e bloqueiam o discurso honesto.
        Coloco, a seguir, os pontos levantados pelos leitores, iniciando com as dúvidas do leitor "tapete das Mulheres":

        Com o título "Perguntas a Senhora Helga Vany Freyja", ele postou, em 05 de fevereiro de 2002:

        "...Contudo, tenho algumas dúvidas que (...) me intrigam bastante. Gostaria de saber se já foi debatido tal tema com as Rainhas em geral, em especial a Rainha Patrícia I, que domina o reino do outro mundo (O.W.K..)

        Trata-se do seguinte:

        Certa vez, idealizei (em pensamento) um reino parecido, só que ele se resumia em transportar, aproximadamente, 100 crianças, recém-nascidas, do sexo feminino, e 100 do sexo masculino. Lá, nesse reino (que hoje existe), as mulheres adultas, assim como escravos adultos, demonstrariam um mundo tal como é no reino. Mulheres mandando e homens obedecendo. Tais crianças cresceriam nessa realidade, onde os homens seriam escravos, sem nunca conhecer outra realidade.
        Ocorre, que me vem um pensamento.
        A mulher tem um instinto nato de proteção aos filhos. Isso advém da cultura milenar em homens serem caçadores (até para proteger a mulher do risco) e as mulheres serem mantenedoras.
        No caso da Senhora, por exemplo, tens uma filha. Fica fácil ensiná-la a mandar. E se fosse um filho? Condicionaria ele à obediência? Deixaria outra mulher dominá-lo?
        Aí nasce minha dúvida. Pode ser que a senhora deixasse, mas a reação da mulher, depois que dá à luz, é muito imprevisível. E se uma determinada Rainha (uma vez instalado o matriarcado), rebelar-se e vir com aquele discurso:"Filho meu perua nenhuma manda."?
        O homem, na infância, adolescência e juventude, tende a uma agressividade bem predominante. Aproveita-se da sua vantagem física e provoca as meninas de sua idade. Teria que ter uma educação severa e rude para mantê-lo humilhado e escravizado. Sem dó e nem piedade, mesmo aos 2, 3 ou 4 anos de idade.
        A Rainha mãe estaria preparada para suportar tal realidade? Nesse ponto deve se registrar que o homem nunca impediu a submissão da mulher, mesmo que da própria filha. Inclusive, é comum, naquele domingo em que a família se reúne, o pai e, em conseqüência, a mãe, mandar os meninos irem brincar e as meninas "ajudarem" a mãe na cozinha.
        Muitos pais praticamente entregam a filha a um sanguinário poderoso.
        O homem tem uma natureza de não dar muita proteção aos filhos. Alimentou durante todos os tempos que a filha deve ser submissa como a mãe. E o filho levar "porrada", como ele levou.
        E a mulher? Como treiná-la para também fazer isso?
        Já notou que, quando um pai é rude com o filho, a mãe vem e o protege?
        E se uma daquelas Rainhas, que cresceram com aquele aprendizado, for mãe de um filho homem? Vai submetê-lo ao sistema ou virá com aquela proteção matriarcal já citada?
        E se essa Rainha for a Rainha Suprema e não permitir que escravizem seu filho? Não estaria colocando a possível sociedade matriarcal em cheque?
        Se a Rainha Maior não permitir que seu filho seja escravo como os outros homens, ele, sem piedade alguma, humilhará a mãe, tirará a autoridade dela, invocará os outros homens a se rebelarem.
        Isso ocorrendo, o herdeiro não titubearia em sacanear a própria mãe e colocar o sistema matriarcal sob risco.
        Hoje, o O.W.K. funciona bem porque os homens que vão lá, são escolhidos sob muitas regras. Gostam de estar lá. Porém, pelo que pude ver do projeto da Rainha Patrícia I, ela vislumbra fomentar uma corrente de mudança de paradigma total no planeta.
        Antes de dar sugestões e enriquecer esse importante tema, gostaria de ver sua opinião.
        Outra pergunta:
        Sua filha já tem escravos pessoais (não em termos sexuais, mas para servi-la)? Ela gosta? Se fosse um filho, a senhora o escravizaria? São perguntas que faço, justamente por ser o ponto que penso ser falho na sociedade matriarcal (e deixo registrado que sonho com tal reino).

        TAPETE DAS MULHERES..."


        Naquele mesmo dia, algumas horas depois, Morgana de Avalon responde ao missivista "tapete das Mulheres":

        "Apesar de suas perguntas terem sido dirigidas à Sra. Helga, gostaria de dar minha opinião.
        Parece-me que você está bastante confundido com relação aos seus conceitos de SM. A prática sadia de SM, ou qualquer outra prática sexual, necessariamente deve ser segura e consensual, o que implica em, obviamente, estarmos falando de pessoas adultas. O Other World Kingdom oferece um espaço para isso, e nada nos leva a concluir que hajam planos para que, nesse local, venham a existir criancinhas que são criadas para serem dominadoras ou submissas. O "mundo" referido ali é definitivamente um mundo de adultos.
        Mas, muito mais importante que isso, é sua pergunta com relação à imposição de quem quer que seja (seja dominadora ou dominador), de uma conduta sexual aos filhos ou filhas. Trata-se de uma opção ou, quem sabe, até uma vocação individual, que não deve e nem pode ser imposta, nem manipulada, mas, sim, respeitada.
        Por último, sugiro que leia a vasta literatura feminista que oferece várias interpretações para as origens históricas, sociais e econômicas da subordinação feminina, matrilinealidade e outros temas, e trate de entender porque algumas de nós tentamos reverter essa tendência ou, pelo menos, praticar essa reversão individualmente.

        Morgana of Avalon"


        No que seria a tréplica, "tapete de Mulheres" responde, no dia 07/02/02:

        "Não me entenda mal. É que lendo a entrevista da Suprema Rainha Patricia I, do OWK, ficam claras suas intenções de instituir o paradigma matriarcal.
        Quando me referi ao tratamento aos filhos, não foi sob a ótica sexual e, sim, sob a ótica matriarcal.
        Quando um pai ensina que a filha deve ser submissa a seu marido, que deve cuidar de filhos e cuidar da casa, ele não visa o aspecto sexual e, sim, machista.
        Meus questionamentos foram no sentido de saber se esse aspecto protecionista da mãe, que acaba mantendo-a refém do machismo, é discutido.
        Conheço mães separadas que têm um único filho. Falam cobras e lagartos do ex-parceiro. Criticam seu machismo e galinhagem. Só que, quando o pimpolhinho age da mesma forma, ela acha bonitinho. Afinal, é um homenzinho. O homem não age assim com sua filha. Educa-a para ser (na maioria das vezes) submissa e fiel.
        Porém, se o OWK é um reino da fantasia sexual, retiro meus questionamentos. Mas, pelo que li na página da Senhora Helga trata-se de proposta de mudança.
        Trata-se de assunto muito profundo`, reconheço. Apenas quero tirar a impressão deixada.

        Tapete das Mulheres"


        Já havia recebido, no meu e-mail privado, o seguinte comentário de alehcxis, em 31/01/2002:

        "Olá, Senhora.
        Tomo a liberdade de escrever para, humildemente, lhe dar parabéns pelos excelentes textos publicados no Desejo Secreto e pela entrevista dada ao OWK.
        Não sei se sou submisso como muitos que lhe escrevem.
        Assim, desde já, peço desculpas se lhe faltar com alguma regra de respeito. Quero ressaltar que, na parte da entrevista da Rainha Patrícia, e, depois, corroborada com sua opinião, onde falam do matriarcado como saída para a humanidade, o tema para mim deixou de ser ficção científica. Ocorre que nestes anos todos, de governos e reinados masculinos, só deixamos a desejar mesmo. Admiro a capacidade feminina. Admiro a capacidade humana de ser guiado pela racionalidade. Penso que seria racional mais mulheres ocupando muito mais posições de importância numa sociedade, num governo.
        Já começa a melhorar. Deve ficar muito melhor!
        Desculpe me alongar.
        Saudações.

        Alehcxis."


        Com esses comentários e questionamentos, respondi, em mensagem na lista "amor com podólatras" o seguinte texto, que coloco aqui para mostrar o modo como lido com minhas convicções filosóficas, com meus fetiches e com o dia-a-dia da criação de meus filhos. Creio ser um testemunho de que é possível quebrar paradigmas, ser livre para exercer um outro estilo de vida, sem desrespeitar as opções de ninguém, mas sendo coerente com minha linha de pensamentos. Vamos ao texto, publicado na referida lista em 07/02/2002:

        "Tapete e lista:

        Somente agora pude ler suas questões e as respostas que já foram dadas a ela.
        Vou tentar responder, inclusive, as perguntas pessoais que v. me faz:

        Seres humanos não são cobaias (sei que sua fantasia é exatamente isso: uma fantasia) para experimentos destituídos de qualquer princípio de bio-ética. A educação deve desenvolver indivíduos com discernimento e visão crítica, formando pessoas que sabem de si e do meio em que vivem com todas as suas inter-relações. Uma educação dirigida a um só objetivo, além de antiética, procura eliminar o livre-arbítrio das pessoas; este, uma dádiva divina (qualquer que seja a divindade considerada).
        A sexualidade é uma opção ou, como colocou Morgana of Avalon em sua resposta muito clara e oportuna, "até uma vocação individual que não deve e nem pode ser imposta nem manipulada, mas, sim, respeitada".
        Por aí v. vê que respeito os caminhos que meus filhos (tenho um casal de jovens adultos) optem por seguir, sem qualquer tipo de imposição de minha parte. A linha de educação que, conscientemente, procurei para meus filhos (e aí vale lembrar que o meio ambiente educacional não é somente o lar ou a escola), levou em conta alguns princípios como respeito a si mesmo e ao próximo, o entendimento do que seja "livre-arbítrio" e os limites internos e externos existentes.
        Procurei não fazer diferenças de educação e oportunidades para os dois, e eles têm suas opções para viver e refletir.
        Procurei facilitar com que minha filha pudesse desenvolver consciência crítica, lutar por suas conquistas, sem perder a doçura e a agressividade que são inerentes à sua personalidade. Ela já bateu cabeça, namorou um tipo "machista" que só trouxe problemas, e hoje está namorando um rapaz que a respeita e a valoriza como mulher. A vida sexual deles compete somente a eles e não interfiro de modo algum.
        Digo a meu filho para não se iludir com mulheres muito "submissas", "boazinhas". As mulheres mais assertivas, mais seguras, mais independentes, que sabem o que querem, mostram-se mais "autênticas" e assumem uma relação porque querem, porque optaram por isso, e não por dependência emocional, financeira, ou cultural.
        Sei de muitas mulheres ditas "submissas" (não a opção BDSM), que são verdadeiras tiranas, manipuladoras não explícitas, e muito menos consensuais.
        Meus filhos sabem que gosto e vivo a Dominação Feminina e os componentes BDSM. Essa é minha opção (e de meu marido) clara, consciente, segura. Mas não misturo os canais. A opção é nossa, e não imponho nada a eles e nem os envolvo em minha vida sexual. É uma escolha pessoal, é o poder e ser livre para viver meus fetiches e desenvolver um estilo de vida "matriarcal" com um homem que quer e entende isso também.
        Acho que o assunto Matriarcado deve mesmo ser mais debatido e pesquisado. Procuro fornecer alguns subsídios através de meu site e dos artigos mensais no site do Desejo Secreto. Lá, coloco minhas idéias e de outras pessoas. Na lista FemDom_Brasil também já se discutiu muito esse assunto.
        Atualmente, vivo o Matriarcado como um estado de espírito e uma maneira de viver a relação mulher-homem. Enquanto sistema social, muito ainda há que se discutir, entender e viver. Em síntese, vejo o matriarcado não como patriarcado às avessas, com sinal trocado, mas como o resgate e a valorização do Feminino nas relações.
        Conheço a Rainha Patrícia I somente nesse papel, ou seja, como Rainha do OWK. Minha impressão é a de que seja uma mulher inteligente, que sabe de si e que tem objetivos claros e coerentes. É uma pessoa meiga e que se mostra ética no que vive e divulga. Ela desenvolveu um local onde realmente ocorre a Dominação Feminina absoluta ENTRE ADULTOS. Muitos homens moram lá e trabalham para o Reino, sejam como "escravos" ou como "súditos". Existe uma sutil diferença entre essas duas categorias. Mas qualquer delas responde às determinações de mulheres e são a elas subordinados. É, também, um local onde as pessoas adeptas vivem, por alguns dias, suas fantasias em toda a plenitude. Mas sempre sob o lema WOMEN OVER men.
        Tapete, espero que possa ter esclarecido um pouco de suas dúvidas.
        Foi muito oportuna esta discussão, que muito ainda deverá se aprofundar. Os que tiverem esse interesse podem me escrever em pvt, pois o assunto certamente não será de interesse de todos os membros desta lista.

        Até mais.

        Senhora Helga Vany Freyja"


        Aí está leitores: um pouco mais de minhas convicções, não agora em debate acadêmico, mas como vivo na prática. Evidentemente, explícita ou implicitamente, meu modo de vida influencia ou vai influenciar as relações que meus filhos têm ou venham a ter. Mas a cabeça que faz e fará opções é a deles, não a minha, nem a de meu marido.

        Até o próximo mês.



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