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BDSM x Comportamento - 2ª Parte
(traduzido e adaptado das obras de Gloria Brame e Alan R. Meltzer por Delmonica)

2. Então, como saber em quem confiar?

       Como em todo o tipo de relacionamento, não existe outra forma de confiar a não ser conhecendo a outra pessoa. E isto implica em dedicar tempo.
       Portanto, se você acredita que conhece o suficiente alguém depois de uma ou duas semanas de convívio, ou após uma série de trocas de e-mails, além de estar completamente enganado(a), está brincando com a própria sorte.
       Caso tenha em mente um relacionamento duradouro, o que se pode recomendar são os mesmo hábitos que envolvem os de uma relação convencional. Ou seja, aquelas velhas e gostosas maneiras de investir seu tempo em descobrir o outro que, de alguma forma, despertou seu interesse: ir ao cinema, praia, teatro, shopping, jantar. Em suma, atividades sociais que qualquer pessoa interessada em uma amizade ou relacionamento faz no mundo inteiro.
       Você precisará despender tempo no cotidiano da vida real. Apesar de hoje em dia ser possível se fazer inúmeras coisas virtualmente, conhecer os segredos da alma de outra pessoa continua sendo uma vantagem da relação olhos nos olhos, ação/reação, que só a vida real oferece.
       Observe que a única diferença entre um relacionamento D/s e os outros relacionamentos interpessoais é o "tempero" SM.
        Mesmo que sua opção seja uma companhia passageira, insisto na recomendação de que você faça todo o possível para saber com quem realmente você está saindo. Até uma mera conquista fica mais interessante quando temos o tempo a nosso favor.
        Um bom tempo para você perceber o outro deve girar algo em torno de três meses, mas você descobrirá seu próprio tempo, seja um pouco mais ou um pouco menos.
        Este tempo oferece a oportunidade de você ver o outro em uma série de circunstâncias. E se durante este tempo eu descubro que, por exemplo, fulano é dissimulado, tem conceitos ou opiniões muito divergentes de mim dentro do BDSM, ou que não fala a verdade sobre as coisas, é irresponsável ou direciona as coisas e elabora jogadas para alcançar exclusivamente seus "objetivos", ou qualquer outra característica que me desagrada, isto tornará essa pessoa um companheiro incompatível. Para mim, os encontros terminarão e eu não estarei comprometida, emocionalmente desgastada ou me arriscando à toa.
        Pode parecer um processo lento, mas todas as recompensas serão provenientes deste processo de investimento de tempo. E quando se sentir pronto(a) para assumir um compromisso com um submisso ou dominador, um Mestre ou escravo, permanente, estará certo(a) que conhece realmente aquela pessoa. Saberá reagir às situações, terá sensibilidade para reconhecer e desenvolver códigos, compreender ou intuir melhor como a mente do seu parceiro funciona; e, com todos estes aspectos a relação só tende a crescer.
        E por outro lado, um(a) submisso(a) terá bases firmes para depositar maiores doses de confiança em seu(sua) dominador(a) e menores chances de decepções.
        Ao observar o outro, também estamos nos observando. É através do outro que descobrimos quem somos.
       Veja um exemplo: se um(a) determinado(a) dominador(a) tem um comportamento em sua vida diária em que é capaz de demonstrar equilíbrio, sentir-se confortável nas diversas situações cotidianas e/ou que tem uma posição de domínio em seu mundo real, isso será altamente tranqüilizador para um(a) submisso(a), aumentará a confiança e a credibilidade nele. Por outro lado, se houver um(a) submisso(a) que esteja apenas procurando viver uma aventura, ou viver seus fetiches 24 horas por dia, logo perceberá que você não é o(a) dominador(a) que ele(a) procura.
       Enumeramos algumas regrinhas simples e objetivas que não devem ser deixadas de lado:
       - Tenha certeza de ter o telefone da casa e do trabalho do(a) parceiro(a);
       - Certifique-se de ter pelo menos uma pessoa de sua confiança sabendo que você irá a um encontro;
       - Deixe que seu parceiro saiba que outras pessoas estão sabendo de seu relacionamento e/ou encontro;
       - Se possível, evite que situações íntimas já se desenrolem no primeiro encontro.

       (Continua na próxima semana)