Práticas BDSM crescem
de modo notável, principalmente no
que se convencionou chamar de "mundo
ocidental". Não é verdade
afirmar que este é um fenômeno
exclusivo deste "bloco", uma vez
que há fortes indícios de
retomada do crescimento da cultura SM mesmo
em países onde não se imagina
que tenha penetrado: Arábia Saudita,
Jordânia, Turquia e muitos outros.
O levandamento da proibição
de concessão de alvará de
funcionamento a "sex-shops", aliado
a uma maior abertura do país contribuiu
para universalizar a cultura BDSM no Brasil.
Ela já existia e é antiga
em nosso país, mas ficou por longos
anos restrita a ilhas fechadas, a comunidade
BDSM se comportava como uma espécie
de "maçonaria" e seus hábitos
eram desconhecidos a maioria dos "não-iniciados".
A quem está adentrando neste rico
mundo, uma pergunta muito comum: "quais
práticas de BDSM existem atualmente"?
A diversidade é quase incomensurável
e a lista de verbetes do Dicionário
BDSM do Brasil já conta com cerca
de cem tipos, que estão longe de
esgotar o assunto. Alguns usuários
são afeitos a algumas práticas,
se consideram "simpáticos"
a outras e dificilmente aceitam todas. Então
a pergunta pode ser melhor formulada:
"Qual BDSM você pratica?"
Uma das práticas muito em voga
nos E.U.A. é a chamada "public
scenes" , onde se espera levar ao gozo
um escravo, através de dispositivos
escondidos em sua roupa. Obviamente, envolve
muita "humilhação",
uma vez que a platéia é composta
de pessoas comuns e não se isenta
a possibilidade de tudo terminar em uma
delegacia de polícia!
Dispositivos ativados por controle remoto,
temporizados, dispositivos de acionamento
aleatório e outros, que foram concebidos
ou adaptados para este fim. A idéia
básica é levar ao gozo aquele
que tem que disfarçar, como se "nada
estivesse ocorrendo". Nota-se o forte
vetor de "mind fuck" da prática,
uma vez que tudo pode dar errado...
Outra deliciosa adaptação
é a prática individual de
masturbação pública,
quando o ator sai às ruas portando
um dispositivo desta natureza. Imagine-se
tomando o elevador, cumprimentando o síndico
e o porteiro, seguido de um vibrante "sundae"
no Mac Donald's enquanto se esgotam as pilhas
de um "dildo" ...
O que imediatamente pode dar errado nestas
práticas?
Bem, se o dispositivo for de eletroestimulação
e a intensidade estiver mal selecionada,
ou se os eletrodos saírem de posição,
podem ocorrer contrações involuntárias
muito fortes. Se pensarem que está
passando mal, no ato de prestar socorro
pode ser descoberta a "fraude"
e estaria armada uma grande confusão,
principalmente quando descobrissem algumas
evidências de que...
No caso dos vibs, o que costuma denunciar
mesmo é aquele barulhinho "bzzzzz"...
Este é inconfundível e é
como se atraísse os ouvidos diretamente
ao alvo: "Vem daquele(a) lá!
he-he-he!".
Outra "denúncia" pode
ocorrer em sua própria casa, se tiver
convidados ou se estiver hospedado em hotel,
etc.. Se quiser usar um "dildo",
no caso de hotéis e pousadas, o problema
é ainda mais crítico, pois
não raramente as paredes são
"falsas", deixando passar facilmente
os sons agudos produzidos pelo "vib".
Os sons podem ser ouvidos a dezenas, até
uma centena de metros e por ouvidos minimamente
atentos, você será denunciado!
Para contornar estes problemas, todos
os fabricantes colocam em suas embalagens
as líricas palavras "ultra-silence".
Que utopia! Os "vibs" parecem
mesmo serem feitos para denunciar, não
para ocultar. Isso se deve a baixa qualidade
dos componentes utilizados e os motorzinhos
ao rotacionarem uma massa desbalanceada,
costumam produzir aquele "bzzzz"...
A origem do "bzzzzzz" é
dupla:
- dos mancais do próprio motorzinho.
Normalmente, são de material plástico
("nylon") e não há
rolamentos. Como o material é de
qualidade inferior, o eixo do rotor acaba
colidindo com os mancais, produzindo o barulhinho.
Quando a isso, não há o que
fazer, a não ser que tenha perícia
suficiente para substituir o motor por um
de melhor qualidade (de preferência
"sem escovas" - "brushless").
Dica: prefira "dildos" com motores
maiores. Costumam a ser mais silenciosos,
principalmente a baixa rotação.
Antes de levar a um local em que possa ser
ouvido, deixe-o "amaciando" por
uma hora, mais ou menos. Às vezes,
uma irregularidade em um dos mancais acaba
sendo nivelada naquela primeira operação.
- da fixação do motorzinho
na carenagem do "dildo". Peça
sempre para ver diversas unidades do mesmo
"dildo" que pretende comprar.
Notará que alguns "giram"
melhor, outros pior. Se um deles fizer barulho
acima do normal, provavelmente o motorzinho
está carecendo de fixação.
Livre para colidir contra a carenagem, o
ruído produzindo é mais intenso.
Se notar isso e ainda estiver na loja, não
compre. Se só tiver notado em casa,
com um pouco de perícia pode tentar
corrigir o problema, fixando-o adequadamente
à carenagem. O encaixe é "por
pressão" e um pouco de silicone
entre o corpo do motor e a carenagem pode
ajudar. Não deixe o silicone aderir
ao rotor (parte móvel) ou entrar
na carenagem do motor. Verifique também
se não é o rotor que está
colidindo contra a carenagem, causando o
ruído.
Pessoalmente, gosto muito de "vibs"
tipo "bullet" para cenas públicas.
O "bullet" é um "vib"
destacado da parte onde ficam as pilhas.
O "holder" das pilhas fica preso
à cintura com o botão de regulagem
da intensidade acessível, enquanto
que e o "vib" é fica totalmente
inserido, via anal ou vaginal. Como não
ficam "partes de fora", diferente
dos demais, não deixa escapar nenhum
barulhino. Também não há
o risco de ser expelido, denunciando o "artista".
O ideal de um "bullet" é
que a cápsula fosse feita em aço-inox
cirúrgico e que fosse vedada com
um "O-ring" e desmontável
para limpeza/inspeção. Que
os condutores fossem um cabo único,
tipo coaxial e bem flexível e que
houvesse uma cordinha ultra-resistente para
suar retirada. O comando ideal deveria ter
dispositivos como mudança automática
de velocidade, disparos aleatórios
e talvez até um controle-remoto por
infra-vermelhos.
Infelizmente, os "bullet" que
tenho encontrado no comércio são
de baixíssima qualidade e muitas
vezes tem que ser "reformados"
mesmo antes do primeiro uso. Devem ser vedados
com silicone na saída do fio do "bullet"
e é recomendável que sejam
inseridos vestidos em uma camisinha...
Não é nada estranho usar
camisinha em "dildos" e "bullets",
uma vez que os materiais emborrachados costumam
a ser porosos e os dispositivos costumam
não ser "à prova d'água".
Se quiser uma higienização
melhor, vista sempre uma camisinha em seus
dildos. Principalmente se forem de borracha
e se a via escolhida for a anal.
No caso de plásticos "duros"
como o ABS, a camisinha irá tornar
o contato mais agradável, pois simula
a pele humana. Então, esta pode ser
uma forma de retornar ao uso alguns "dildos"
abandonados nas gavetas do armário...
Outra coisa ruim nos "bullet"
é que normalmente não possuem
uma "cordinha para puxar" e o
fio de energia dever servir também
como "cordinha". Isto é
inadequado, pois se submetido à tração,
o núcleo do condutor pode se romper
e o "vib" pára de funcionar.
Fora o risco de ficar sem o meio mais natural
para o retirar ... Resolvi o problema reformando
meu bullet.
Com duas ampoulas daquelas de PET que usam
para guardar tempero, cortei as partes arredondadas,
na forma de duas semi-cápsulas. Furei
com um Dremmel para passar os condutores
e o fio "de retirada" e fixei
por pressão o motorzinho à
parede do novo "bullet", com auxílio
de um courinho bem fino. Soldei as cápsulas
e vedei as saídas dos fios com borracha
de silicone. Ficou um "bullet"
transparente.
Se for experimentar um "bullet",
lubrifique muito bem a via anteriormente.
Use KY com abundância e massageie
lentamente com o indicador. Quando estiver
relaxado(a), insira o "bullet"
com cuidado (se for usar com camisinha,
acondicione-o dentro da camisinha antes
de inserir). Com o indicador, garanta que
está em uma posição
confortável e que os fios não
ficaram tensionados. Lubrifique muito bem
a passagem do ânus ou vagina, para
que o contato dos fios não seja desconfortável.
Fixe a caixinha de comandos à cintura,
presa na cueca/calcinha ou mesmo na aba
da calça. A caixinha de comandos,
dificilmente alguém sabe o que é.
Não precisa ter muito cuidado, pois
o desenho a confunde com a de um controle
remoto. Teste antes de ir à "cena".
Em público, aja sempre com a maior
naturalidade...
Na velocidade máxima, provavelmente
irá trepidar um pouco e não
será confortável. Acelere-o
para que ganhe inércia e em seguida
escolha uma velocidade menor. Se perceber
que está parando, aumente discretamente
a velocidade. Não deixe-o parar completamente,
pois terá que refazer a manobra da
aceleração. Em uso e com pilhas
alcalinas novas, normalmente dá para
um "jogo" de uma hora, ou um pouco
mais.
Após o uso, lave-o muito bem com
água morna corrente e espuma de sabão.
Tente remover toda a água com uma
toalha macia e sacudindo a cápsula,
para que não reste água em
contato com o motor. Deixe-o funcionando
sobre a toalha por cêrca de 30 minutos,
variando a velocidade de vez em quando,
para que o motor se aqueça e perca
a umidade. Guarde-o em local sêco
e ventilado e sem as pilhas. Se não
fizer isso, provavelmente não irá
funcionar da próxima vez.
Se seguir estes conselhos, dificilmente
será denunciado. No caso de quartos
de hotel, há outra dica: acione o
"vib" somente depois do "dildo"
ter sido inserido. Quando em contato com
a pele, o ruído tende a cair ao quase
imperceptível...
Um abraço a todos,
Senhor
Carlos