Introdução
O HPV - o papilovirus humano - é considerado
a doença sexualmente transmitida (DST) mais comum.
Alguns estudos estimam que a grande maioria da população
sexualmente ativa fica exposta a, pelo menos, um
ou mais tipos de vírus HPV, apesar da maioria das
pessoas não desenvolver quaisquer sintomas.
E exatamente por causa disso, pelo fato
do HPV ser tão comum e prevalente, a pessoa não
precisa, necessariamente, ter vários parceiros para
entrar em contato com o vírus.
Existem quase 100 diferentes tipos de HPV.
Mais de 30 destes tipos são transmitidos sexualmente
e podem infectar a área genital: a pele do pênis,
a vulva, os lábios, o ânus ou os tecidos que cobrem
a vagina e o colo do útero. Alguns destes vírus
são considerados de alto risco e podem causar câncer
de colo de útero, de ânus e de pênis. Outros são
de baixo risco e podem causar verrugas genitais,
também chamadas de condiloma.
Mas, o que é isso?
Condilomas são verrugas que crescem em ambiente
úmido e quente. Os locais mais comuns são, obviamente,
a região genital e o ânus.
O vírus necessita de um tipo especifico
de célula para crescer e faz isso melhor
dentro, por exemplo, do ânus e do colo do
útero, do que no pênis do homem. Daí
o fato de pessoas que nunca mantiveram relações
sexuais com um homem que apresentasse verrugas,
acabem se infectando: esse homem, provavelmente,
carregava o vírus em seu pênis, onde
não se desenvolveu, passando, durante a relação
sexual, ao ânus ou ao colo do útero
de suas(seus) parceiras(os), quando, então,
encontrou um ambiente favorável à
sua proliferação e desenvolvimento.
É importante notar que a verruga
não é o vírus, mas sim uma reação das células à
presença do vírus.
Quais são os sintomas?
O condiloma (verrugas genitais) são indolores
e a única dica que você pode ter é a própria verruga,
que você pode ver e/ou sentir. Mais raramente pode
existir uma irritação de pele ou um prurido local.
O diagnóstico é visual: uma protuberância de aparência
mole, úmida, de cor rosa ou vermelha, às vezes com
a forma de uma couve-flor. As verrugas podem aparecer
algumas semanas após o contato sexual ou muitos
meses depois, o que torna difícil saber quando foi
que a pessoa se contaminou e, eventualmente, em
qual relação sexual, ou seja, com que pareceiro(a).
Como se pega?
O HPV se espalha entre parceiros sexuais
durante contato pele/pele ou pele/mucosa. Não é
necessario haver a penetração para ocorrer contágio
e os preservativos (camisinha) não protegem você
de todo.
Como se previne?
Já falamos que o preservativo não protege
você, pois não cobre a base do pênis, os pelos púbicos
ou o escroto (todos lugares onde o HPV fica escondidinho).
E já sabemos que o contato pele/pele é tudo que
o HPV precisa para contaminar outra pessoa. Lavar-se
com água e sabão depois do sexo reduz suas chancer
de infectar-se.
Como reduzimos os riscos?
1. Basicamente, mantendo relações sexuais
somente com um parceiro que, por sua vez, faça sexo
só com você. Pessoas com muitos parceiros têm mais
chances de infectar-se.
2. Não tendo sexo com pessoas que apresentem
qualquer tipo de ferimento, inflamação e/ou tumoração
visível em região genital ou anal.
3. Preservativos usados do começo ao fim
ajudam mais do que preservativos usados só no momento
da penetração.
4. Geléias e espumas espermicidas NÃO funcionam
contra o vírus do HPV, mas ajudam contra outras
DSTs.
Qual a relação do HPV e o câncer de útero?
Alguns tipos de HPV - os chamados de alto
risco - podem provocar modificações (deformações)
nas células em que se encontram, quando estas forem
do colo do útero de uma mulher, por exemplo. Esta
modificação celular é chamada de displasia e pode
ser uma lesão pré cancerosa.
Este é um diagnóstico feito somente através
de um exame chamado esfregaço de Papanicolau
e faz parte das ferramentas que devemos usar para
a prevenção e/ou diagnóstico precoce de câncer de
útero.
É bom que deixemos claro que ter uma displasia
de colo de útero não significa que a mulher vai
desenvolver, necessariamnete, um câncer. Significa,
isso sim, que foram encontradas anormalidades que
devem ser monitoradas com freqüência. Mais: a maioria
das mulheres portadoras de displasia de colo de
útero não desenvolve câncer de útero.
Na grande maioria das vezes, mesmo tendo
um vírus do tipo alto risco, o homem não terá sua
saúde arriscada. É o colo do útero da mulher que
deve ser monitorado!
Qual o tratamento que existe?
Não existe cura para o HPV. Existe tratamento
para as verrugas, mas a reincidência é alta, tanto
no tratamento tópico como no cirúrgico (remoção)
ou como na imunoterapia.
Nos casos de displasia cervical o principal
é o monitoramento continuo da evolução da displasia
e, conforme o caso, existe a indicação de crioterapia,
retirada cirúrgica ou lazer.
Lembretes para os homens
Mais da metade dos homens que se relacionam
sexualmente com homens (MSM) são portadores do HPV
em seu canal anal. Condilomas no interior do ânus
podem ser perigosos como lesões pré-cancerosas.
Não adianta tratar somente as verrugas ao redor
do ânus. Tem que haver um exame interno!
Lembretes para as mulheres
Está bem documentado o fato de que a maioria
das mulheres contrai o HPV antes de seu terceiro
intercurso sexual! Essa é a notícia ruim.
A notícia boa é que a maioria das mulheres
consegue "limpar" seu organismo deste vírus por
uma resposta especifica e imunológica do seu próprio
organismo.
Mulheres infectadas estão na população de
maior risco para desenvolver câncer de útero.
Lembretes ao imunocomprometidos
Homens com HIV (e, em menor número, mulheres
com HIV) têm uma maior incidência de HPV, além de
maior incidência de lesões pré-cancerosas e/ou cancerosas.
Prevalência
Mais de 60% dos homens sem HIV e 90% dos
homens com HIV estão infectados pelo HPV em seu
canal anal. Mais de 24 milhões de americanos são
portadores do HPV e existem, aproximadamente, um
milhão (1.000.000) de casos novos por ano!
(*) Se você tem dúvidas sobre este assunto ou
sobre outros temas relacionados a sua saúde sexual,
escreva para mskinky_md@desejosecreto.com.br