Uma
pequena introdução:
É redundante falar-se na ampliação
de horizontes provocada pela internet, e quanto
isso contribuiu para a divulgação
do BDSM. Antes restrito a círculos de amigos
iniciados e literatura muito pouco divulgada,
as informações florescem em quantidades
enormes, dando oportunidade para aqueles que,
procurando e pesquisando, descubram-se e identifiquem-se
com algum aspecto do estilo de vida BDSM, seja
como submissos ou como dominadores, ou como switchers,
por que não ?
As quantidades enormes dessas mesmas informações,
via de regra, descambam para o que alguns especialistas
apontam como um dos efeitos colaterais da sociedade
baseada em informação, o chamado
efeito "overnewest" - o excesso de novidades
- que provocam paradoxalmente um resultado inverso
ao desejado, causando mais confusão que
esclarecimento.
A origem deste trabalho tem por finalidade organizar,
sem ser chato, algumas dessas informações
concernentes à segurança em bondage
em forma de tópicos que serão desenvolvidos
sem, no entanto, se arvorar de tratado de segurança,
já que muitos desses itens foram simplesmente
compilados da internet e outros surgiram de bate
papos e troca de experiências entre os amigos
do nosso grupo de bondage.
Espero que gostem.
O assunto é vasto e é sempre útil
usar-se o bom senso - aliás, como em qualquer
prática BDSM - e o Dom deve sempre chamar
para si a responsabilidade de se antecipar ao
que pode acontecer de imprevisto durante uma sessão
e estar sempre preparado para agir de forma rápida
e segura para a submissa.
Esteja atento e concentre-se naquilo que esteja
fazendo.
Constantemente confira a tensão das cordas.
Tenha certeza que você pode inserir seus
dedos confortavelmente entre as cordas e o corpo
da submissa. Fale com sua escrava durante a cena,
principalmente quando ela tentar mover-se ou alterar
a posição em que foi imobilizada.
Só utilize nós
os quais você já tenha praticado.
No bondage com cordas a idéia é
usar nós seguros, que não correm
e não apertarão as laçadas
quando tracionados, impedindo a circulação,
e firmes o suficiente para que não se desatem
durante a cena, provocando quedas.
Não use as cordas ou qualquer
outro objeto como tiras ou correntes para atingir
uma postura.
Não force a submissa em uma posição
que ela não consegue atingir e se manter
por algum tempo.
Use cordas limpas.
Durante a cena, dependendo do desenrolar, as cordas
poderão ser molhadas, untadas pelo uso
de óleo de massagem, creme, fluidos corpóreos,
etc. Lave suas cordas depois de cada sessão.
Se você tiver dúvidas sobre a condição
de limpeza de um trecho de corda mesmo após
a lavagem, substitua o comprimento inteiro. Se
você tem mais de uma parceira ou pratica
BDSM em um grupo, tenha um jogo de cordas diferentes
para cada uma das escravas. Isto se aplica também
a todos os "sex-toys" e acessórios.
Execute o que você sabe.
Planeje suas sessões de bondage, pratique
idéias novas e nós em você
mesmo ou em um travesseiro.
Evite colocar cordas pela frente
ou ao redor do pescoço.
Apenas porque é perigoso... não
caia na tentação de simular um enforcamento
erótico, como em alguns vídeos;
lembre-se que aquilo tudo é encenação.
Não faça nós diretamente
em cima da espinha.
Até mesmo em uma corda macia, quando é
feito um nó o resultado é um "botão"
duro. Isto pode causar dano se a escrava estiver
deitada de costas ou mesmo cair.
Marcas de corda e queimaduras.
Cordas deixam uma marca muito característica
na pele. Algumas cordas marcam mais que outras,
assim com há pessoas que têm a pele
mais sensível que outras. Se for o caso,
é melhor cobrir ou acolchoar as áreas
que você deseja proteger.
Mantenha o local da cena organizado.
Além do aspecto estético, também
é muito prático se você tiver
que cortar a corda e livrar alguém com
pressa, não perdendo tempo em cortar um
conjunto de cordas emaranhado.
Tesouras e facas.
Nenhuma sessão de bondage que usa cordas
deveria começar sem elas. Use de preferÊncia
tesouras sem ponta e tenha cuidado ao manusear
facas ou canivetes.
Safewords.
São palavras ou ações que
indicam que a cena tem que parar. Dê preferência
a palavras ou gestos os mais simples possíveis.
Tenha certeza de que a escrava terá como
dizer a palavra ou usar os gestos combinados a
qualquer momento.
Nunca deixe a pessoa amarrada
sozinha.
No máximo, fique em um quarto ao lado e
preste atenção a ruídos de
respiração afetada. A pessoa amordaçada
pode engasgar com a própria saliva, nunca
deixe a cabeça mais baixa que o corpo.
Suspensões, um item mais
complexo.
Só pratique suspensões se já
tiver aprendido tudo sobre essa prática
e se já tiver executado com a supervisão
de alguém que já saiba fazê-lo.
Extremo cuidado deve ser observado se a suspensão
for executada com a cabeça para baixo,
por motivos óbvios. A capacidade que as
cordas devem ter para suportar esforços
de tração deve ser, no mínimo,
de 5 vezes o peso da pessoa. Assim, para uma pessoa
de 60 kg a capacidade da corda deve ser de 300
kg.
Nunca suspenda usando algemas, pois podem provocar
lesões sérias nos pulsos.
Comece praticando com cordas
de diâmetro maior
Boas opções são as de 6,
8 ou 10 mm. Cordas muito finas podem machucar
e deixam sinais que demoram a sair. Os materiais
podem ser algodão para marcas que saem
logo; juta, que é usada em Shibari, ou
polipropileno, e nunca as de nylon do tipo "cordinha
de varal".