Bondage & Disciplina
Dominação/submissão
SadoMasoquismo

Fetiches
 
Busque neste site
powered by FreeFind

DILDOS SILENCIOSOS E CENAS PÚBLICAS -
COMO EVITAR SER DENUNCIADO

Senhor Carlos

 

Práticas BDSM crescem de modo notável, principalmente no que se convencionou chamar de "mundo ocidental". Não é verdade afirmar que este é um fenômeno exclusivo deste "bloco", uma vez que há fortes indícios de retomada do crescimento da cultura SM mesmo em países onde não se imagina que tenha penetrado: Arábia Saudita, Jordânia, Turquia e muitos outros.

O levandamento da proibição de concessão de alvará de funcionamento a "sex-shops", aliado a uma maior abertura do país contribuiu para universalizar a cultura BDSM no Brasil. Ela já existia e é antiga em nosso país, mas ficou por longos anos restrita a ilhas fechadas, a comunidade BDSM se comportava como uma espécie de "maçonaria" e seus hábitos eram desconhecidos a maioria dos "não-iniciados".

A quem está adentrando neste rico mundo, uma pergunta muito comum: "quais práticas de BDSM existem atualmente"? A diversidade é quase incomensurável e a lista de verbetes do Dicionário BDSM do Brasil já conta com cerca de cem tipos, que estão longe de esgotar o assunto. Alguns usuários são afeitos a algumas práticas, se consideram "simpáticos" a outras e dificilmente aceitam todas. Então a pergunta pode ser melhor formulada:

"Qual BDSM você pratica?"

Uma das práticas muito em voga nos E.U.A. é a chamada "public scenes" , onde se espera levar ao gozo um escravo, através de dispositivos escondidos em sua roupa. Obviamente, envolve muita "humilhação", uma vez que a platéia é composta de pessoas comuns e não se isenta a possibilidade de tudo terminar em uma delegacia de polícia!

Dispositivos ativados por controle remoto, temporizados, dispositivos de acionamento aleatório e outros, que foram concebidos ou adaptados para este fim. A idéia básica é levar ao gozo aquele que tem que disfarçar, como se "nada estivesse ocorrendo". Nota-se o forte vetor de "mind fuck" da prática, uma vez que tudo pode dar errado...

Outra deliciosa adaptação é a prática individual de masturbação pública, quando o ator sai às ruas portando um dispositivo desta natureza. Imagine-se tomando o elevador, cumprimentando o síndico e o porteiro, seguido de um vibrante "sundae" no Mac Donald's enquanto se esgotam as pilhas de um "dildo" ...

O que imediatamente pode dar errado nestas práticas?

Bem, se o dispositivo for de eletroestimulação e a intensidade estiver mal selecionada, ou se os eletrodos saírem de posição, podem ocorrer contrações involuntárias muito fortes. Se pensarem que está passando mal, no ato de prestar socorro pode ser descoberta a "fraude" e estaria armada uma grande confusão, principalmente quando descobrissem algumas evidências de que...

No caso dos vibs, o que costuma denunciar mesmo é aquele barulhinho "bzzzzz"... Este é inconfundível e é como se atraísse os ouvidos diretamente ao alvo: "Vem daquele(a) lá! he-he-he!".

Outra "denúncia" pode ocorrer em sua própria casa, se tiver convidados ou se estiver hospedado em hotel, etc.. Se quiser usar um "dildo", no caso de hotéis e pousadas, o problema é ainda mais crítico, pois não raramente as paredes são "falsas", deixando passar facilmente os sons agudos produzidos pelo "vib". Os sons podem ser ouvidos a dezenas, até uma centena de metros e por ouvidos minimamente atentos, você será denunciado!

Para contornar estes problemas, todos os fabricantes colocam em suas embalagens as líricas palavras "ultra-silence". Que utopia! Os "vibs" parecem mesmo serem feitos para denunciar, não para ocultar. Isso se deve a baixa qualidade dos componentes utilizados e os motorzinhos ao rotacionarem uma massa desbalanceada, costumam produzir aquele "bzzzz"...

A origem do "bzzzzzz" é dupla:

- dos mancais do próprio motorzinho. Normalmente, são de material plástico ("nylon") e não há rolamentos. Como o material é de qualidade inferior, o eixo do rotor acaba colidindo com os mancais, produzindo o barulhinho. Quando a isso, não há o que fazer, a não ser que tenha perícia suficiente para substituir o motor por um de melhor qualidade (de preferência "sem escovas" - "brushless"). Dica: prefira "dildos" com motores maiores. Costumam a ser mais silenciosos, principalmente a baixa rotação. Antes de levar a um local em que possa ser ouvido, deixe-o "amaciando" por uma hora, mais ou menos. Às vezes, uma irregularidade em um dos mancais acaba sendo nivelada naquela primeira operação.

- da fixação do motorzinho na carenagem do "dildo". Peça sempre para ver diversas unidades do mesmo "dildo" que pretende comprar. Notará que alguns "giram" melhor, outros pior. Se um deles fizer barulho acima do normal, provavelmente o motorzinho está carecendo de fixação. Livre para colidir contra a carenagem, o ruído produzindo é mais intenso. Se notar isso e ainda estiver na loja, não compre. Se só tiver notado em casa, com um pouco de perícia pode tentar corrigir o problema, fixando-o adequadamente à carenagem. O encaixe é "por pressão" e um pouco de silicone entre o corpo do motor e a carenagem pode ajudar. Não deixe o silicone aderir ao rotor (parte móvel) ou entrar na carenagem do motor. Verifique também se não é o rotor que está colidindo contra a carenagem, causando o ruído.

Pessoalmente, gosto muito de "vibs" tipo "bullet" para cenas públicas.

O "bullet" é um "vib" destacado da parte onde ficam as pilhas. O "holder" das pilhas fica preso à cintura com o botão de regulagem da intensidade acessível, enquanto que e o "vib" é fica totalmente inserido, via anal ou vaginal. Como não ficam "partes de fora", diferente dos demais, não deixa escapar nenhum barulhino. Também não há o risco de ser expelido, denunciando o "artista".

O ideal de um "bullet" é que a cápsula fosse feita em aço-inox cirúrgico e que fosse vedada com um "O-ring" e desmontável para limpeza/inspeção. Que os condutores fossem um cabo único, tipo coaxial e bem flexível e que houvesse uma cordinha ultra-resistente para suar retirada. O comando ideal deveria ter dispositivos como mudança automática de velocidade, disparos aleatórios e talvez até um controle-remoto por infra-vermelhos.

Infelizmente, os "bullet" que tenho encontrado no comércio são de baixíssima qualidade e muitas vezes tem que ser "reformados" mesmo antes do primeiro uso. Devem ser vedados com silicone na saída do fio do "bullet" e é recomendável que sejam inseridos vestidos em uma camisinha...

Não é nada estranho usar camisinha em "dildos" e "bullets", uma vez que os materiais emborrachados costumam a ser porosos e os dispositivos costumam não ser "à prova d'água". Se quiser uma higienização melhor, vista sempre uma camisinha em seus dildos. Principalmente se forem de borracha e se a via escolhida for a anal.

No caso de plásticos "duros" como o ABS, a camisinha irá tornar o contato mais agradável, pois simula a pele humana. Então, esta pode ser uma forma de retornar ao uso alguns "dildos" abandonados nas gavetas do armário...

Outra coisa ruim nos "bullet" é que normalmente não possuem uma "cordinha para puxar" e o fio de energia dever servir também como "cordinha". Isto é inadequado, pois se submetido à tração, o núcleo do condutor pode se romper e o "vib" pára de funcionar. Fora o risco de ficar sem o meio mais natural para o retirar ... Resolvi o problema reformando meu bullet.

Com duas ampoulas daquelas de PET que usam para guardar tempero, cortei as partes arredondadas, na forma de duas semi-cápsulas. Furei com um Dremmel para passar os condutores e o fio "de retirada" e fixei por pressão o motorzinho à parede do novo "bullet", com auxílio de um courinho bem fino. Soldei as cápsulas e vedei as saídas dos fios com borracha de silicone. Ficou um "bullet" transparente.

Se for experimentar um "bullet", lubrifique muito bem a via anteriormente. Use KY com abundância e massageie lentamente com o indicador. Quando estiver relaxado(a), insira o "bullet" com cuidado (se for usar com camisinha, acondicione-o dentro da camisinha antes de inserir). Com o indicador, garanta que está em uma posição confortável e que os fios não ficaram tensionados. Lubrifique muito bem a passagem do ânus ou vagina, para que o contato dos fios não seja desconfortável.

Fixe a caixinha de comandos à cintura, presa na cueca/calcinha ou mesmo na aba da calça. A caixinha de comandos, dificilmente alguém sabe o que é. Não precisa ter muito cuidado, pois o desenho a confunde com a de um controle remoto. Teste antes de ir à "cena". Em público, aja sempre com a maior naturalidade...

Na velocidade máxima, provavelmente irá trepidar um pouco e não será confortável. Acelere-o para que ganhe inércia e em seguida escolha uma velocidade menor. Se perceber que está parando, aumente discretamente a velocidade. Não deixe-o parar completamente, pois terá que refazer a manobra da aceleração. Em uso e com pilhas alcalinas novas, normalmente dá para um "jogo" de uma hora, ou um pouco mais.

Após o uso, lave-o muito bem com água morna corrente e espuma de sabão. Tente remover toda a água com uma toalha macia e sacudindo a cápsula, para que não reste água em contato com o motor. Deixe-o funcionando sobre a toalha por cêrca de 30 minutos, variando a velocidade de vez em quando, para que o motor se aqueça e perca a umidade. Guarde-o em local sêco e ventilado e sem as pilhas. Se não fizer isso, provavelmente não irá funcionar da próxima vez.

Se seguir estes conselhos, dificilmente será denunciado. No caso de quartos de hotel, há outra dica: acione o "vib" somente depois do "dildo" ter sido inserido. Quando em contato com a pele, o ruído tende a cair ao quase imperceptível...

Um abraço a todos,
Senhor Carlos