Bondage & Disciplina
Dominação/submissão
SadoMasoquismo

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CONSIDERAÇÕES SOBRE ALGUNS PARADOXOS SADOMASOQUISTAS.
2A. PARTE

 
Mestre Hugo Steel

            Como disse antes, falaremos agora do outro paradoxo do sadomasoquismo: Quem realmente rege as relações SM? O Mestre ou o escravo?

            Outra vez quero frisar que as opiniões, que aqui expresso, são as minhas idéias sobre assunto em pauta.

            Esse é para mim o maior “nó” (para usar um termo de bondage e não sair do espírito da coisa) do sadomasoquismo. E digo mais: é um nó cego, pois por mais que se discuta o assunto, sempre se volta ao ponto inicial.

            Bem, se pensarmos que escravo é aquele que “está sujeito a um senhor (Mestre), como propriedade dele”, seremos forçados a admitir que é o Mestre que comandará a relação, pois prioritariamente é ele quem dará as ordens. ”Sadomasoquisticamente" falando, é a ele também que o escravo deve e quer agradar, dedicando toda a sua submissão, dor (quando for o caso) e obediência.

            Desta forma, não teremos como negar que é ele quem comanda a relação. Mas se pensarmos que o verdadeiro SM é baseado no consentimento (SM tem que ser são, seguro e CONSENSUAL), principalmente da parte do escravo (pois é ele quem REALMENTE se submeterá a tudo de LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE), então é inegável que é esse último quem rege a relação entre os dois, pois sem o consentimento dele nada acontecerá.

            Já minha experiência me diz que na verdade as coisas não são bem assim.

            Muitas vezes, quando conheço algum escravo na internet, ou mesmo pessoalmente, quando chega a hora da “negociação” dos limites a serem impostos, uso meus desejos e fantasias sexuais para criar nele desejos e fantasias complementares aos meus. Se isso não funciona, passo para o plano “B”, deixo claro que sou eu quem dá as ordens e que se ele quer ter um Mestre como eu, terá que submeter integralmente aos meus caprichos, sejam eles ou não, parte dos desejos dele - até porque o verdadeiro prazer de um escravo está em servir incondicionalmente a seu Mestre, independente das suas fantasias e desejos.

            Se ainda assim ele se recusa, isso serve para mostrar (pelo menos para mim) que ele não corresponde ao perfil de escravo submisso e servil que me agrada e que eu procuro. E vou mais longe: daí por diante, sempre duvidarei que esse indivíduo tenha realmente alma de escravo. Por outro lado, se ele aceita minhas condições e se submete a mim, isso não muda nada quanto à consensualidade do ato SM, uma vez que ele se submeteu de LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE. Ou seja, voltamos à estaca zero: novamente é o escravo quem está dando as cartas.

            Viram como isso é um nó cego? Por mais que se distorçam os fatos, sempre acabamos caindo na consensualidade do parceiro. Por isso, há muito tempo arranjei uma solução, que se não é a ideal, é pelo menos interessante.

            Quando estou para começar uma sessão, não me preocupo mais se o que estou fazendo está de acordo com as regras ou com os limites negociados anteriormente. Apenas tenho em mente duas coisas:

1) O limite do meu prazer é aquilo que não dá prazer ao outro. Entre dois homens isso é mais fácil de se perceber - basta observar a lei da gravidade (neste ponto tenho pena dos homens heteros, pois eles têm que ter uma sensíbilidade maior que seu próprio pênis e seu prazer);

2) A exemplo dele, também tento transmutar as fantasias e desejos de meu escravo em minhas próprias, para assim poder satisfazer a ambos.

 

            Mas isso não muda o fato de eu consentir de LIVRE E ESPONTÂNEA VONTADE em estar ali, satisfazendo-o. E cá estamos nós na estaca zero de novo...

            Um certo filósofo, disse certa vez:

            “Os paradoxos são as verdades das minorias, assim como os chavões são as verdades da maioria.”

            Portanto, esqueçam os paradoxos. Neste caso, só vejo uma saida - aliás a mais consensual(com senso – de humor) se me permitem o trocadilho: 

Relax... This is only sex! 

            Para que ficar se preocupando se é ou não o Mestre que rege a relação?  Lembre-se:

“Sexo sem fantasia, não é sexo! É apenas e tão somente função reprodutora.”

            Digo isso para propor o seguinte:

Temos ouvido durante 2000 anos que sexo é feio, é pecado e que só deve ser feito com fins de reprodução. Por que será que a igreja queria nos incutir isso na cabeça? Eu respondo por meio de uma simples equação:

            SEXO + ALEGRIA = LIBERTAÇÃO. E isso não interessava à igreja. O que interessava a ela era exatamente o contrário, ou seja: SEXO + PECADO = CULPA = OPRESSÃO

            Precisamos nos livrar desses 2000 anos de culpa “cristã”. O próprio Jesus Cristo NUNCA disse que sexo era pecado. Essas coisas foram incutidas em nossas cabeças pela “santa”, “madre” igreja católica apostólica romana.

            E é por isso que para praticarmos SM SÃO, SEGURO E CONSENSUAL primeiramente é preciso PRIORIZARMOS NOSSAS FANTASIAS. Isso por si só já é um ato muito sadio, e consequentemente mais seguro (do ponto de vista da sanidade e não do ponto de vista do embasamento teórico, técnico e prático), e facilitará a consesualidade.

            Resumo da ópera: Finja que você é quem dá as cartas desse jogo, mesmo que você saiba que não é. Fantasie junto com seu escravo que ele está totalmente dominado por você e que está em suas mãos. Certamente você estará realizando os seus desejos e os dele também. Não é isso que realmente importa? POIS O QUE É O AMOR SENÃO UMA GRANDE FANTASIA? COM UMA BOA PITADA DE SEXO, É CLARO!!!