|
O
erotismo e o desejo que partilhamos e expressamos
em relação aos nossos parceiros manifestam-se
de diferentes maneiras a cada cultura, ganhando
expressões singulares através dos
tempos.
Para algumas
pessoas, a experiência de um carro, de preferência
estrangeiro, com um motorista esperando-o(a) para
levar a um jantar romântico, à luz
de velas, em um restaurante top de linha, terminando
a noitada num motel cinco estrelas é o que
há de mais erótico neste mundo...
Para outras, entrar em um quarto de motel e encontrar
seu querido parceiro esperando-o(a) com um par de
algemas numa mão e um chicote na outra, pronto
para mandá-lo(la) ajoelhar-se, beijar-lhe
os pés, tirar a roupa e ser sexualmente "usado(a)",
é o que dá sentido à vida...
Assim,
percebe-se, a maioria dos envolvimentos sexuais
e/ou amorosos traz, em evidência ou de forma
subjacente, o poderoso ícone do Poder.
Poder
é sexy! (E, qualquer dúvida quanto
a esta afirmação, favor ler a reportagem
de capa da revista Exame, de outubro passado...)
No primeiro
exemplo que apresentamos, o poder foi expresso através
do dinheiro, do poder econômico. No segundo
exemplo, o poder manifesta-se de maneira, digamos
assim, mais "primitiva". E o que isso significa?
Significa, apenas, que gosto é gosto. Simples.
Algumas pessoas se excitam com manifestações
mais "civilizadas" de poder (isso não deveria
ser um fetiche também?); outras almejam algo
mais visível, mais claro, mais rude, quem
sabe...
E, mesmo
dentre estas últimas, há inúmeras
variações. Por exemplo, a maioria
das pessoas envolvidas no BDSM quase sempre combina
a relação D/s com algumas das práticas
denominadas sadomasoquistas. Para outros, ao contrário,
a dominação/submissão é
mais erótica do que quaisquer das práticas
SM. Para outros, ainda, o contrário é
mais satisfatório.
A verdade,
contudo, é que, nesse jogo, há uma
parte dos envolvidos que considera extremamente
excitante entregar o poder a outrem dentro de um
contexto erótico. E, como não existem
"dois sem um", graças ao bom Deus!, é
claro que uma grande quantidade de pessoas adora
e considera extremamente excitante ser o depositário
daquele poder.
Na verdade,
mais do que uma entrega unilateral, o que ocorre
aqui é uma troca de poder erótico,
muito própria de todos os que praticam SM
como estilo de vida. Trata-se de uma troca consensual
e negociada, isto é, o quanto de poder encontra-se
envolvido e em quais áreas essas trocas vão
ocorrer, depende de cada caso, de cada relacionamento.
São
todas experiências muito individuais, pessoais,
cuja finalidade é o prazer mútuo.
E este, é claro, depende das fantasias e
das necessidades de cada um. Assim, tudo vai depender,
em última instância, da capacidade
de explorar as fronteiras da imaginação
dentro de um ambiente são. Independente de
como e porque agem dessa forma, há um elemento
comum a todas essas relações, elemento
muito caro à comunidade BDSM: o fascínio
pelo jogo da troca de poder.
|