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"Something in the way she moves attracts
me like no other lover."
Acho pouco
provável que o George Harrison estivesse pensando
em mulheres de salto alto quando escreveu isso. Mas,
de fato, esta frase define muito bem por onde pretendo
andar para lhes mostrar quais as pulsões que colorem
este fetiche tão popular. No fundo trata-se mesmo
é de movimento: Os movimentos do par de pernas, perfeitamente
apoiado pelos saltos altos. O movimento dos dedos
apertados entre tiras e amarras das sandálias e tamancos.
O movimento silencioso dos arcos dos pés sendo remodelados
para se adaptarem aos pedestais. É disso que estou
falando.
Pés femininos
por si só são atraentes, mas sem dúvida ganham nos
saltos altos um status bastante diferente. O atento
observador de pés femininos certamente concordará
quando procuro mostrar que cada pé tem a sua personalidade.
O formato dos dedos, os cuidados com a pedicure e
a cor (ou a ausência) do esmalte externam uma mensagem
que ainda não conseguimos colocar aqui em palavras,
mas mexem com algumas de nossas mais deliciosas fantasias.
Particularmente,
prefiro as sandálias e os tamancos, que deixam os
dedinhos à mostra. Acho que também eles têm algo a
dizer. Todavia, alguns pares de scarpins jamais serão
superados em termos de beleza e classe. Aproveito
também para, categoricamente, afirmar que saltos altos
só farão alguma diferença nos pés de uma mulher a
partir de 12cm. Experimente olhar sempre para o chão
quando caminhar em algum shopping center, centro de
cidade ou coisa que o valha. Eles estão ali, sempre
ao seu redor. Mas só chamarão a sua atenção quando
tiverem ultrapassado a barreira do cotidiano. Ouso
afirmar que esta barreira seja os 11cm. A partir dali,
fica explicitada a intenção da mulher em ter seus
pés admirados. Ninguém sai com salto 12cm ou 15cm
para enfrentar as correrias do dia a dia a não ser
que considere que os saltos fazem alguma diferença.
É por isso que elas nos chamam atenção. Por trás daquele
pedaço de madeira, acrílico, etc. está uma intenção,
que muitas vezes nem a própria mulher consegue definir.
Não quero ser o sistematizador, o criador de uma hermenêutica
dos saltos altos. Longe disso. Só quero dividir com
vocês uma beleza que percebo ao meu redor.
Olhe para
ela assim. Seu andar fica visivelmente mais arrojado,
seu bumbum sensualmente empinado e seus passos a transforma
numa Rainha. E isso é magnífico. Lembre-se da beleza
que é observar uma mulher caminhando de salto agulha.
Mesmo de longe, o som de seus passos já a destaca
na multidão, no salão, no quarto. Ela se senta e ainda
assim mantém um magnetismo difícil de ser experimentado
em outro lugar: o pé, parado e muito inclinado, de
vez em quando bate o solo, alongando os músculos.
Ela, já de pernas cruzadas, balança o outro no ar
como se estivesse descobrindo nossos mais profundos
segredos e espalhando-os aos sete ventos. "É disso
que você gosta?"
Dangling
é uma beleza. Ela balança o sapato na pontinha do
pé, quase que impaciente por você estar tão louco
por aquilo diante de si. Um pezinho nervosinho e um
sapato que a qualquer momento pode estar tanto emoldurando
o mesmo pé como pode estar ali, caído no chão e deixando
o pé totalmente exposto, escandalosamente exposto.
Pés bem
cuidados são um pressuposto tão importante quanto
carteira de identidade. Gosto de pés sem esmalte.
Gosto de pés com esmalte vermelho, vinho, preto ou
transparente. Lembro de mulheres maravilhosas que
não davam a mínima para seus pés. Normalmente, pés
magníficos escondidos por anos de descuido. E chegava
o dia em que aqueles pés definiriam a mulher que eles
sustentavam. Os dias de festa, onde elas, então, mais
por imposição social do que por própria vontade, buscavam
os sapatos altos e se aventuravam naquele mundo. Confesso
ter visto cenas ridículas como esta muitas vezes.
Elas, desengonçadas, com sapatos sem expressão alguma,
pareciam gritar para todo mundo: "Não se importem
comigo, nem eu o faço".
Isso só
me faz ter ainda mais certeza de que somos diferentes.
Nós, tanto homens como mulheres, que vemos nos saltos
altos uma expressão da própria sexualidade humana,
estamos sempre ali, como sentinelas do bom gosto.
Alguém
já disse que o sapato define a personalidade de uma
pessoa. Não concordo. O que acho é que os sapatos
sem dúvida definem momentos. Se os momentos se repetem,
não sei.
No Brasil,
gosto muito de algumas sandálias e tamancos da Datelli
(principalmente sua coleção para o verão que passou)
e da New Casual. Duas empresas que, notadamente, tentam
colocar as mulheres nas alturas - para delírio da
fervorosa torcida masculina. Fernando Pires: hors
concours.
No exterior,
gostaria de mencionar aquilo que venho percebendo
como sendo a existência de duas escolas bastante diferentes:
a européia e a americana. Nos EUA a gente tem fácil
acesso a centenas de opções de sandálias e tamancos
com plataforma. Lindas, transparentes, saltos finos.
Mas com plataforma - sandálias típicas de strippers.
Não tenho nada contra, mas conheço muitas mulheres
que as consideram vulgares. Uma boa amostra é a Funky
Boutique. Na Europa percebe-se a preocupação com um
design mais, digamos, fetichista. La Piazza é sem
dúvida a maior expressão disso. Sapatos sensacionais
que, tenho certeza, foram desenhados por gente que
pensa como eu: Salto agulha, sapatos envernizados,
couro adaptando-se ao formato do pé. Enfim, estes
são escassos exemplos, eu sei, mas retratam mais ou
menos aquilo que venho percebendo nesses últimos anos
de viagens e observações.
Mas deixe-me
voltar aos fetiches. Tem gente que adora trampling.
Ela, do alto de seus saltos, caminha sobre o nosso
peito, nosso rosto, pisoteia nossas fantasias. É uma
sensação gostosa, mas tende a tornar-se monótona quando
aquele que é pisado se esquece que aquela mulher também
tem seus desejos e fantasias.
Toda relação
egoísta é miserável, pobre. Se eu me dôo, espero não
mais receber em troca, mas ver o prazer do outro.
Adorar pés de mulher em saltos altos não deveria ser
uma satisfação secreta, como aquela do patético adolescente
trancado no banheiro com suas revistas de mulher nua.
Ao contrário, o convite que se faz é de que se celebre
comunhão. O BDSM tem este aspecto que julgo fantástico:
somos cúmplices em nossos desejos, e isto nos dá confiança.
Entramos pela porta dos fundos em nossos relacionamentos
- e é tão lindo aqui atrás, não? Quem ouve com atenção
"Venus in Furs", do antológico álbum "Velvet Underground
and Nico", percebe mais claramente o que estou tentando
dizer.
Bom, acho
que era isso que eu poderia dizer, assim de primeira.
Mulheres,
seus movimentos naturais são maravilhosos. Os saltos
altos as tornam sobre-humanas. E por isso as adoro
assim. São magníficas e sempre existirão. Mas, cuidado:
seus saltos não conseguirão esconder suas fraquezas,
suas limitações. Mas não se preocupem tanto. Isso
a gente só nota quando paramos de babar e começamos
a conversar.
Alguns
de meus links preferidos:
www.wusfeetlinks.com
www.legsworld.de
www.aragornsfeetlinks.com
www.dickievirgin.com
www.dominalist.com
www.funkyboutique.com
www.highheel.ch
www.trentandeve.com
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