DS - TUDO QUE VOCÊ QUERIA
SABER SOBRE ISSO, MAS TINHA VERGONHA DE PERGUNTAR
Mestre Hugo Steel
Em
primeira análise, Ds significa Domination
and Submission, ou seja, Dominação
e Submissão. Mas técnicamente falando,
os adeptos do Ds são aquelas pessoas que
tanto adoram se submeter a outra, colocando-se assim
sob seu absoluto poder, sexualmente falando, é
claro!
O Ds é amplamente experimentado pelos
Dominadores (Doms) como forma de mostrar controle,
e pelos submissos (subs) como forma de ser controlado.
Pode ser extremamente excitante para alguém
dizer "Sou seu, use o meu corpo para o seu
prazer".
Além disso, é comum que os
parceiros concordem em uma troca de poder, propriedade,
comando, ou direitos de propriedade. A isto chamamos
de exchange power ou troca de poder. Isso é
Ds: uma pessoa domina, a outra se submete. Como
já disse em meu artigo do mês passado,
o 24/7 (dominação em tempo integral)
na qual o submisso se rende ao dominante com uma
faixa muito ampla de direitos e poderes para controlar
a sua existência diária. Seria uma
enorme besteira escolher as palavras "controle
total", uma vez que não é humanamente
possível a um dominador controlar toda piscada
ou pensamento que um submisso poderia fazer ou poderia
ter cada momento do dia. Porém, o idealismo
do Dom em ter o direito de controlar completamente
e tomar todas as decisões por seu submisso
é muito atraente para muitas pessoas. Mas
em 99% dos casos as relações de Ds
24/7 não envolvem troca de poder. Essas relações
costumam ser mais rígidas do que as demais
relações Ds, embora isso não
queira dizer que não haja nenhuma negociação
ou comunicação a esse respeito. Todavia,
esse é um conceito que dá lugar para
muita controvérsia e debates veementes.
Se você ama 24/7 e essa é a
forma que você desfruta da sua relação,
ótimo! Se você é cético
se existe ou não imagina como sustentar uma
relação desse tipo, também
ótimo! O importante é vivenciar plenamente
suas fantasias da forma que melhor lhe convier.
Jogos do tipo "Mestre-escravo",
"Papai e o mau menino", "aluno-Professor"
são variações desse tema. O
Ds é um jogo erótico de poder, onde
ambos os parceiros se deixam levar, um sob o prazer
do controle, o outro sob o prazer de ser controlado.
Nesse tipo de jogo sexual, (ou sensual), o conceito
está diretamente ligado às fantasias
de cada um de nós, e transformá-las
em realidade, criando um mundo mágico onde
tudo pode acontecer(dentro dos limites do São,
Seguro e Consensual) é o que realmete importa.
Sendo assim, podemos dizer, que os parceiros
"vestem personagens" e vivem um "papel".
Algumas pessoas às vezes se descrevem no
papel de dominador ou no papel de um submisso quando
jogam. Esta descrição pode ser muito
enganosa para os novatos, porque sugere que Ds é
sempre um jogo, ação, um estilo de
comportamento, que desaparece quando a pessoa volta
para "vida real" - digamos, para o trabalho
ou interagindo com a familia ou amigos "baunilhas".
Quando um dominador vivendo o papel não
está só fingindo ser um dominador,
ele pode adotar comportamentos externos particulares
ou modos de se vestir especificamente para o jogo.
Além do mais, até mesmo em pares de
parceiros onde a pessoa pode estar no "papel"
de dominante ou submisso para agradar o outro parceiro,
não é comum estar tipicamente jogando
o tempo todo. Normalmente os parceiros saem um pouco
do jogo, para vivenciar o real prazer e alegria
de estar se submetendo ou dominando o jogo.
É comum para um "baunilha"
achar que o que eles experimentam é qualquer
coisa menos "real" do que o que eles mesmos
experimentam - mas isto não significa eles
estão fingindo o que fazem. Em verdade, o
que eles estão fazendo é vivienciar
plenamente suas fantasias, alinhando assim seus
ids e egos respectivos, o que pode ser extremamente
saudável.
A definição precisa de termos
como Ds, BD, BDSM ou qualquer outra sigla não
tem tanta importância quanto as experiências
que elas proporcionam.Todas essas áreas de
interesse, como se vê, derivam de uma mesma
célula-mãe chamada SADOMASOQUISMO.
Na verdade, o termo Ds enfatiza um numeroso subgrupo
dos sadomasoquista que nos últimos 20 anos
tem se tornado muito popular, numa atividade bastante
explorada por aqueles querem se entregar aos prazeres
do SM, mas sem, contudo, nenhum tipo de dor física.
Mas em que realmente consiste o Ds?
Os parceiros, neste tipo de relação,
extraem o prazer sexual em dar e/ou obedecer ordens,
tais como: polir as botas dos doms, cozinhar o jantar
para eles, ajoelhar-se aos pés do seu dominador,
adorar-lhes alguma parte específicada do
corpo, serem privados de orgasmo obrigados a gozar
através de uma ordem, e vários outros.
Há também tipos de atividades que
costumam ser usadas mais como forma de castigo,
como por exemplo, obrigar o sub a ir trabalhar usando
uma calcinha de mulher, com um consolo introduzido
no ãnus, por exemplo.
Uma das variações mais comuns
do Ds é o mindfuck (que se traduzido ao pé
da letra, daria em algo como foder a mente), mas
numa adaptação mais livre pode ser
entendido como controle mental. Os Mindfuckers usam
um tipo de artifícios (e porque não
dizer ilusões), como forma de jogar com a
mente do seu sub. Algumas vezes isso inclui estados
psicológicos com jogos de medo (digamos,
ameaçar o submisso com uma faca), jogos de
cenas (usando alguns elementos padronizados, como
um professor com uma estudante, doutor com um paciente,
um inquisitor com um espião, um cachorrinho
com o seu dono, etc). Às vezes, Mindfuckers
enganam seus subs fazendo-os acreditar que tudo
o que eles vêem é real, quando não
é.
Por exemplo: mostrar para o sub uma faca
afiada, e substituí-la por um artigo inofenssivo
(como um abridor de cartas) antes de correr a lâmina
em cima de um dos mamilos ou inserir o artigo no
ânus do sub (que está obviamente vendado).
Alternativamente, o sub em questão poderia
descobrir depois que a situação era
pior do que ele acreditou ser. Geralmente, os Mindfuckers
incluem qualquer tipo de manipulação
mental.
Dois outros componentes psicológicos
próprios dos jogos de D/s são o castigo
e a disciplina (isto também se classifica
na categoria menos usada de BD, mas atualmente está
sendo discutido principalmente sob o título
de Ds). Os castigos incluem, por exemplo, espancamentos,
surras, ficar quieto de pé no canto da parede.
Outra forma muito comum e agradável de jogo
é o submisso desobedecer ao seu dominador
deliberadamente, e o mesmo exigir que o sub execute
uma tarefa desconhecida. Por outro lado, às
vezes os parceiros organizam o seus jogos dirigindo-os
para alcançar mudanças de comportamento
- usando castigos e recompensas para treinar o submisso
a se comportar de certa forma na presença
do se Dom. Esse é um estilo de jogo bem comum,
particularmente em relações de longo
prazo.
Uma associação fundamental
entre DS e SM é o sadismo emocional e o masoquismo
emocional. SM emocional é um tipo de jogo
que é extremamente quente para algumas pessoas,
mas deixa outras completamente horrorizandas.
A palavra "humilhação"
em particular, tem significados diferentes para
todo o mundo. O que faz uma pessoa se sentir envergonhanda
pode fazer outra pessoa se sentir humilhada ou ser
degradante. É uma boa idéia falar
cuidadosamente com o parceiro o que vem a ser o
do jogo de humilhação. A forma mais
comum é a humilhação pura e
simples - por exemplo, humilhá-lo na presença
de outros Mestres, emprestá-lo a um amigo
(também Mestre) ou fazê-lo comer em
um prato de cachorro.
Outra forma de SM emocional é o abandono
emocional: o jogo consiste em que o Dom responda
friamente para o sub ou o deixe solitário.
Paquerar com outra pessoa em uma festa ou se comportar
com indiferença para com o sub depois de
uma cena difícil (onde induzir ao ciúme
ou a indiferença é parte do jogo)
são bons exemplos. Outra situação
possível de abandono emocional que é
bastante controversa, não só pelo
seu forte apelo BD, como também pelo perigo
que traz em si, é deixar um sub amarrado
e impotente por muito tempo (antes de você
fazer uma coisa como esta, pense em possibilidades
extremas como: o que acontecerá se o sub
tiver um ataque do cardíaco ou uma crise
emocional ou ou até mesmo um mal súbito
ou a formação de coágulos sanguíneos
nas amarras enquanto ninguém está
presente? É considerado perigoso deixar o
parceiro amarrado por tempo demais e altamente não
recomendável).
As regras de Ds não são padronizadas.
Elas são normalmente elaboradas entre os
parceiros durante negociações que
sempre devem ser efetuadas antes de jogo. De um
submisso não pode ser exigido ajoelhar-se
aos pés de seu dominador a menos que os parceiros
concordem que ajoelhar é uma atividade aceitável
no jogo. Também não se pode ser exigido
a um submisso submeter-se a dominadores diferentes
do próprio parceiro. Se isso vier a acontecer,
terá de ter sido combinado antes e de comum
acordo.
Com a proliferação do BDSM
na internet, muitos evoluíram os seus próprios
comportamentos, que divergem bastante da prática
de Ds. Em particular, é comum em IRCs, no
OUL e no ZAZ (aqui no Brasil por exemplo) e em muitos
outros canais de BDSM, Mestres e Dominadores esperem
que os submissos usem somente letras minúsculas
nos seus nicknames e se dirijam a todos os Dominadores
como Senhor ou Mestre, tornando esse hábito
quase um protocólo. Mas pessoalmente acho
que o costume deveria ser justamente o oposto: nenhum
submisso ou escravo deve ser tratado como tal por
qualquer um, cuja a permissão não
tenha sido negociada explicitamente para assim fazê-lo.
Dar uma ordem ou esperar qualquer coisa diferente
da cortesia inerente à boa educação,
que deve ser comum a Doms ou subs, é violar
o respeito humano básico.
Este costume de tratar todos os não-parceiros
igualmente, se eles são dom ou sub, há
muito tempo deu lugar a uma réplica famosa,
que deveria ser usada por qualquer submisso sempre
que achar foi ordenado para fazer algo por alguém
que não é seu parceiro: "Eu posso
ser um escravo, mas eu não sou seu escravo!".
Também é importante lembrar a alguns
Doms e Mestres que as regras de boa convivência
mandam que não devemos nos servir dos submissos
alheios (ou mesmos os "sem-dono") como
sem fossem bem comum, pelo simples fato de serem
submissos.
Seja como for ou porque for, o mais importante
quando nos realcionamos com alguém de forma
Ds é ter em mente que satisfazer os desejos
e fantasias do outro é tão importante
quanto satisfazer as nossas. O fato de ser o "DOMINANTE"
da relação nada tem a ver com egoísmo.
Lembre-se: Todo e qualquer tipo de relacionamento
humano é bi-lateral; se não nos damos
à alguém, não podemos esperar
nada em troca.