Bordões para a comunidade BDSM/Fetichista
Visão detalhada de uma
técnica eficiente para levar sua mensagem
à mídia
Geralmente, não há um modo sutil de se usar um bordão
(ou uma palavra-chave). Tudo bem, os repórteres estão
acostumados com contra-sensos quando fazem entrevistas.
Qualquer que seja a pergunta, responda com um de nossos
bordões. Repita esses bordões o tempo todo. De uma
entrevista de meia hora, você irá para o ar apenas
uns 10 segundos. Então, não improvise. Continue repetindo
os bordões abaixo, bem como qualquer bordão que sua
organização concorde em oferecer à mídia sobre assuntos
locais. Você não precisa usar todos; às vezes é melhor
escolher alguns e repeti-los de maneiras diferentes.
São, Seguro e Consensual
Este é um "must"! Repita-o todo o tempo, como um mantra.
"Há mais de quinze anos foi estabelecida uma ética
que abrange toda a comunidade, conhecida como 'são,
seguro e consensual'. Esta crença permeou a literatura
e a tradição SM, muito além da subcultura da comunidade
organizada." Ou: "Nós constantemente discutimos temas
de consenso, que são a base de uma educação sexual
sã, segura e consensual."
Se eles querem definições específicas
"Seguro" é ter conhecimento do que se está fazendo.
Cada participante deve estar informado dos possíveis
riscos, mentais e psicológicos. "São" é saber a diferença
entre fantasia e realidade. Um consentimento consciente
não pode ser dado por uma criança, ou se você está
sob influência de drogas ou álcool. "Consensual" é
respeitar os limites que cada participante impôs.
Uma das maneiras mais conhecidas de manter os limites
é o uso da "senha de segurança" - com a qual o bottom/submisso
pode retirar o consenso a qualquer momento, com uma
simples palavra ou gesto.
A necessidade de encontros SM educacionais e sociais
É importante enfatizar as contribuições que nossos
grupos educacionais e sociais fazem para a sociedade.
Nós ensinamos as pessoas a praticarem o SM de maneira
segura e consensual, e isso significa um trabalho
de instrução e discussão na comunidade. Diga: "Nosso
grupo existe há dez anos e é um grupo educacional
e social, que ensina as pessoas a praticarem o SM
segura e consensualmente." Diga: "Nosso grupo é apenas
um de mais de 500 organizações educacionais e sociais
que existem na América para praticantes de SM-Couro-Fetiches."
Ou: "Como as comunidades gays e lésbicas dos anos
60, as pessoas da nossa comunidade se sentem sozinhas
e isoladas. Nós fornecemos um ambiente para eles no
qual possam ter o apoio de seus pares, onde não precisem
se sentir envergonhados ou com medo do que são."
Senhas de segurança (safeword)
Diga: "Senhas de segurança são básicas para atividades
consensuais." Ou: "Os participantes podem parar o
que está acontecendo a qualquer momento, com uma palavra
pré-combinada, ou simplesmente dizendo a palavra 'senha'."
Comunicação e negociação
Diga: "Nós negociamos antes de nos comprometer a práticas
SM ou fetichistas, para termos certeza de que o que
faremos seja bom para ambos." Ou: "Pessoas que praticam
juntas devem aprender a comunicar exatamente o que
querem."
Expressão sexual, sensual e amorosa
Enfatize que o SM é praticado por parceiros amorosos
e comunicativos. É um prazer mútuo para todos os envolvidos.
SM é um estímulo freqüentemente percebido de maneira
sexual. Estímulo é uma ótima palavra para usar - é
clara e não é ameaçadora como "chicotear", "bater",
etc.
Definindo SM, Dominação & Submissão e Bondage
Evite ser uma espécie de "Manual SM" e não dê aulas
de técnica. Os bordões mais eficientes falam de temas
de discriminação e injustiça contra nossas comunidades.
Se perguntarem, "O que, exatamente, é SM?", responda:
"SM é estimulação sensorial, física ou mental, que
é interpretada como prazer". Tente fazer o repórter
escrever SM, e não S&M - isso evoca velhos estereótipos,
e estamos tentando ficar longe deles. S&M é a sigla
para sadismo e masoquismo, enquanto SM significa sadomasoquismo;
as necessidades mútuas e o consenso envolvido são
inerentes à palavra.
Estatísticas de praticantes
De acordo com o Novo Relatório sobre Sexo do Instituto
Kinsey, de 1990, publicado pela St. Martin's Press:
"Pesquisadores estimam que 5 a 10% da população americana
adota práticas sexuais diversas, numa periodicidade
ocasional, com maior incidência de atividades leves
ou apenas representadas, não envolvendo dor ou violência
reais." Isso leva o número de praticantes à casa dos
milhões, com muitos, muitos mais que fazem coisas
como dar mordidas ou segurar firmemente as mãos do
parceiro. Diga: "A maioria é exatamente como nossos
vizinhos, médicos, motoristas de ônibus, ou mesmo
sua irmã ou seu tio. Há provavelmente de 1 a 10 pessoas
em seu escritório que praticam SM como uma forma amorosa
de expressão sexual."
Combata os estereótipos
Diga: "Ao contrário dos estereótipos, há muitas mulheres
que gostam de ser sexualmente dominantes, e muito
mais pessoas que gostam de inverter papéis." Ou: "As
pessoas podem interpretar papéis e experimentar coisas
que normalmente não teriam a oportunidade de fazer
na vida real."
Discriminação e violência
Isto também é extremamente importante, porque as pessoas
não fazem idéia de quanto somos atacados e nos escondemos
no armário por causa de nossa expressão sexual. "Discriminação
e violência acontecem todo dia para pessoas como você
e eu, só porque nos ocupamos de práticas sexuais diferentes
como SM e fetiches. A discriminação vai de pressão
familiar a perda de emprego ou da guarda de filhos."
Ou "A Pesquisa sobre Violência e Discriminação do
NCSF de 1998 descobriu que 1/3 das mais de mil pessoas
entrevistadas sofreram alguma forma de discriminação
ou perseguição - perdendo empregos ou até seus filhos
por causa de mitos e estereótipos do SM." Ou: "De
acordo com a pesquisa do NCSF, 80% das pessoas entrevistadas
escondem sua condição do resto do mundo (estão "trancadas
no armário") por medo de repercussões sérias."
Praticantes de SM não são doentes
Em 1994, a Associação Americana de Psiquiatria mudou
a definição médica do SM no Diagnostic and Statistic
Manual (Manual Diagnóstico e Estatístico), DSM 4,
de modo que não é mais definido automaticamente como
doença mental. Diga: "Enquanto as práticas SM de alguém
não interferirem em sua vida diária, é considerada
uma forma de expressão sexual saudável."
Se sua organização precisa de ajuda para atingir
a mídia, entre contato com Susan Wright, no Programa
de Alcance na Mídia da Coalizão Nacional pela Liberdade
Sexual: ncsfreedom@ncsfreedom.org