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Saindo do Armário
Jack Rinella

O recente artigo na Revista Time sobre taras causou uma grande discussão na lista de ativistas SM, antes mesmo de sua publicação e ainda depois. Inicialmente, ele atraiu controvérsia sobre se o repórter deveria ou não ter sua presença na Black Rose permitida ou não (no fim, ele não foi, porque a liderança da Black Rose se preocupava com a exposição dos participantes).

Como Michaelangelo Signorille escreveu na “The Advocate”, “Em 1990 a palavra “revelação” repentinamente recebeu uma nova e temida conotação. Na definição da mídia de massa - a única definição à qual a maioria das pessoa tem acesso - revelação significava revelar que uma figura publicamente conhecida era gay ou lésbica contra sua vontade, algo que muitos colunistas descreveram como digno do McCartismo.

Com o passar dos anos, a definição de revelação foi alterada para incluir qualquer revelação não desejada da orientação sexual de uma pessoa por outra. Agora, é claro, praticantes do SM estão usando o termo sobre revelar a participação de outra pessoa no estilo de vida SM. Na verdade, a revelação tem três dimensões que devem ser consideradas: se revelar para alguém, para outros e por outros.

Eu vou começar essa discussão com uma colocação. Cada indivíduo tem o direito de definir e determinar seu próprio nível de exposição. Sair do armário é uma decisão muito pessoal e deve ser baseada em critérios particulares de cada pessoa. O que é certo para um pode não ser certo para outro.

A cada caso, o valor, os benefícios e o custo de sair do armário devem ser cuidadosa e seriamente pesadas. Existem repercussões sociais, econômicas e algumas vezes, até legais, de estar “do lado de fora”. Saiba o que você está fazendo e porque, deixando sua consciência ser seu guia.

Dito isso, resta o fato simples que “sua verdade lhe libertará”. Ter uma parte de sua vida aberta, significa que você não precisa mais viver essa parte de sua vida em segredo, cobrindo seus rastros e escondendo suas ações. A vida fora do armário é bem menos complicada.

I “lived” in the closet for a good many years before I was able to tell my
wife and family that I was Gay. I was a columnist for several years before I
admitted to being one. It took even longer for me to admit that I wrote
about kinky sex. During those years of secrecy I feared that being out would
mean loss of family, friends, job, and reputation.

Sim, existem amigos que não falam mais comigo. Sim, eu desisti de um casamento e magoei muitas pessoas maravilhosas no processo. Posso até mesmo ter perdido um emprego ou outro por conta de minha orientação sexual, mas eu não tenho fatos concretos disso. A conclusão disso é que eu não tenho mais nada a esconder, e tenho muitos novos amigos, minha família ainda me ama e estou feliz e livre como indivíduo.

O primeiro passo é realmente o mais difícil - admitir para si mesmo que é diferente. Nós tememos ser diferentes porque achamos que ser diferente é algo ruim. A sociedade certamente acrescenta uma bagagem muito negativa em qualquer comportamento que se desvia da norma, e isso inclui amor entre pessoas do mesmo gênero, e atividades sadomasoquistas. Então, mesmo quando consideramos a opção de ser diferente, nós nos defrontamos com muita culpa, vergonha e medo, mesmo quando intelectualmente pensamos de outra forma.

Sair do armário, portanto, é mais que um exercício intelectual, mesmo quando saímos do armário primeiro em nossas próprias mentes. Sair do armário para si mesmo significa fazer escolhas que reflitam ser eu real, não aquele que nos programa para sermos “normais”. No fim, sair do armário se resume a ser verdadeiro com você mesmo.

Ah, aí está o X da questão. Eu admito que existem momentos onde “ser verdadeiro com você mesmo” significa manter uma certa distância entre quem somos e quando, onde e para quem admitimos ser essa pessoa. Novamente, apenas você pode decidir onde traçar esses limites.

Por outro lado, eu me acostumei a chamar a mim mesmo de escritor, e quando perguntado sobre o que escrevo responder “Eu escrevo sobre sexo e taras”. Eu raramente obtenho mais que um sorriso como reação. É simples assim, mesmo quando eu não pensada ser tão simples doze anos atrás, quando comecei a escrever essa coluna.

Resolver a questão sobre ser diferente ou não, é o passo mais importante do processo de sair do armário. Se conhecer e se amar é uma das tarefas mais árduas da vida. Tendo feito isso, até onde isso pode ser “feito” é realmente o que é mais importante. Depois de tudo ter sido dito e feito, seja verdadeiro consigo mesmo.

Chegando tão longe, é um processo natural contar aos outros, quando existe alguma razão para contar aos outros. Novamente, só você pode julgar as razões corretas para você fazer isso.

Expor outras pessoas no entanto, é um assunto diferente. Nos anos 90, isso era um ato de expor figuras públicas como uma forma de acabar com a hipocrisia crescente entre alguns deles. Alguns ativistas, portanto, exporiam legisladores que viviam no armário, e que apesar de serem gays, votariam no lado anti-gay do corredor. Eventualmente, políticos gays expostos, descobriam que suas carreiras se acabavam, ou que ser gay ou não, não fazia diferença.

Com o passar do tempo, é claro, não faz diferença. Com o passar do tempo, ninguém irá se importar com quem você tem sexo mais do que se importam se você é canhoto ou destro. Eu acredito nisso, mesmo que a idéia ponha um sorriso no seu rosto.

Eu me lembro de um tempo em que ser canhoto, sinistro, era vergonhoso. Professores puniam o uso da mão esquerda para escrever ou comer. Estudantes canhotos tinham suas mãos esquerdas amarradas com fita ou corta para forçá-los a usar a mão direita. Os tempos mudam, e isso não é mais verdade.

O real valor de sair do armário é muito pessoa, mas não significa que não exista um valor social nisso também. Cada saída do armário torna mais fácil a saída para a pessoa seguinte. A cada vez que se fala de homossexualidade ou BDSM abertamente, nós tornamos mais fácil falar disso abertamente. A cada vez que uma pessoa descobre que alguém que conhecem é gay ou tem uma tara, essa pessoa aprende que nenhuma dessas tendências é necessariamente malévola.

Veja, a liberdade é contagiosa. Quanto mais livre cada um de nós é como indivíduo, mais livre nos tornamos como sociedade. Estou falando de grandes resultados aqui. Liberdade traz aceitação, tolerância, segurança e respeito. E mais importante, traz auto-aceitação, auto-tolerância, auto-segurança e respeito próprio.

Ao contrário da opinião comum no assunto, o que precisamos é mais gente fora, não menos. Enquanto o indivíduo se esconde, nossos antagonistas, que normalmente estão tão no armário quanto nós, usarão as sombras contra nós, criando falsos cenários de incesto, abuso e lesões porque a verdade não está lá, para derrotá-los.

O armário permite que nossas necessidades sejam marcadas com mentiras de outros, já que tememos mostrar nossas necessidades sob a luz da verdade. O que precisamos é de centenas de outros artigos como o que apareceu na Revista Time. O que precisamos são milhares de nós ( e não apenas alguns de nós ) sermos abertos sobre nossas vidas. O que precisamos é viver vidas verdadeiras. Onde a verdadeira liberdade reside. Então, essa não é uma grande tara?

Tenham uma boa semana. Você pode me deixar um Email em mrjackr@leathermail.com ou visitar meu Website em http://www.LeatherViews.com. Copyright 2004 por Jack Rinella, todos os direitos reservados.

Traduzido por Jessica Luchesi, sendo que a tradução pode ser distribuída sem ônus desde que em acordo e com permissão do autor original.