Para
entendermos o shibari - ou bondage japonês
- é importante entender, antes de mais
nada, a maneira japonesa de pensar e quais os
objetivos que os amantes dessa arte esperam
alcançar. 
Na
cultura japonesa, o grupo é sempre
mais importante do que os indivíduos
que constituem esse grupo. Neste caso, o grupo
é você e sua parceira; e o bondage
é o resultado de um esforço conjunto
desse grupo. O sucesso de um bondage
é determinado pelo valor que os parceiros
colocam nesse ato. É a habilidade, o
conhecimento e a técnica do amarrador
unidos à capacidade da(o) parceira(o)
de enfrentar, suportar e lidar com as amarras.
Os
efeitos psicológicos do bondage japonês
são incríveis. Não somente
sua(seu) parceira(o) sentir-se-á totalmente
exposta(o), à sua mercê, mas também
estará constantemente - e de maneira
crescente - excitada pelo efeitos eróticos
das cordas. Isso é maravilhoso e, ao
mesmo tempo, embaraçoso, porque além
de sua parceira não ter como controlar
essa sensação de excitação
crescente, também sabe que isso não
é o suficiente para satisfazê-la
e vai acabar pedindo - e muito provavelmente
implorando! - por mais.
Interessante,
não?
E
como você pode, muito facilmente, usar
o shibari básico em qualquer situação,
inclusive na rua, as oportunidades
deste
jogo aumentam de maneira incrível. Estonteante,
seria uma palavra adequada, não?
Uma
outra característica interessante do
shibari é que a corda, ao contrário
do couro ou das algemas de metal, sempre deixará
sua parceira com a idéia de que poderá
escapar. Contudo, se o seu bondage for bom,
ela poderá se debater, mas não
vai conseguir escapar. Mas sempre tentará.
Isso deixa a maioria das mulheres brigando com
a questão de submeter-se de vez (frustrante)
ou colocar mais esforço ainda para livrar-se
das cordas. Com um detalhe: quanto mais se debater,
maior será a estimulação
erótica a que estará submetida.
Existe
no shibari, uma integração
complexa de vários objetivos: a imobilidade,
a instabilidade, a exposição,
a dor, o desconforto, a humilhação,
a incerteza e a estimulação erótica
sem alívio.
Óbvio
que nem todas as cenas de bondage conseguem
combinar todos esses estímulos ao mesmo
tempo. Mas todo bondage tem, sempre, a combinação
de dois ou mais desses elementos.
Não
é para menos que, de uma maneira geral,
o bondage é, disparado, a prática
com maior número de amantes dentro do
universo bdsm.
No
Japão, o shibari tem um sucesso
imenso. Existem literalmente centenas
de
publicações de todo o tipo: revistas
semanais, livros, filmes, exposições
de fotos em galerias de arte e programações
ao vivo. E por programação ao
vivo entenda-se tanto locais de encontro como
exposições com modelos ao vivo.
Que pagam para serem amarradas(os) por mestres
do shibari. E não é barato!
Mas,
é claro, para a boa prática do
bondage é necessário treino, treino,
e treino. De quem amarra e de quem é
amarrado.
A
pessoa envolvida no papel receptivo (passivo,
botton, submisso, escravo) deve ter noção
do que é estar imobilizada, do que é
estar exposta, do estar sem defesa, saber negociar,
ter muito respeito próprio, confiança
no parceiro, e ambos precisam aprender a se
entenderem da maneira mais completa possível.
Mas
o parceiro ativo (dominador, top, mestre) também
tem muito a aprender e treinar. Precisa ter
uma personalidade balanceada e ser capaz de
abrir mão de suas motivações
pessoais em favor do esforço do "grupo".
Apesar de estar no papel ativo e de ser líder
do, digamos , time, e líder na ação,
ele tem que entender que só existe liderança
se houver alguém para ser liderado. Time
é isso. Grupo é isso.
Este
treino é, por si só, um dos aspectos
mais importantes e chamativos
do
bondage japonês. Treinando juntos para
conseguir seus objetivos, o que pode demorar
anos, é mais um motivo de prazer para
os parceiros envolvidos neste processo. Porque
é um processo contínuo de aprendizado
e melhora. O shibari diz respeito a encontrar
um equilíbrio, encontrando o optimum
entre os parceiros, não o maximum.
Nunca esquecendo que o perfeito equilíbrio
entre parceiros, o optimum, na maneira
japonesa de pensar, é o máximo!