PROJETO SADOMA
Clube A Loca - São Paulo
Órion e Liu*
Sábado, dia 21/04/2001. Noite de temperatura
amena e brisa fresca.
Os relógios marcavam cinco pra meia-noite,
as pessoas da cena BDSM paulistana estavam
curiosas e ansiosas pela noite que apenas
começava.
À meia noite, um grupo de pessoas se aglomera
na porta do clube A Loca, uma das casas noturnas
GLS mais cultuadas de São Paulo. Estavam lá
pessoas que conhecemos e que vivem o BDSM
há um bom tempo, outras que não conhecemos
e alguns curiosos.
Na porta do clube, encontramos a Rainha Laura
usando um modelo em látex e couro, mostrando
tudo o que já vimos pela tv, revistas e jornais.
No interior do clube começamos a ver o pessoal
que faz parte do Projeto SADOMA: Dominadoras
exuberantes, um poderoso Dominador, submissas
e submissos bonitos e bem produzidos.
A apreensão toma conta e alguns se perguntam:
O que será que vai acontecer? O som alto de
música eletrônica faz a pista ficar cada vez
mais cheia. Então, a imprensa representada
por duas emissoras de tv: MTV com Max Fivelinha
para o programa Gordo a GO-GO e a Rede TV!
com a Rainha Laura como repórter para o programa
Perfil 2000, surpreende a todos.
Com
os refletores das câmeras ligados, os integrantes
do SADOMA invadem a pista e Anjo SM, um Dominador,
vai até a cabine do DJ e muda a trilha sonora.
Vai começar o desfile de roupas fetichistas.
Sobem ao palco homens e mulheres com máscaras
e sungas em couro, corsellets, botas e etc.
Depois do desfile Anjo SM volta para a pista,
trazendo seu escravo encapuzado, que usava
um tapa sexo em couro e vestes em tecido rústico.
O Mestre monta em seu escravo, usando-o como
pony-boy, forçando suas botas pesadas em seu
corpo, mostrando-nos uma intensa cena de humilhação
e obediência. O escravo é instruído a posicionar-se
embaixo de algemas presas por uma corda no
teto.
Seus
pulsos são presos ao alto nas algemas e a
corda é suspensa, deixando-o em posição de
spanking. Num movimento único, o Dominador
rasga a roupa de seu escravo e o chicote de
tiras começa a marca-lo no corpo levemente
suspenso. Os vergões e os gemidos de dor nos
avisam que aquilo não era teatro. Uma roda
de pessoas se forma para ver o sofrimento,
o prazer e a cumplicidade que ambos estão
sentindo. As algemas são soltas e o escravo
é conduzido até o palco pelo seu Mestre, onde
lhe é servida comida de cachorro e lá ele
é amarrado a uma coluna, ficando de costas
para a platéia. Após mais algumas chicotadas
nas costas a cena termina com o escravo desamarrado,
caído ao chão e com as botas imponentes de
seu Mestre marcando-lhe as costas vermelhas
pela força e poder a que foi submetido. As
câmeras registram tudo e seus repórteres fazem
entrevistas com o público, perguntando o que
estão achando daquilo e quais suas fantasias
e desejos.
O mais interessante é que a movimentação
dos integrantes do SADOMA no palco despertava
no público o desejo de participar. Com isso,
algumas cenas leves e isoladas aconteciam
pela casa sem que nada tivesse sido programado
e com a liberação de um exibicionismo sadio.
Às
3:30h da manhã, Mistress Akacha sobe ao palco
com seu escravo e faz cenas de trampling,
adoração de pés (com lindas botas longas),
dominação e spanking. Tudo muito intenso,
intrigante e excitante. Na cena ela usa seu
escravo como banco e como pony-boy. Mais tarde,
ao subir no lounge encontramos o pessoal do
SADOMA. Lá estavam Mistress Akacha, duas submissas,
dois escravos e algumas Dommes fazendo cenas
com velas.
As coisas aconteciam ao mesmo tempo. No telão
da casa eram exibidos filmes de BDSM e as
pessoas estavam devidamente trajadas criando
todo um clima perfeito para o tema proposto
pelo projeto.
No final da madrugada, tivemos outra cena
com Mistress Akacha e alguns submissos.
Desta
vez ela e seu escravo fizeram uma cena de
pissing, comprovando que ambos sabem o que
fazem e sentem muito prazer nisso.
A proposta dos integrantes do projeto SADOMA
de levar o BDSM para noite paulistana e com
isso desmistifica-lo, está de volta após um
ano sem realizarem os eventos. A apresentação
tem uma imagem de show, mas o que se lê nas
entrelinhas é que o projeto é sério e quer
mostrar uma parte do universo prático do BDSM,
instigando os experientes e incentivando os
novatos. Tudo isso só é possível
porque Mistress Akacha e Anjo SM vivem o BDSM
nas bases do SSC (são, sadio e consensual)
com seus escravos.
A matéria sobre a festa foi tão bem aceita
na MTV, que o casal de dominadores foi convidado
para uma entrevista com o João Gordo em seu
programa Gordo a Go-Go, ocasião em que Mistress
Akacha e Anjo SM assumiram o BDSM de cara
limpa, mostrando ao público que tudo o que
eles fazem é por prazer e o respeito prevalece
sempre.
Para maiores informações sobre o Projeto SADOMA
Anjo SM
anjo_sm@yahoo.com.br