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A COMPRA DE ACESSÓRIOS E EQUIPAMENTOS EM SEX-SHOPS:
CUIDADOS E PRECAUÇÕES

Parte 1
Senhor Carlos

 

O que me motivou a escrever este pequeno artigo, foi a atestada baixa qualidade da maioria dos equipamentos eróticos atualmente vendidos nos "sex-shops" da cidade.

Isso não é um problema apenas no Brasil, uma vez que a maioria dos produtos é importada e os nacionais igualmente não primam pela qualidade. Como dificilmente causas envolvendo este tipo de produto chegam à justiça, o comércio de produtos defeituosos e/ou de má qualidade continua intenso. Apenas para consolo dos brasileiros, nos "sex-shops" que visitei pelo mundo, também notei esta generalização de "falta de qualidade" (embora existam linhas produtos de melhor qualidade e preços mais elevados que não estão vindo para o País, em razão da instabilidade cambial, etc)

Deixando de lado as críticas, pretende-se fazer uma abordagem prática, para que usuários destes produtos não "queimem dinheiro", comprando equipamentos que depois se mostram pouco funcionais.


Escolhendo entre "dildos" e "plugues".

Como distinguir


A diferença entre um "dildo" (consolo) e um "plugue" é bastante grande. Os "dildos" são projetados basicamente para inserção vaginal e portanto, possuem um formato anatômico mais semelhante a um pênis (cilíndrico e comprido, com variações). As estrias são geralmente mais acentuadas, pelo fato dos tecidos a ficarem em contato ao "dildo" serem sensualmente sensíveis ao estímulo vibratório. Podem ser feitos em plástico ABS (liso e opaco/transparente) ou em variações de borracha de silicone (em Amsterdam vi de madeira torneada, que sinceramente não aconselho).

Os "plugues", por sua vez foram concebidos principalmente para inserção anal (masculina ou feminina). Possuem um acabamento normalmente mais "liso", são mais curtos e possuem um formato semicônico peculiar. Se devidamente inseridos, permitem estimulação da base da bexiga, próstata (caso dos homens) e cólon do útero (caso das mulheres). A remoção posterior geralmente é feita com facilidade e como possuem uma base larga (que jamais deve ser inserida), não possuem o risco de "entalar", como garrafas, etc. Normalmente "assentam" em uma posição que permite ao usuário "segurar" o plugue, comprimindo o esfíncter (alguns homens costumam usar um "plug" anal durante a prática sexual). São normalmente feitos em borracha de silicone, mas podem ser encontrados também em metal (alumínio anodizado), em diversos tamanhos.


Escolhendo a finalidade

Claro que o fato do "desenho" ser "peculiar" não impede que "dildos" sejam utilizados por via anal ou "plugues" em via vaginal. Mas não se aconselha que um mesmo "acessório" seja compartilhado nos dois fins: as borrachas de silicone são porosas e a higienização deste tipo de acessório jamais será perfeita. Portanto, ao adquirir um "dildo" ou "plugue", escolha sua "finalidade" definitiva e não a altere, principalmente se inserido primeiramente por via anal.

Uma vez definida a finalidade do "acessório" em questão, convém ter em mente alguns fatores relevantes: formato, diâmetro, material, etc. É comum ver pessoas entrarem em "sex-shops" e ficarem completamente desnorteadas em meio a um mundo de acessórios tão diversificados. Antes de pedir para testar todos os tipos de aparelhos, tente mentalizar onde será utilizado e qual a sensação que se deseja obter. Se for utilizar em si, lembre-se das suas próprias "dimensões" ou corre o risco de adquirir um equipamento completamente inútil!

Se for presentear alguém, isto se torna ainda mais crítico: a maioria dos "acessórios" possui dimensões acima daquelas que se poderia considerar "adequadas" e serve mais para impressionar o presenteado do que para o uso, principalmente de iniciantes. Lembre-se que um "dildo" de borracha certamente não acomodará tão facilmente como um pênis de verdade, das mesmas dimensões. Tenha isso em mente antes de sair comprando...

Por fim, seja criativo! Não é necessário se fiar plenamente nas finalidades expostas nas embalagens para adquirir equipamentos em "sex-shops" (os "dildos" de um modo geral são muito bons para estimulação peniana - coisa que pouca gente sabe. fui informado também que alguns "G-reacher" podem ser utilizados para "massagem prostática" - quem diria? Mas não tenho certeza do resultado...) Não aconselho que proceda a modificações "gratuitas" por sua conta e risco nos "aparelhos", por mais engenhosa que possa parecer...


Defeitos de injeção e projetos esdrúxulos

É comum os "acessórios" virem com rebarbas, farpas, bicos de injeção, etc. Verifique cautelosamente se não é o caso; uma rebarba de plástico pode fazer um estrago tão grande como um bom bisturi...

Descobri em alguns "acessórios" injetados, "buracos" no silicone. Isso quer dizer que ao invés da superfície ser perfeitamente lisa, possuía reentrâncias que permitiam reter matéria orgânica/fluidos (o aparelho não foi tirado de venda!). Notei que este tipo de defeito é bastante freqüente, principalmente em peças de silicone. Se for o caso, não adquira um produto defeituoso...

Outro defeito bastante comum são soldas do plástico/borracha mal feitas. Neste caso, além das rebarbas, há o problema de entrar água/fluidos/matéria orgânica, contaminando o aparelho. De uma maneira geral, o ideal é que o aparelho seja completamente estanque. Os melhores possuem um "o-ring" (um anelzinho de borracha) na rosca da tampa do "holder" de pilhas, que dá uma vedação muito boa. Portanto, prefira aparelhos que tenham "o-ring".

Desconfie também de "projetos fantásticos": o que o fabricante informa na embalagem nem sempre é verdadeiro... Desconfie também daquelas informações tipo "projeto revolucionário aprovado por 500 mulheres". (comprei um "G-reacher" que realmente não pode alcançar o tão falado "ponto-g" de mulher alguma: o aparelho ao ser inserido "vira de lado" e o "magnífico acessório" fica sempre fora de posição...).

Mas há de fato bons projetos: alguns possuem "duplo vib", um vaginal outro clitoriano, etc. No exterior, há aparelhos disponíveis com "timer", controle remoto, etc. Alguns possuem inclusive comando de "vib" computadorizado, variando a freqüência, pulsando, etc. Infelizmente com disse, a maioria não chega no Brasil...


Escolhendo o acabamento

Higienizar um "acessório" de plástico ABS é bastante fácil: basta um pouco de água morna e espuma de sabonete neutro, sem imergí-lo totalmente na água. Não molhe a tampinha de trás, onde está o potenciômetro, pois este é muito sensível à umidade. Se tiver "vib" e entrar água por ter sido submergido, poderá danificar o motor ou o potenciômetro (como a higienização é complicada, não se aconselha repartir "dildos" ou "plugues" com parceiros). Pessoalmente, não gosto muito da sensação de contato do ABS (plástico duro), principalmente diretamente sobre os genitais. Para inserção anal, ainda são os mais aconselháveis, pelo motivo da fácil higienização.

Já os acessórios com acabamento em borracha de silicone ou análogo, são mais difíceis de serem higienizados: a superfície é um tanto porosa, retendo partículas de fluidos/matéria orgânica. A sensação de contato, no entanto, é mais próxima à da pele humana, tornando-os bem mais "agraváveis". Uma solução para a higienização é adquirir acessórios deste tipo em que a borracha de silicone seja destacável (há vários no mercado). A borracha pode ser totalmente imersa em água com um pouco de solução bactericida à base de amoníaco ("pato purific") por meia hora e depois lavada em água corrente com sabonete neutro.

Depois de lavado em água corrente, deixar secar naturalmente na sombra, sobre uma toalha limpa e macia antes de guardar. Aconselha-se sempre a lavar os equipamentos com água e sabonete neutro antes do uso. Se tiver "vib", deixe-o após ter sido lavado, ligado por uns 15 minutos sobre a toalha. Isso evitará que o motorzinho, se tiver recebido gotículas d'água durante a lavagem, oxide, travando e perdendo-se para sempre o "equipamento" (nenhuma loja irá substituí-lo por um novo...)

Observação: nunca desmonte o aparelho para lavar sua parte interna: você poderá estar molhando o motorzinho do "vib", o potenciômetro e o "holder" de pilhas e ele nunca mais irá funcionar...


Vibradores, etc

A maioria dos acessórios eróticos possui dentro dele, um vibrador encapsulado, movido de uma a quatro pilhas de 1,5V. O sistema de vibração funciona da seguinte maneira: as pilhas fornecem energia a um motorzinho de corrente contínua (parecido com aqueles que existem em brinquedos para crianças), que irá girar. No eixo deste motorzinho, existe uma pequena massa descentralizada que ao ser impressa a rotação, causará trepidação (mais ou menos como uma roda de automóvel desbalanceada).

Um outro sistema de "vib" é por "indução eletromagnética". Este é mais usado naqueles massageadores musculares, que são ligados à tensão de 127V. Nestes, não há parte móvel. Existe uma espécie de bobina, enrolada na forma de um transformador. Ao ser carregada com uma tensão oscilante, fará oscilar um "induzido" de ferro, que produz as vibrações. São aparelhos bem maiores e como dependem de uma fonte de energia AC (corrente contínua), não existem nas versões para "estimulação erótica" (embora alguns destes aparelhos possuam acessórios adaptáveis "interessantes")...

Se for comprar um equipamento com "vibro", verifique cautelosamente se o motorzinho está funcionando adequadamente. As lojas de "sex-shop" não trocam equipamentos defeituosos e a maioria dos "acessórios" é feito na China, com baixo ou nenhum controle de qualidade. Os motorzinhos utilizados são os mais baratos que existem em produção (até agora não encontrei nenhum que utilizasse motores de melhor qualidade).

Verifique principalmente o funcionamento do potenciômetro. O potenciômetro é um resistor colocado em série, rotativo (montado na parte de trás do aparelho) ou translativo (montado no "holder" das pilhas), que permite "variar a velocidade" do motorzinho, implicando em sensações de vibração diferentes. Se for montado no "holder" das pilhas, pode-se depois de ajustar o aparelho ao usuário, ir "variando repentinamente" a velocidade, criando-se assim, sensações pulsativas interessantes...

Muitas vezes, é exatamente o potenciômetro que vem defeituoso, principalmente os translativos (sobe-desce). O vendedor provavelmente irá colocar pilhas no "acessório" e lhe mostrar na mão que "está funcionando". A maior parte das pessoas se contenta com isso e "fecha o negócio" (normalmente estão tensos demais exatamente por estarem dentro de um "sex-shop", para pensarem adequadamente).

Ao invés disso, pegue um pouco o aparelho na mão e sinta por um instante se a vibração é realmente agradável: não se apresse em comprar... Depois vá variando a velocidade do "zero" ao "máximo" e retornando ao "zero" e verifique se a mudança é constante. Se a transição não for suave, provavelmente o potenciômetro está com defeito... Aliás, ficar tenso por se estar adentrando um "sex-shop" no fundo é uma imensa besteira: quem me dera ver chegar o dia em que as pessoas adentrarem estas lojas como o fazem num supermercado ou numa loja de roupas...

Dica: se o aparelho for "encapsulado", verifique se não há orifícios abertos na saída do fio (vibradores tipo "bullet" - as pilhas ficam num "holder" à parte e o "vib" tem o formato aproximado de uma grande cápsula de medicamento). Caso exista algum orifício, o aparelho não poderá ser usado para inserção anal/vaginal. Diga o que quiser o fabricante na embalagem: os fluidos penetram através do orifício deixado para a passagem do fio, "contaminando" internamente o aparelho.
Além de não poder ser higienizado adequadamente (se imerso na água, provavelmente nunca mais voltará a funcionar), os próprios fluidos que penetrarem na cápsula causarão com o tempo, oxidação do motorzinho, que irá parar de uma hora para outra...

Uma solução para os "bullet" (que aliás, são bastante divertidos) é comprar uma bisnaga de silicone em uma loja de material de construção (de preferência, marcas conhecidas) e vedar a saída do fio com silicone. Pode-se também aplicar silicone sobre o "bullet", revestindo-o com uma camada que irá propiciar um melhor contato físico. Se fizer isso, para obter uma camada "lisa", aplique por cima um filme de PVC tipo "perfex", com o material recém-aplicado (demanda certa habilidade manual). E não se esqueça: deverá deixar a borracha de silicone "curar" por aproximadamente 48 horas antes do uso, pois o solvente é ácido acético que é muito irritante...

(Alguns usuários também tiveram a idéia de utilizar "bullets" inseridos em uma dessas "camisinhas de dedo", que é uma idéia interessante; ou cortando-se o dedão de uma luva cirúrgica, para que possa ser "encapsulado com borracha".)

Aguarde a segunda parte : Chegando em casa !