Concluído o apanhado
histórico da Parte 1, de como o homem
intuiu e depois experienciou a eletricidade
na fisiologia, passemos à segunda
parte da série sobre eletroestimulação,
onde abordaremos alguns conceitos importantes
sobre eletricidade e as grandezas envolvidas.
Faremos uma pequena incursão na eletricidade
e fisiologia.
Tentei deixar esta parte o mais palatável
possível para os que não estão
familiarizados com a eletrônica, a
física médica e a eletricidade.
Peço paciência aos que já
conhecem o tema, e para atender aos que
não gostam das ciências exatas,
tentei eliminar o máximo possível
o tratamento matemático e a física
do assunto.
1.0 A ELETRICIDADE
A eletricidade é uma forma de energia
que existe em todas as coisas, em seu próprio
corpo, no papel onde eu imprimi este texto,
na cadeira em que voce está sentado,
no ar que voce respira e em todas as coisas
que tem massa e ocupam lugar no espaço.
A razão pela qual não percebemos
sua presença é porque nestes
objetos, a eletricidade não está
em movimento.
Não precisamos saber a fundo o que
é a eletricidade ou do que ela é
feita, para aproveitá-la na prática.
Precisamos saber, no entanto, como ela atua
e como pode ser utilizada para realizar
o que desejamos.
A principal parte da eletricidade com a
qual devemos familiarizar-nos é a
que se refere ás suas características
e aos efeitos que produz em certas circunstâncias.
Precisamos aprender as qualidades da eletricidade
para aplicá-la eficientemente e sem
perigos.
2.0 ESTUDO SIMPLIFICADO DA ELETRICIDADE
Algumas características da eletricidade
podem ser comparadas com as da água,
e visto que todos nós estamos familiarizados
ou temos uma idéia intuitiva a respeito
da água, utilizarei na maioria das
vezes esta comparação.

Figura 1
Podemos observar na Fig. 1 dois tanques
cheios de água, no mesmo nível.
Os tanques estão ligados entre si
por meio de canos, em cujo sistema incluí
uma válvula e uma turbina. Se neste
desenho, abrirmos a válvula, as palhetas
da turbina não se moverão,
porque não existe diferença
de pressão entre um tanque e outro
para que se tenha um fluxo de água.
(As duas estão no mesmo nível.)
Mas quando o nível da água
em um dos tanques for mais alto, existirá
uma diferença de pressão entre
eles, e a água passará do
tanque mais alto para o mais baixo, fazendo
a turbina girar. A diferença de alturas
na caixa d'água, produz a força
eletro motriz.
3.0 PRODUÇÃO DA PRESSÃO
ELÉTRICA (Força Eletro Motriz)
Por analogia com a água, estou chamando
a Força Eletro Motriz de Pressão
Elétrica.
Quando se trata de eletricidade, encontramos
uma condição muito parecida
com o que acabamos de estudar em relação
ao sistema hidráulico.

Figura 2
Na Figura 2 temos um gerador, ligado a
um interruptor e auma lâmpada.
Se o gerador não estiver funcionando,
mesmo que liguemos o interruptor, a lâmpada
não se acenderá. No entanto,
existe no sistema tanta eletricidade, como
se o sistema estivesse funcionando. Podemos
comparar esta figura com a Fig.1; onde temos
dois tanques de água no mesmo nível.
Agora, se o gerador estiver funcionando,
uma corrente elétrica passará
através do circuito, fazendo com
que a lâmpada se acenda.
O que realmente acontece, é que quando
o gerador é ligado, ele dá
origem a alguns fenômenos que estabelecem
uma diferença de potencial.
Esta diferença de potencial, pode
ser comparada com a diferença de
níveis entre as caixas d' água.
Em geral, não se emprega o termo
"pressão elétrica"
como fiz anteriormente. Costumamos chamar
a "pressão elétrica"
de força eletro motriz (F.E.M.).
E a unidade que se emprega para medirmos
a F.E.M. é o Volt. (V)
Bom, então, podemos pensar que
Volt seria a diferença de alturas
entre as caixas d'água? Certo! Em
uma linguagem mais técnica, a tensão
elétrica, ou popularmente, "voltagem".
4.0 O AMPÉRE ou CORRENTE ELÈTRICA
Continuando no mesmo raciocínio,
precisaremos de um nome, para medirmos quanta
água passa entre as caixas d'água.
A medida equivalente da quantidade de água
no nosso exemplo, na eletricidade é
quantidade de corrente elétrica,
e chamamos de Ampére (A). Em homenagem
ao físico francês André
Marie Ampére. As unidades menores
que um Ámpére, são
divididas em miliampéres e microamperes.
(mA e mA, respectivamente.)
O Ampére é a indicação
da quantidade de eletricidade que se movimenta
em um condutor, em um determinado instante
de tempo. E este fenômeno recebe o
nome de corrente elétrica.
Então por analogia, o Ampére
é a quantidade de água que
circula entre as caixas d'água? Certo
de novo!
Bem, você pode estar se perguntando...
E o que isso tudo tem a ver com
eletro estimulação?
Costumo dar como exemplo, nos encontros
sobre eletroestimulação aos
quais sou convidado, que, o que mata, ou
é prejudicial, não é
a tensão (Volts), mas sim, a corrente
elétrica. (Ampéres). Querem
um exemplo pensando na água?
Se você entrar debaixo de uma cachoeira
com 800 metros de altura, mas com um filete
mínimo de água, nada lhe acontecerá.
No entanto, se você entrar embaixo
de uma cachoeira de 20 metros de altura,
mas com um volume de água muito grande,
certamente você sairá machucado,
ou mesmo, poderá morrer.
Na prática, isto significa que você
pode tomar um choque de 10.000 Volts e somente
sentir uma agulhadinha, (às vezes,
quando saímos do carro em um dia
de verão e encostamos na porta, ou
em alguma parte metálica, tomamos
um choque desta ordem de grandeza.). Ou
tomar um choque de 90 Volts e morrer.
- Quer dizer....o que pode causar danos
é a corrente, e não a tensão?,
ou Seja o mais importante é saber
a "Amperagem" e não a "Voltagem"?
- Certíssimo!!
5.0 APARELHOS DE ELETRO-ESTIMULAÇÃO
Agora vamos começar com algumas
coisas mais "práticas".
A grande maioria dos aparelhos de eletro-estimulação,
utiliza pilhas.
Todas as pilhas e baterias, sem exceção,
são fontes de corrente contínua.
Elas tem dois pólos, um negativo,
e outro positivo. A corrente elétrica,
sempre vai do pólo negativo para
o pólo positivo. Mas atenção,...pelo
fato destes aparelhos usarem pilhas, não
significa que eles entregam corrente contínua!
Aquelas baterias quadradinhas, normalmente
têm 9 volts e podem gerar entre 70
e 90 miliamperes por alguns instantes.
As pilhas, pequenas, médias ou grandes,
geram 1,5 Volts. Mas o que muda é
a corrente elétrica. O quanto cada
uma pode fornecer em Ampéres. O que
um aparelho de eletro-estimulação
faz, é pegar a tensão da bateria
(9V), e a corrente que ela proporciona,
e transformar a tensão para algo
próximo dos 200 Volts, e transformar
a corrente contínua em corrente alternada.
- Epa! Que negócio é esse
de corrente contínua e corrente alternada?
6.0 CORRENTE CONTÍNUA E CORRENTE
ALTERNADA
Vimos que uma bateria tem dois pólos.
Um negativo e outro positivo. Bem marcados,
com um sinal de mais (+) para o pólo
positivo, e um sinal de menos (-) para o
pólo negativo.
Eles sempre serão assim. Um sempre
negativo e outro, sempre positivo. Seja
daqui á um minuto, uma hora, um dia.
Chamamos então de corrente contínua
Já na corrente alternada,
(encontrada nas tomadas de casa) não
há necessidade de se marcar qual
o pólo positivo, ou qual o pólo
negativo, sabem porque?
Porque eles se alternam 60 vezes por segundo.
Ou seja, durante um segundo, um daqueles
buraquinhos da tomada não importa
qual você escolha, vai mudar entre
pólo positivo e pólo negativo,
60 vezes por segundo. Eles se alternam.
Daí vem o nome de corrente alternada.
Veja a Figura 3.

Figura 3
A maioria dos aparelhos eletrônicos,
depois da indicação da tensão
("voltagem") em que trabalham
(110V ou 220V) ainda tem a seguinte marca:
50/60 Hz.
A abreviatura de Hz, significa Hertz, sobrenome
de um físico alemão que descreveu
as propriedades de oscilação
de ondas.
Um Hertz é algo que acontece uma
vez por segundo. 60 Hertz significa que
60 vezes por segundo, alguma coisa (a alternância
entre os pólos negativo e positivo
de nossa tomada, por exemplo) se alterna
de um modo exatamente igual. Daí,
de uma maneira rudimentar podemos definir
a freqüência.
A grande maioria dos aparelhos de eletroestimulação
usa corrente alternada.
Isto significa que nos fios que saem destes
aparelhos, embora marcados com positivo
(vermelho) e negativo (preto), os pólos
se alternam várias vezes por segundo.
E por favor, não me vão
ligar dois fios na tomada, e usar como eletro-estimulador,
porque a corrente que uma tomada
pode fornecer é da ordem de algumas
dezenas de Ampéres. Suficiente para
provocar sérias queimaduras ou matar
qualquer um.
Um bom exemplo de corrente alternada pode
ser encontrado neste endereço:
http://www.geocities.com/CapeCanaveral/Hall/6645/
electmag/generatorengl.htm
É um applet em Java, que mostra um
motor (á esquerda, que fica virando),
um voltímetro (o aparelho á
direita, que fica mexendo o ponteiro, reparem
que o 0 (zero) está no meio da escala).
E ao fundo, há um gráfico,
com uma bolinha azul que vai percorrendo
a extensão deste.
Note que existe uma barra logo após
o botão "change direction".
( a direita)
Clique e segure com o mouse o botão
da barra, e leve até o fim da escala.
Observe o ponteiro ir do negativo, passar
pelo zero, e ir ao positivo, e observe a
bolinha ao fundo.
O gráfico ao fundo representa a
corrente alternada.
Neste applet, o máximo de alternância
que chegamos é 12 vezes por minuto.
Lembre-se que na tomada, temos 60 vezes
por segundo, ou 60 Hertz.
É a alternância entre positivo
e negativo, que causa a sensação
de formigamento quando tomamos um choque
elétrico.
A maioria dos aparelhos de eletroestimulação
tem um controle de freqüência,
que serve para alterarmos o tipo de estímulo
que o(a) submisso(a) irá sentir.
7.0 FREQÜÊNCIA
A freqüência, fenômeno
físico que não abordaremos
em profundidade aqui, pode ser definida
como quantas vezes por segundo um fenômeno
se repete.
A freqüência é o segundo
mais importante parâmetro dentro da
eletro-estimulação. Variando-se
a freqüência, podemos variar
o tipo de sensação e de resultado
que queremos obter. Com a variação
da freqüência, pode-se induzir
músculos á fadiga, pode-se
induzir ereções e orgasmos.
As freqüências altas são
nocivas para o corpo humano. Um aparelho
de eletro estimulação, deve
trabalhar na faixa entre 4 e 200 Hertz,
admitindo-se uma variação
de mais ou menos 15%.
Se as freqüências de trabalho
são muito altas, o corpo humano oferece
pouca resistência á passagem
da corrente elétrica, podendo ocasionar
queimaduras e lesões.
8.0 SEGURANÇA
Para um aparelho ser seguro e eficiente,
o mesmo precisa possuir um limitador de
corrente. É um circuito que impede
o aparelho, caso haja algum problema, de
aplicar uma corrente passível de
causar danos ao nosso parceiro(a).
Todo bom circuito de eletro-estimulação
tem um limitador de corrente.
Normalmente os aparelhos de eletro-estimulação
não oferecem controle manual sobre
a corrente. Isto os encareceria bastante.
Já vimos que o que pode ocasionar
danos ou até mesmo matar, é
a corrente elétrica. Estudos determinaram
o seguinte:
- Acima de 10 mili-ampéres nosso
corpo já sente os efeitos da eletricidade
- Entre 30 e 70 mili-ampéres
é o limite seguro para eletro-estimulação
abaixo da linha da cintura em uma pessoa
sadia.
- Acima de 80 mili-ampéres
a corrente elétrica é suficiente
para induzir uma fibrilação
cardíaca.
- Acima de 150 mili-ampéres
pode-se obter queimaduras por eletricidade.
9.0 ELETRODOS
Aqui está uma parte do segredo de
uma boa ou má experiência com
eletro-estimulação. Eletrodos
são os componentes que fazem a ligação
entre seu corpo e o aparelho de eletro-estimulação.
Servem para entregar a eletricidade no
local que desejamos aplicá-la.
Por isso têm várias formas
e tamanhos.
Difíceis de serem encontrados, normalmente
recorremos à criatividade e habilidade
para confeccioná-los. Os eletrodos
encontrados facilmente em lojas de equipamentos
cirúrgicos e que podem ser usados,
são os de borracha condutiva, alguns
contém uma pequena bomba de sucção
de borracha, próprios para eletrocardiograma.
(ver: "Mais Eletrodos")
Os eletrodos de borracha condutiva, daqueles
usados em fisioterapia, ou em eletrocardiogramas,
são inadequados para aplicações
de eletro-estimulação internas.

Eletrodo bipolar

Bipolar - detalhe

Unipolar

Eletrodos Uretrais

Eletrodo Anal de Inox -
peso aprox 1,3 Kg
Os eletrodos podem ser unipolares, ou bipolares.
Eletrodos unipolares só tem uma conexão
para a ligação com o aparelho
de eletro-estimulação, e devem
ser usados aos pares. Você precisará
de dois eletrodos para estabelecer o circuito
de eletro-estimulação.
Os eletrodos bipolares tem dois pontos
de contato isolados entre si. E basta um
único eletrodo com os dois fios para
se estabelecer o circuito.
Eletrodos bipolares são muito difíceis
de serem conseguidos.
Um dois maiores cuidados que devemos tomar
é não provocarmos o curto-circuito,
inutilizando o aparelho de eletro-estimulação.
Curto-circuito?
10.0 CURTO-CIRCUITO
Devemos nos lembrar que a regra básica
da eletricidade, é que ela sempre
vai fazer o menor caminho para fechar o
circuito. Ou seja: ela vai fazer o caminho
que oferecer menor resistência, que
tiver menos obstáculos.
A pele seca tem uma resistência na
ordem de alguns mega ohms.
(Ver resistência elétrica)
Quanto mais úmida estiver a pele,
melhor a eletricidade vai andar por ela.
É por isso que devemos sempre
usar um gel entre a pele e os eletrodos.
Pois se a eletricidade encontrar uma resistência
grande para andar pela pele, ela pode queimar.
Mas voltemos ao curto-circuito. Se o aparelho
de eletro-estimulação estiver
ligado, e os dois eletrodos se encostarem,
teremos um curto-circuito, e o aparelho
queimará.
Mesmo que os dois eletrodos estiverem em
contato com a pele, a eletricidade sempre
fará o menor caminho, o que oferecer
menos resistência, portanto, ela vai
passar de um eletrodo para outro. Era uma
vez um aparelho de eletroestimulação.
Querem um exemplo? Dois eletrodos unipolares
inseridos no ânus ou na vagina.
Você não consegue ver o que
está acontecendo lá dentro,
e de repente seu/sua submisso(a) misteriosamente
se aquieta.
O que aconteceu? Você se pergunta.
Você aumenta a intensidade nos controles
do aparelho e nada acontece.
Bem, o mais provável, é que
os eletrodos se encostaram lá dentro
dele(a), e houve um curto-circuito, danificando
o aparelho.
11. MAIS ELETRODOS
Se desejarmos eletro-estimular o ânus
ou vagina, precisaremos de um eletrodo em
forma de butt plug, ou vibrador, onde o
mesmo NÃO pode ter um diâmetro
grande. Por que não? Porque poderemos
causar uma lesão muscular, não
dando espaço para o músculo
se contrair. E a última coisa que
desejamos é um feixe muscular vaginal
ou anal lesado, não é?
Evite eletrodos de cobre, latão
ou bronze. Estes metais são prejudiciais
á saúde.
Os melhores eletrodos são de ouro
ou aço inox cirúrgico.
A maior parte da eletroestimulação
masculina é feita entre a próstata,
atingida por via anal e o pênis. Também
pode-se alcançar bons resultados
com eletro-estimulação por
uma sonda uretral (um pólo) e próstata
(outro pólo), ou na região
escrotal.
Na eletroestimulação feminina,
normalmente um eletrodo é aplicado
no ânus, e outro na vagina. Outra
forma bastante comum é um eletrodo
externo na região clitoriana e outro,
inserido no ânus ou internamente na
vagina.

Estimulação anal -
clitoriana externa

Eletrodo de sucção
Sempre deve haver um gel condutor entre
o eletrodo e a pele, para se evitar queimaduras,
e para diminuir a resistência elétrica
da pele, proporcionando uma boa interface
entre pele e eletrodo. Lembre-se que a eletricidade
sempre faz o caminho mais curto, ou que
oferecer menor resistência.
- Espera!!! Você falou em resistência
elétrica? Que negócio é
esse?
12. RESISTÊNCIA ELÉTRICA
A resistência elétrica
é o ato de oferecer, como o próprio
nome diz, resistência á passagem
da corrente elétrica. A medida da
resistência elétrica é
expressa em Ohm. Uma homenagem ao físico
alemão George Simon Ohm que iniciou
sua carreira científica como professor
de matemática no Colégio dos
Jesuítas, em Colônia. Em 1827
ele publicou o resultado de seu trabalho
mais importante em um folheto, "O circuito
galvânico examinado matematicamente".
Nessa publicação ele apresentava
a lei sobre a resistência dos condutores,
que mais tarde foi denominada Lei de Ohm.
A pele seca de um ser humano tem uma resistência
da ordem de 1 á 2 MegaOhms. Ou seja:
de 1 a 2 milhões de Ohms. Quanto
mais seca estiver a pele maior será
a resistência á eletricidade,
e por conseguinte, quanto mais molhada estiver
a pele, menor a resistência
elétrica que ela oferecerá
para a passagem da corrente.
Ohm disse que a Tensão (Voltagem)
é igual ao produto da corrente pela
resistência elétrica. Em outras
palavras:
V = R x I
"Voltagem" = Resistência
x "Amperagem"
Não devemos nos esquecer que a pele
seca tem uma resistência da ordem
de 2 MegaOhms ( dois milhões de Ohms),
e que quando molhada, esta resistência
cai para 30 Ohms.
Portanto, quanto menor a resistência,
maior a corrente elétrica que passa
por ela!
Pára! Estou em um site
BDSM, não quero estudar matemática
e muito menos física do segundo grau!
Mas você vai precisar entender resistência
elétrica, porque é ela que
está diretamente envolvida em eletroestimulação,
e se não entendermos como ela funciona,
poderemos provocar umas boas queimaduras
em seu(sua) submisso(a).
Explicando dentro do BDSM, podemos dizer
assim:
Quanto maior for a resistência que
a pele do submisso(a) oferecer, mais corrente
e tensão (amperagem e voltagem) precisaremos
fornecer, para causar alguma sensação.
O problema é que se aumentarmos
a corrente e a tensão, podemos obter
alguns efeitos físicos interessantes,
que na sua maioria levam a um mesmo lugar:
Queimaduras de primeiro, segundo e terceiro
grau.
- Bom, e como resolver este problema?
De uma forma muito simples: Se a pele não
está suficientemente umedecida, basta
molharmos a pele. Uma possibilidade, é
que se prepare uma solução
de água com sal de cozinha ( 1 colher
de sobremesa para um litro de água).
E aplica-se esta solução com
um vaporizador de água. (Você
pode encontrá-los em lojas de jardinagem).
Este método é muito bom para
a pele externa.
Para uso interno (ânus, vagina, uretra)
deve-se usar o gel KY ou similar, que é
a base de água. Não
use óleo mineral do tipo Johnson
Baby gel, ou algo parecido.
Fique atento: a cada 20 ou 30 minutos você
deve acrescentar mais gel lubrificante,
porque primeiro: tanto a vagina como o ânus,
que são ricos em mucosas, absorvem
por osmose a água contida no gel,
e depois, porque, devido á eletricidade,
ocorre uma dissociação iônica
nos componentes do gel.
Tendo estes cuidados, reduzimos muito a
possibilidade de queimaduras por eletroestimulação,
além de aumentar a sensação
e o efeito desejado.
13.0 FAZENDO ELETROESTIMULAÇÃO
Agora que temos os conceitos básicos,
podemos falar um pouco da eletro-estimulação
dentro do BDSM.
A primeira coisa que você vai precisar
é de um submisso(a). Parece brincadeira,
mas não é. Não é
qualquer submisso(a) que pode receber umas
descargas elétricas no corpo.
Devemos estar atentos para NUNCA praticarmos
eletroestimulação em:
· Portadores de marca-passo
· Portadores de qualquer doença
cardíaca
· Portadores de próteses ou
pinos de metal nas pernas, pés, braços
e pelve.
· Grávidas
Depois, iremos precisar de um aparelho que
produza eletricidade. Estes aparelhos NÃO
podem ser do tipo ABTronics, ElyzeeBelt
(da feiticeira) ou similares.
Esta é a forma mais rápida
de voce ter um acidente com eletroestimulação
em suas mãos.
No Brasil não existem aparelhos
específicos para isso, e os importados
são caríssimos.
Existem duas linhas distintas de eletroestimulação,
mas que no final buscam a mesma coisa:
- Os que usam aparelhos para produzir
os estímulos
- Os que usam ondas sonoras convertidas
em sinais elétricos
Neste artigo tratamos principalmente do
primeiro tópico.
Na falta destes, sobram os aparelhos para
fisioterapia, que embora não sejam
os mais adequados, podem gerar bons resultados,
embora seu preço seja alto.
A maioria dos aparelhos trabalha com corrente
alternada.
Qualquer que seja a opção
que faça, ainda falta um componente
fundamental.
O eletrodo, que, como vimos anteriormente,
é o dispositivo que entrega e eletricidade
produzida pelo aparelho no local do corpo
que queremos estimular.
Podem ser agulhas, pedaços de borracha
condutiva, objetos metálicos, etc...
As agulhas são usadas para estimular
feixes de fibras nervosas diretamente, e
requerem uma técnica aprimorada.
Determine se os eletrodos que irá
usar são unipolares ou bi-polares.
Lembre-se que você irá precisar
de no mínimo dois eletrodos caso
estes sejam unipolares.
Se for aplicar eletro-estimulação
no ânus ou vagina, precisará
de um Gel condutor.
Certifique-se que os eletrodos não
estejam encostando um no outro após
fixados, e que não estejam provocando
um curto circuito, que irá danificar
seu aparelho.
Não utilize eletrodos unipolares
para eletro-estimulação somente
anal ou somente vaginal. Isto não
dá certo, pois os eletrodos entrarão
em contato no interior do corpo.
Não aplique eletro-estimulação
acima da linha da cintura. Eletroestimulação
nos seios NÃO se faz!!!! Estas
fotos que vemos são pura tapeação.
Se aplicar uma corrente elétrica
no tórax, você pode, dependendo
da corrente utilizada, induzir uma fibrilação
cardíaca.
Jamais aplique eletroestimulação
na cabeça, principalmente intracraniana.
NÃO ACREDITE QUE QUANTO MAIS, MELHOR,
pois em eletro-estimulação,
se usar este critério, poderá
ocasionar uma lesão, contratura muscular
ou mesmo rompimento de feixes musculares,
e a brincadeira ficará mais séria
que imagina.
Lembre-se que as fibras musculares tem
sentidos diferentes em nosso corpo, portanto
estudar um mínimo de anatomia é
essencial para um dominador(a) tirar o máximo
de proveito de uma sessão de eletro-estimulação;
Teste o limiar de sensibilidade do seu
submisso(a). Ajuste os controles de intensidade
e freqüência para obter o efeito
desejado.
Seja paciente. O maior aliado da eletroestimulação,
além do conhecimento de anatomia,
é o tempo.
Lembre-se de usar luvas de borracha quando
estiver fazendo uma sessão de eletroestimulação.
Fique atento para a sensação
de "agulhadas" e desconforto por
parte da(o) submisso(a), este é um
bom sinal para o início de queimaduras
por eletricidade.
O sucesso de uma sessão de eletroestimulação
é planejamento!
Pessoas diferentes têm níveis
diferentes de sensibilidade e de resistência
elétrica na pele. Caso tenha mais
de um submisso(a) faça uma tabela
para cada pessoa.
Planeje onde vai aplicar, que tipo de eletrodo
vai usar, se vai precisar de um esparadrapo
para fixar os eletrodos, que tipo de efeito
quer conseguir, se é um prêmio
ou se é um castigo.
Lembre-se que tanto no homem quanto na
mulher, o gozo está intimamente relacionado
com contrações musculares.
Uma, duas, três vezes pode ser prêmio,
mas estimular isso seguidamente pode ser
um castigo terrível. Na mulher, a
sensação de gozo depois da
sexta vez, na média, torna-se insuportável.
No homem, a contração repetida
da musculatura que envolve a próstata
é terrivelmente perversa. Para as
dominadoras: a eletroestimulação
masculina pode provocar reações
bastante interessantes.
14.0 COMO FUNCIONA UM APARELHO DE ELETRO
ESTIMULAÇÃO
Um aparelho de eletro estimulação,
em termos gerais, retira os 9 Volts da bateria,
entrega á um transformador, que eleva
a tensão da bateria para algo entre
170 e 250 Volts, e junto com um oscilador,
ou alternador, transforma a corrente (que
era antes contínua, em alternada.)Depois,
temos os controles de tensão (Voltagem)
e Freqüência. Variando estes
dois controles, temos uma ampla gama de
sensações, que podem ir de
uma estimulação prazerosa
ao castigo.

Diagrama 01
Resumindo, o aparelho entregará
na saída, os 9 Volts originais em
Corrente Contínua da pilha, transformados
em até 250 Volts, Corrente Alternada,
com uma corrente entre 50 e 80 miliamperes
(mA), através de dois conectores,
onde se inserem os bornes ou pinos, com
fios e que vão ligados a(os) eletrodos.

Protótipo 01 referente ao diagrama
01

Protótipo 02 com eletrodos de borracha

Prototipo 03 com
eletrodo bi-polar (branco)
Existem aparelhos que podem fornecer duas
saídas independentes, com controles
independentes. Observe o eletrodo bi-polar
branco no protótipo 3. em um único
eletrodo tem-se dois polos isolados. Usei
tinta condutiva para confeccioná-lo.
15.0 Considerações Finais
Se você pretende iniciar-se nas práticas
de eletroestimulação, siga
três regras básicas:
- Nunca faça nada acima da linha
de cintura
- Estude, estude, estude. Planeja suas
sessões com antecedência
- Saiba o que fazer e como fazer. Em
caso de dúvidas, converse, busque
informações.
Por último, o autor lembra que
este artigo não habilita ninguém
a sair praticando eletro estimulação
por aí.
O autor também não é
responsável por lesões, acidentes,
ferimentos ou traumatismos que incapacitem
ou venham a tirar a vida de alguém.
Este artigo é meramente ficcional
e em hipótese nenhuma pode ser tomado
como referência para prática
ou aplicação de eletroestimulação
por quem quer que seja.
Este artigo não dá base nem
capacita ou habilita pessoas para exercerem
a eletro estimulação.
Mestre
Votan