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A GUERRA BIOLÓGICA
Ms Kinky_MD(*)


       
        O bioterrorismo já está entre nós. Matando e destruindo, impunemente, a vida de homens, mulheres e crianças. Seu número de vítimas é crescente. Sua atuação é tão silenciosa quanto fatal. Ele ataca de forma covarde e sem aviso, e só se revela depois de ter infectado suas vítimas.
        O agente da matança não defende ideologias, nem luta por coisa alguma. Não escolhe, nem seleciona previamente quem vai atacar. Não se incomoda com implicações morais, políticas ou econômicas. Não pondera e não tem limites.
        Seu único interesse é se disseminar pelo mundo todo, qualquer que seja a fé, a crença ou as idéias de onde ataca. É absolutamente amoral - sua única justificativa é a sua própria existência. Ninguém, em parte alguma do planeta, está a salvo dele.
        Ele não chega em envelopes, nem explode como bombas; nem é aspergido sobre populações. Ele chega da forma mais traiçoeira, mais sutil e inevitável: através do contato entre os próprios seres humanos; e, pior, de seres humanos atraídos uns pelos outros.
        Este terrorista atua há anos no mundo e é caçado e combatido por praticamente todos os países. E mesmo assim continua impune, agindo da mesma forma que sempre.
        Ninguém consegue eliminá-lo. O seu nome não figura entre os mais procurados do FBI, nem há uma recompensa por sua captura ou morte. E, no entanto, todos os habitantes do planeta já ouviram falar dele.
        Seu nome é HIV/AIDS. A forma de ataque, a relação sexual sem precauções. As vítimas em potencial, todos nós. O único meio de combatê-lo: a consciência dos riscos que assumimos (ou deixamos de assumir) por nossa própria vontade.
        Esta é uma guerra individual, antes de qualquer outra coisa. Depende de cada pessoa vencê-la. Nenhuma campanha, nenhuma manifestação, nenhuma lei será capaz de substituir a consciência de que a Aids existe, é real e está à espreita.
        E este inimigo não perdoa: o primeiro descuido pode ser o único que ele precisa para destruir a nossa vida. É um inimigo extremamente eficiente e só pode ser combatido se também formos igualmente eficientes. As armas não são cheias de recursos tecnológicos. Ao contrário, são bem simples; como a camisinha, por exemplo. Mas são eficientes e baratas. E, ainda assim, o inimigo persiste, se espalha, aumenta seu número.
        Por quê? Porque nós sempre achamos que jamais acontecerá conosco. Nos achamos sempre melhores do que as vítimas. Nós não somos homossexuais. Nós não tomamos drogas. Nós não temos dezenas de parceiros. Nós somos imunes a esse tipo de contágio...
        Pois é exatamente esse erro de interpretação que vem custando tantas vidas. Nenhuma das justificativas acima é válida em si mesma para nos colocar além do alcance deste inimigo. Heterossexuais se contaminam e se contaminam muito mais que homossexuais (70% das infecções ocorrem por contato homem/mulher). Não usuários de drogas também se contaminam. E não é preciso uma dezena de parceiros sexuais diferentes para que isso aconteça - basta um único que já esteja contaminado.
        Você pode responder por você mesmo, mas jamais pelo seu parceiro ou parceira.
        A guerra está em andamento. As alternativas são claras e simples: viver ou morrer. A escolha é toda sua. E o preço da escolha é apenas o de usar aquilo que dizem nos diferenciar dos outros animais: a inteligência. Que o próprio vírus não tem.




(*) Se você tem dúvidas sobre este assunto ou sobre outros temas relacionados a sua saúde sexual, escreva para mskinky_md@desejosecreto.com.br