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A COMPRA DE ACESSÓRIOS E EQUIPAMENTOS EM SEX-SHOPS:
CUIDADOS E PRECAUÇÕES

Parte 2
Senhor Carlos

 

 

Chegando em casa

Com o aparelho recém-adquirido, lave o aparelho com água corrente morna e sabonete neutro, seque-o externamente com uma toalha, coloque pilhas novas, teste-o contra a sua mão. Antes de tentar utilizar qualquer equipamento BDSM, você deverá conhecê-lo muito bem, estar familiarizado com seu funcionamento, com suas peculiaridades. Com isso, poderá evitar muitos acidentes por mau uso...

Depois disso, deixe-o funcionando por aproximadamente 1 hora a uma velocidade "mediana". De vez em quando, varie a velocidade, suavemente do "mínimo" ao "máximo". Com isso, estará "amaciando" o motorzinho que vem dentro do aparelho. Como um motor de automóvel, só que muito mais simplório, o motorzinho dos "vibs" também precisa ser "amaciado". Pouca gente sabe disso, mas farpas, defeitos de fabricação, irregularidades irão ser "desgastados" com essa operação simples e o funcionamento do aparelho irá ficar mais "macio"...

Se for usar em alguém, estude antes como irá fazer isso. Ensaie, perceba as dimensões reais do equipamento, pois "na hora-H" isso será realmente muito mais difícil...


Por fim... o lubrificante!

Nunca utilize "dildos" ou "butts" sem uma generosa lubrificação: normalmente por via vaginal, no sexo "natural" nosso organismo se encarrega de fazer isso de uma maneira bastante eficiente (pessoalmente, assim mesmo eu costumo complementar a lubrificação com uma pequena dose de KY).

No entanto, os "dildos" e "butts" não são "autolubrificantes" e a inserção de um acessório destes sem lubrificação não é prática BDSM - é insanidade! Pode provocar ruptura dos tecidos, com conseqüências gravíssimas à saúde (consulte um médico a respeito). Lubrificantes à base de petróleo (óleo mineral, vaselina, etc..) não são adequados, pois não são solúveis em água, não podem ser removidos com facilidade e destroem as partes de borracha do equipamento e preservativos de borracha.

Existem algumas receitas de "lubrificantes caseiros", mas considero o mais adequado ainda o velho e bom KY, da Johnson. Sim, na farmácia da esquina tem! (já vejo até nas gôndolas do Pão de Açúcar, junto com cosméticos – não é nenhuma vergonha comprar e tem pessoas que necessitam dele, mesmo se não estiverem praticando sexo...) Experimentei certa feita um da Preserv, que é mais difícil de encontrar e com bons resultados (a lubrificação me pareceu mais durável). Existe também KY em líquido, que ainda não experimentei.

Não recomendo aqueles lubrificantes comercializados em "sex-shops": não sabemos em quais condições foram transportados até o Brasil, nem ao certo a formulação contida. Tenha em mente que algumas pessoas são muito sensíveis e eu, por exemplo, sou muito alérgico – e não sou exceção na população brasileira. Jamais se deve usar "lubrificante com anestésico" para prática anal, pois se pode estar mascarando danos reais e graves aos tecidos, que ao cessar o "efeito anestésico", irão ficar evidentes... Lubrificantes vaginais com "aquecimento" ou penianos com "excitante", aconselho a correr destes produtos!

Lembre-se que o KY "vence" depois de um tempo: se for abrir a embalagem e ao invés de gel, se apresentar como líquido, está vencido e deve ser descartado. Pode ser usado normalmente com preservativos de borracha; não tem odor e praticamente não tem gosto (embora acredite que não deve ser ingerido - não encontrei indicações a respeito na bula, que não é lá muito "kinky"...).

Usando aparelhos.

Cuidado! Aparelhos para inserção anal/vaginal podem provocar muito mais estragos do que imagina! Portanto, use com cautela, considerando que irá inserir algo em regiões muito sensíveis do corpo humano. Lembre-se também que os aparelhos devem ser guardados sem pilha e cuidadosamente lavados antes e depois do uso...

Dicas para inserção. Se for inserir um "dildo" via vaginal, antes de iniciar a inserção propriamente dita, teste antes o aparelho, escolhendo a velocidade desejada (dificilmente poderá alterar isso posteriormente). Lubrifique com abundância a extremidade do aparelho e aplique-o suavemente sobre a vulva, clitóris, etc.. Não tenha pressa... Algumas mulheres preferem gozar com "dildos" apenas na estimulação clitoriana. Você terá que descobrir o caso..

Se este for o caso, continue a fazer movimentos circulares na região do clitóris, exercendo ligeira pressão constante. Quando perceber que começou a gozar, encoste a superfície do "dildo" ao longo da vulva (mantendo a extremidade sobre o clitóris), de maneira a estimular externamente também os grandes lábios. Enquanto estiver gozando, mantenha o "dildo" parado nesta posição. À menção de "retirar", cesse o contato imediatamente e isso poderá acontecer "de uma hora para outra". Não tente fazer sexo logo em seguida a uma prática desta natureza... (se fizer bem feito, a pessoa fica como que "exaurida").

Se não "resolveu parar" na estimulação clitoriana, agora "vá descendo" o aparelho, até encontrar os grandes lábios. Provavelmente, nessa altura, terá que reforçar a lubrificação do aparelho - sempre aplique o KY sobre o aparelho, não sobre as partes íntimas, pois o contato "frio" é fortemente desestimulante... Vá fazendo movimentos ligeiramente circulares, até que comece a observar o aparecimento dos pequenos lábios. Continue os movimentos, até que possa "encontrar a posição" para inserção. Nessa altura, a vagina ficará com uma conformação bem particular, como "de espera".

Antes de inserir, lembre-se agora de lubrificar o "dildo" completamente, até a base (mesmo se não for inserir completamente)... Insira mantendo o aparelho na posição adequada, fazendo ligeira pressão na base, constante, até que penetre inteiramente na vagina. Atenção: se encontrar resistência, não force - poderá ter chegado ao final do "comprimento" da vagina antes de terminar o do aparelho... Mantenha o aparelho inserido, fazendo ligeira massagem no clitóris e movimentos de "sobe-e-desce" com a base do aparelho, até obter o orgasmo. Depois disso, comece a operação inversa, movimentando com muito cuidado o aparelho para fora, bem lentamente... Só tente desligar depois que estiver totalmente removido. Lave-o em seguida.

Para inserção anal, lembre-se que é uma espécie de variação da prática de "fisting": o objetivo é tornar a musculatura do esfíncter "complacente", antes de começar a inserção propriamente dita. Lubrifique abundantemente, inclusive aplicando KY sobre o ânus, com uso do indicador (cuidado para não contaminar a bisnaga – esprema o KY sobre o dedo e não o inverso). Massageie lentamente com o indicador e o dedo maior, fazendo ligeira pressão contra o esfícter. Segure a pressão por uns 5 segundos, depois relaxando novamente.

Massageie novamente, sempre com muito cuidado. Faça pressão novamente. Não tenha pressa: em determinado momento, a musculatura irá naturalmente "se abrir" e poderá introduzir um dedo, previamente lubrificado (recomenda-se o uso de luvas descartáveis para esse procedimento). Quando tiver "ganho confiança", é ora de experimentar o "plugue"...

Alguns "kits" contêm plugues de três tamanhos: "iniciante", "médio" e "expert". Não subestime: há produtos que servirão apenas para "os mais experimentados"... Se for a primeira vez, recomenda-se iniciar com o plugue correto. Lubrifique-o inteiramente e abundantemente. No ato de inserção, não force sua passagem: comece lentamente mais a "posicioná-lo" corretamente, do que a "empurrar para dentro".

No processo, se o esfíncter se fechar, não insista: deixe que o plugue "deslize para fora" naturalmente. Depois, limpe tudo com papel e tente tudo de novo... Uma dica: se estiver já no meio da inserção, pode mandar à pessoa que estiver "recebendo" o plugue, que "empurre". Mantenha apenas com a sua mão, o plugue na posição: ao ser "empurrado", irá penetrar um tantinho de cada vez... Se tiver sistema para inflar, recomenda-se tomar o máximo de cautela: os danos que podem ser causados são muito extensos e o aparelho deve ter medidor preciso do nível de pressão a que está submetendo as paredes do reto...

Para remover o plugue, basta segurá-lo firmemente pela base. A pessoa deverá fazer força, como se estivesse expelindo fezes. O aparelho deverá sair tranqüilamente. Se não for possível, tente a operação novamente, sem jamais forçar. Se for totalmente impossível, procure ajuda médica imediatamente...

Por fim, já que os "dildos" também servem para estimulação peniana, por quê não falar dela?

Sim, apenas não se recomenda que sejam aplicados diretamente sobre os testículos: podem causar micro-lesões irreversíveis - isso é sério! Mas, lubrificando-se bem o pênis, pode-se estimular a base do pênis, pressionando o "dildo" na região de saída da bolsa estrotal (sem tocar testículos). É uma estimulação bastante interessante e a vibração na base faz com que fique bem ereto.

Depois, pode-se estimular a glande, aplicando a extremidade do "dildo" diretamente sobre ela. Estimular a pele do prepúcio, com a glande totalmente exposta é também bastante excitante (lembre-se de manter sempre um bom nível de lubrificação). Por fim, para gozar, basta pressionar o "dildo" contra a parte anterior do pênis, na região do "freno", ligeiramente abaixo da glande. Colocar o "vib" no máximo e manter a pressão até ocorrer a ejaculação. O difícil é conseguir manter o "dildo" em posição por ainda mais um ou dois minutos, durante e um pouco depois da ejaculação, para forçar uma "ejaculação total" do parceiro... (o que é bem "kinky")


Abraço a todos e boa sorte! E lembre-se sempre: prudência...

Senhor Carlos