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Com o objetivo de contribuir para a Campanha Mundial da Luta contra
a AIDS,
Desejo Secreto publica, a partir desta semana, em três
partes, o artigo de nossa colaboradora, a médica MsKinky, fazendo
um apanhado geral do efeito avassalador do HIV em nossa sociedade
e salientando como as alterações comportamentais do homem podem
deter o avanço desse vírus mortal.

AIDS - nessa luta o homem é fundamental!
3ª Parte

Ms Kinky_MD

 

Promovendo a mudança!


       Como pudemos perceber, lendo os dois primeiros artigos desta série, muitas das normas sociais responsáveis pela definição dos papéis assumidos por homens e mulheres em nossa cultura acabam encorajando comportamentos preconceituosos e, em conseqüência, perigosos, especialmente na área das relações sexuais.
       Trabalhar com homens, mulheres e jovens no sentido de mudar seus comportamentos e suas atitudes é a grande expectativa que existe no sentido de mudar também o curso avassalador da epidemia do HIV.
        Vamos agir, então! Vamos focar nossa atenção no sentido de ajudar a promover uma modificação nos estereótipos de gênero que afetam negativamente homens e mulheres. É uma lista grande, conhecida de todos nós e que precisa ser modificada por se identificar como um grande fator de incentivo ao risco de infecção pelo HIV.

        Como? Ora... QUEBRANDO OS CÓDIGOS DE CONDUTA EXISTENTES!

        Começando pelos meninos, desgraçadamente chamados de "homenzinhos". Willian Pollack, em seu livro Meninos de Verdade, comenta que como resultado das nossas expectativas sobre a conduta de nossos filhos, tratando-os não como crianças e sim como pequenos homens, eles acabam criando uma máscara de masculinidade para preencher um código de conduta não escrito, mas poderoso, e que, ao final, encarcera meninos e homens numa camisa de força de conduta absurdamente rígida e que o senso comum chama de "masculina".
        O desagradável em todo esse processo é que o menino acaba aprendendo e sendo obrigado a copiar um padrão estereotipado daquele tipo "homem de verdade": o que não chora, que guarda seus sentimentos escondidos, que é encorajado a ter atitudes de risco (sob o nome de coragem), encorajado a ser agressivo e, por fim, a ver a agressividade como coisa normal.
       São esses valores perniciosos que devemos, a todo custo, modificar. Meninos serão os homens que ensinarmos a eles. Conversar abertamente sobre os aspectos negativos das nossas tradicionais expectativas em relação a eles pode diminuir bastante a ansiedade, quebrar mitos e concepções erradas, mostrando e reforçando que é não só aceitável, como também desejável, que o menino possa conversar sobre todos os assuntos que lhe digam respeito. Senão por outro motivo, porque exatamente a impossibilidade de poder externar e/ou conversar sobre sentimentos e dúvidas é apontado como o inicio das dificuldades que muitos levam para o resto da vida, impedindo-os de falar abertamente, por exemplo, sobre sexo.
       Diversos estudos mostram que meninos cujos pais passam um modelo mais positivo sobre os papéis do homem e da mulher na sociedade desenvolvem uma visão mais flexível dos valores que envolvem o conceito de masculinidade. Um trabalho americano, realizado com meninos entre 15 e 19 anos, mostrou resultados que vêm de encontro com o que estamos falando. Verificou-se que aqueles que vinham de lares com visão menos estereotipada sobre a "masculinidade" envolviam-se menos em violência, delinqüência, uso de drogas e sexo não protegido do que aqueles com uma visão rígida sobre o que o "verdadeiro" macho deve e pode fazer.
       Vale a pena, então, um mutirão nesse sentido, não é?
       Pais, parentes, professores e quaisquer outros adultos podem ajudar a reforçar os papéis positivos de ambos os sexos na nossa sociedade. Para que ambos tenham uma vida mais saudável, tanto do ponto de vista físico como emocional. Se vencermos essa barreira, tenho certeza de que estaremos infligindo uma grande derrota ao HIV e às milhares de mortes que ele provoca.