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Com o objetivo de contribuir para a Campanha Mundial da Luta contra
a AIDS,
Desejo Secreto publica, a partir desta semana, em três
partes, o artigo de nossa colaboradora, a médica MsKinky, fazendo
um apanhado geral do efeito avassalador do HIV em nossa sociedade
e salientando como as alterações comportamentais do homem podem
deter o avanço desse vírus mortal.

AIDS - nessa luta o homem é fundamental!
1ª Parte

Ms Kinky_MD

       No último 1º de dezembro, Dia Internacional da Luta Contra a AIDS, foi lançada em todo o mundo a campanha deste ano, destinada a frear a disseminação do HIV. O slogan da campanha não deixa dúvidas quanto ao seu enfoque central: "O homem faz toda a diferença!". É um forte apelo aos pais e filhos, irmãos, amigos, maridos e parceiros do mesmo sexo, para que se congreguem num esforço imenso, engajando-se na luta contra a AIDS.


Por que o homem?


       Há uma série de razões para a escolha do homem como centro da campanha, todas elas importantíssimas, a começar pelo fato de que, em todo o mundo, o número de pessoas do sexo masculino que morre por AIDS supera, em muito, a não ser na região do Saara, o número de mulheres. Muito mais alarmante do que isso é saber que uma em cada quatro dessas mortes do sexo masculino - pasmem, caros leitores! - é de um jovem com menos de 25 anos!!!
       Mas estes dados, por si só tão tristes, têm um efeito multiplicador extremamente cruel, cujas razões principais listamos abaixo:
       · No mundo inteiro o homem tem mais parceiros sexuais do que as mulheres, acarretando que um homem HIV positivo, mais do que uma mulher, pode contaminar com o vírus um número maior de pessoas.
       · O HIV é mais facilmente transmitido de um homem para uma mulher do que o contrário.
       · Dentro do universo dos usuários de drogas injetáveis, oitenta por cento (80%) são homens. E partilhar agulhas e seringas entre drogaditivos representa quase 30% dos casos de infecção por HIV.
       · Homens que praticam sexo não protegido, portando não seguro, com homens representam, ainda, a categoria de maior risco de infecção.
       · Tem aumentado o número de homens contaminados por contato heterossexual.
       E, se tudo isso não fosse suficiente - e estamos falando, até agora, de números concretos, indiscutíveis -, existe toda uma cultura estereotipada, comportamental, masculina, que piora estupidamente este cenário.
       Um estereótipo pode ser definido como uma figura mental que, por uma série de razões culturais, torna-se padrão em determinado grupo ou comunidade de pessoas, refletindo o senso comum ali presente. Ele é encontrado em todas as culturas e pode ter um impacto negativo na interação social da vida em grupo.
       Os estereótipos que conformam o comportamento masculino cruzam fronteiras culturais espalhadas por todo o mundo, conduzindo, muito freqüentemente, a um padrão comportamental de maiores riscos não só em termos de doenças sexualmente transmissíveis, mas que, no caso da AIDS, pode ter causas letais.
       A fim de exemplificar a corrosão social causada por tais padrões de comportamento, basta verificar as estatísticas novamente e descobriremos que são os homens - e não as mulheres - aqueles que no mundo inteiro morrem em maior número por acidentes, violência, doenças sexualmente transmissíveis e uso de drogas. E, não bastassem tais constatações, ao adoecer o homem é, em relação às mulheres, comprovadamente menos propenso a procurar serviço médico, tentando negar a própria doença - afinal, homem que é homem não chora e, muito menos, não adoece, não é mesmo?!








       Soluções


       A única maneira de quebrarmos essa corrente mórbida é mudando nossos comportamentos e ajudando a promover novas normas sociais. Sermos agentes multiplicadores de atitudes que poupem vidas. Quebrando códigos de condutas secularmente aceitos, apesar de extremamente nocivos.
       Pensando bem, quem melhor do que nós, BDSMistas, que ousamos assumir e viver a nossa sexualidade de maneira no mínimo "diferente" da experimentada pelo resto da sociedade, para entendermos o caráter imperioso dessas alterações de comportamento e contribuirmos, de todas as maneiras, para que ao menos uma parcela dessas mudanças venha a concretizar-se?


        (Continua na próxima semana...)