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Molly
Devon é co-autora do famoso livro Screw
the Roses, Send me the Thorns (Foda-se com as rosas,
dê-me os espinhos), um dos três
livros sobre SM mais famosos nos EUA, ganhador,
por dois anos seguidos, do prêmio de melhor
livro SM, dado pela Amazon.com.
Seu parceiro
de vida e de autoria do livro, Philip Miller, morreu
em 1998. Molly continua, desde então, levando
à frente sozinha os projetos idealizados
pelos dois, incluindo várias conferências
sobre sexualidade, relacionamentos e, claro, BDSM.
Recentemente,
um pequeno artigo sobre as bases de um relacionamento
que envolve a transferência de poder foi disponibilizado
em alguns sites de língua inglesa. Pequeno
(5 pontos), sucinto, mas direto e fundamental. Feito
por alguém que viveu - e bem - o DS como
estilo de vida. Apesar de pequeno, toca em pontos
de grande importância. Vale a pena conferir.
Molly
começa colocando a importância da
confiança e da comunicação
dentro do relacionamento SM ou DS, sem os quais
nenhum relacionamento BDSM pode ser proveitoso.
A confiança depende de uma comunicação
honesta. Ela chama atenção para a
diferença entre um erro - falhas, todos fazemos/vivenciamos
mais cedo ou tarde em nossas vidas - e a má
fé. Uma negociação incompleta
é um erro, mas desonestidade durante uma
negociação é manipulação
abusiva e isso é indefensável.
Ela segue,
no segundo ponto, batendo (nunca é demais!)
nas questões da igualdade, do valor
e do peso das pessoas envolvidas num relacionamento
SM, independente do papel escolhido dentro desta
relação. É o obvio. Não
existe o dominador/a sem a figura do/a submisso/a.
Nem o submisso/a sem o/a dominador/a. É importante
entender a diferença entre fantasia e realidade.
Enquanto na fantasia o/a submisso/a escolhe viver
o papel de escrava/o, cadela, um fucktoy (um "objeto"
para o prazer), ou seja lá o que for que
lhe excite, na vida real essas pessoas têm
o mesmo valor, o mesmo peso, os mesmos direitos
que qualquer pessoa. Apesar do clichê, vale
a pena repetir. Se a pessoa do/a submisso/a não
se amar, não se respeitar, não tiver
auto estima, o que ele está transferindo
ao dominador/a?? Entregando o quê? Troca erótica
de que mesmo? De nada!!!
O controle
assumido é igual a responsabilidade aceita:
é o próximo ponto ressaltado por Molly.
É preciso que o dominador/a conheça
e entenda muito bem a dinâmica contida num
relacionamento BDSM. E saiba que no estado de submissão,
durante uma cena, o/a submissa/o está atuando
em estado de diminuição de capacidade
e habilidade de tomar decisões. É
o chamado "subspace". Este é exatamente o
ponto da transferência, da troca. O que, convenhamos,
não é pouco. Daí a necessidade
de uma negociação cuidadosa, cautelosa,
pois a/o submissa/o entrega seu corpo, mente e espírito
aos cuidados do/a parceiro/a dominador/a. Recado
claro aos(às) dominadores/as: se você
não quer aceitar as responsabilidades por
seus atos, não aceite o poder.
A autora
continua citando outro ponto de importância
fundamental: O único poder que um/a dom/mme
tem é aquele entregue pelo seu/sua parceiro/a
submisso/a, colocando, de forma muito clara
e explícita, na roda, a consensualidade.
Dominadores não podem, de maneira unilateral,
ter mais poder do que o que já foi negociado,
da mesma maneira que subs não podem resolver
de maneira unilateral que querem mais controle do
que aquele já acordado. Entretanto, ambos
os parceiros podem, a qualquer momento, acabar com
a troca de poder. Quaisquer mudanças de nível,
duração ou circunstâncias do
controle devem ser negociadas fora de cena, em situação
de calma, não importando se este acordo é
para uma cena especifica ou para um relacionamento
mais duradouro.
Molly
Devon não acabaria a listagem do que considera
importante sem mencionar o abuso, lembrando que
uma relação que funciona para uma
pessoa em detrimento de outra é sempre abusiva.
Com isso reforça novamente a diferença
da fantasia em relação à realidade,
onde as vontades e necessidades da pessoa que se
encontra no papel de sub têm igual importância.
Não podemos esquecer que a transferência
de controle e de tomada de decisão que o/a
submisso(a) entrega a(o) seu(sua) Dominador(a) é
para o benefício e prazer de ambos os parceiros
envolvidos.
A capacidade
que Molly teve, como submissa, de continuar sozinha
o trabalho e a obra iniciados com seu companheiro,
Philip, é mais uma demonstração
de que o BDSM não castra pessoas, personalidades
ou vontades. Ao contrário, permite que cada
um cresça e assuma, de maneira responsável,
o que de mais caro existe no substrato do ser humano:
a sua sexualidade.
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