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5- A safe word me protege de maneira
suficiente?
Não
necessariamente. Considere o seguinte: se você
não conhece seu parceiro, como pode ter certeza
se ele será fiel a esse código? Como
saber se, quando estiverem a sós, ele não
lhe impedirá, com uma mordaça por
exemplo, de pronunciar a safe word? Como ter a garantia
de que ele(a) não irá ameaçar
você de, por exemplo, parar completamente
a prática, caso você use a safe word?
A safe
Word, por si só, não tem poderes.
Ela é um código, um sinal que só
será respeitado e compreendido por praticantes
sérios.
No caso
que citei na primeira questão, por exemplo,
a submissa foi ameaçada de ter a prática
totalmente encerrada caso viesse a pronunciar a
safe Word. E, ainda mais, seria excluída
das relações do tal dominador. Sendo
assim, a safe word depende do respeito entre os
praticantes para ser levada em consideração.
A safe word deve interromper um ato e não
necessariamente paralisar ou encerrar toda a prática.
Por esse motivo ela é uma ferramenta imprescindível,
que deve ser combinada antes de toda e qualquer
atividade BDSM.
Você
pode até imaginar que, de agora em diante,
aquela submissa de que falei não mais cairá
em uma enrascada desse tipo, ou que, pelo menos,
terá o bom senso de saber parar. Entretanto,
a natureza de um(a) submisso(a) é a de uma
pessoa vulnerável, que deseja agradar, e,
mesmo diante de um quadro complicado, ele(a) sente-se
ligado(a) ao(a) dominador(a). Ou, ainda, pode ter
tanta vontade de viver suas fantasias ou é
tão inexperiente que acredita que o simples
fato daquela pessoa ser um(a) dominador(a) significa
que "sabe de tudo". É por esse motivo que
o(a)s submisso(a)s acabam muitas vezes assumindo
mais riscos. Ele(a)s preferem sofrer um pouco mais
do que colocar em risco o relacionamento ou decepcionar
o(a) dominador(a).
É
importante lembrar que uma das características
mais bonitas e estimulantes de um(a) submisso(a),
é o desejo de servir e agradar, e é
o que precisamente as pessoas de má-fé
buscam para concretizar seus maus propósitos.
Existe
um crime famoso nos Estados Unidos, ocorrido em
Nova York há alguns anos, quando um dominador
costumava abordar submissos em um bar da comunidade
BDSM gay, assegurando a eles o respeito aos limites
e o uso garantido da safe word. Certa vez, quando
estivam sozinhos no apartamento ele ignorou o uso
da safe word e até impossibilitou a articulação
da plavra ( o rapaz foi amordaçado com uma
fita silver type). Acho que não preciso dizer
como termina o caso.
É
claro que toda moeda tem dois lados: nem todos(as)
os(as) submisso(a)s são verdadeiros(as) e
dignos de confiança. Existe uma porção
de submissos de ocasião por aí (pessoas
que não estão procurando um relacionamento
SM verdadeiro, mas meramente momentos fortuitos,
de modo a, no instante seguinte, estarem livres,
descomprometidos e longe de qualquer responsabilidade).
Existem
novatos que não fazem a menor idéia
de quando e onde usarem a safe word (vamos insisitir:
invista tempo para ter certeza que será compreendido
e preserve-se de mágoas e sentimentos amargos
no futuro). Como também há o(a)s submisso(a)s
experientes que usam a safe word muito mais para
manipular e controlar o(a) dominador(a) do que para
indicar quando eles(as) atingiram um limite real.
As situações
mais problemáticas ocorrem quando o(a) submisso(a)
não se utiliza da safe word quando deveria
e o(a) dominador(a) fica achando que está
tudo tranqüilo. Contudo, no futuro (horas,
dias ou mesmo meses depois) o(a) submisso(a) achará
que que o(a) dominador(a) foi longe demais...
Ora, por
que não usar a safe word se ela existe???
Às vezes, é um desejo irresistível
por parte do submisso de que o(a) dominador(a) tenha
a capacidade de ler pensamentos! Em certos momentos,
um(a) submisso(a) é ingenuamente transparente
e, em outros, é um(a) cabeça dura
orgulhoso(a). Alguns subs se colocam à prova,
para mostrar que agüentam qualquer coisa que
o(a) dominador(a) os obrigue, mesmo que isso os
magoe ou machuque. Isto é algo extremamente
perigoso para todos os envolvidos. E esta relação
está fadada ao desgaste e ao término,
muitas vezes, desastroso.
Tanto
subs quanto doms devem ter a responsabilidade de
nunca deixar a safe word perder seu sentido primeiro,
que é complacência e confiança
mútua. Repetimos: a safe word é uma
das ferramentas da prática segura, mas não
é uma garantia de segurança.
6- É possível usar a Internet como
veículo para estabelecer contatos para relações
BDSM? Há uma maneira segura para isso?
É
uma questão complexa, mas tentarei fazer
algumas sugestões que nos cerquem de alguma
segurança no momento de fazer a passagem
do virtual para o real, e tentar, assim, evitar
más experiências.
Encontrar
qualquer estranho, como vimos até agora,
é algo que envolve uma parcela de risco.
Portanto, todo cuidado é pouco. E encontrar
um estranho com propósitos BDSM não
é exceção.
Existem
riscos adicionais para qualquer um na posição
de submisso, sejam homens ou mulheres. Assim, devemos
desenvolver alguns mecanismos básicos de
segurança:
A) Dominadores
sérios e conscienciosos não se sentem
incomodados em fornecer referências. Para
partir para o real, recomenda-se que você
pergunte a ele(a) de parceiros que já praticaram
com ele(a). Você deve buscar estas referências
contatando essas pessoas. Este sistema é
normalmente usado na comunidade BDSM no exterior
e nenhum dominador(a) repeitável se sentirá
ofendido(a) ao ser questionado(a) nesse sentido.
B) A Internet
tem espaço para você abordar outras
pessoas que conheçam este(a) dominador(a)
ou submisso(a) de seu interesse e, desta forma,
obter informações sobre essa pessoa.
Tenha um certo distanciamento, mas leve em consideração
os comentários feitos em salas de bate-papo
a respeito de atos ou situações que
envolvam a tal pessoa. Caso você fique sabendo
de algo que realmente lhe deixe de sobreaviso, coloque
a questão para o dominador(a) ou submisso(a)
sem identificar a fonte de tal informação.
Lembrando que estamos, até então,
lidando apenas com um "nick".
C) Leve
em consideração tudo que você
já aprendeu ou experimentou das regras de
segurança. Utilize-se dos tempos despendidos
em chat e das trocas de e-mail de uma maneira dirigida.
Procure entender a pessoa e saber como funciona
o mecanismo das fantasias dele(a). Peça para
que lhe explique a sua técnica favorita.
Converse sobre opiniões e conceitos dentro
do BDSM. Proponha jogos virtuais. Coloque situações
cotidianas de problemas e observe como o outro reage
(tente colocá-lo o mais próximo possível
de uma situação real). Aqui também
vale pedir conselhos de como agir numa determinada
situação, ou contar uma reação
sua diante de um fato e observar o comentário
dele(a).
D) Use
sua sensibilidade para ir trazendo a pessoa para
o real. O primeiro passo é um telefonema.
Evite nesse primeiro momento fornecer seu telefone
do trabalho, por exemplo. Estabeleça um horário
conveniente para receber as ligações
e observe como o outro usa esse direito cedido por
você.
E) Tenha
claro para você mesmo o que significa um "alerta
vermelho" . Não desrespeite estes avisos
internos. Se você acha que existe algo estranho
ou errado, reavalie a relação. Lembre-se,
você está lidando com um desconhecido.
Mais vale desistir em caso de dúvida do que
dar um passo incerto, que venha a comprometer seu
emocional ou físico. Um(a) dominador(a) que,
ao telefone, concorda com o uso da safe word mas,
ao encontrar você, repentinamente diz que
quer uma sessão sem safe word, ou um dominador(a)
que usa uma faca numa sessão onde facas não
foram negociadas ou são inegociáveis,
são exemplos que devem disparar seu alerta
vermelho e sua habilidosa saída de cena.
F) Use
a Internet como meio de pesquisa para livros, técnicas
e grupos de discussão que abordem as práticas
seguras e questões comportamentais dentro
do BDSM. Dessa forma você será capaz
de reconhecer se seu possível parceiro está
falando de uma maneira correta e se segue a linha
do São, Seguro e Consensual. Outra boa maneira
é encontrar pessoas da comunidade BDSM em
munches ou wokshops para trocar experiências.
G) Desde
o virtual até o real, sendo dominador(a)
ou submisso(a), sempre deixe claro suas intenções,
do que gosta e até onde pretende ir. Deixe
explícito seus limites, o que aprecia e o
que DE JEITO NENHUM TOLERARIA.
Por fim,
volte e leia todas as outras questões colocadas
anteriormente antes de partir para uma sessão
real! Pratique BDSM de maneira sadia, consensual
e sinta-se seguro(a). E não deixe que seu
sexo fale antes de sua razão, pois será
a sua saúde que estará em jogo. Smaks!
Caso
tenha alguma dúvida, por favor, escreva para
delmonica@uol.com.br.
Gostaria de saber o que você pensa sobre o que
está aqui colocado. Também pretendo
anexar alguns relatos ou depoimentos em versões
futuras deste texto. Caso queira contribuir, conte
com minha total discrição. Você
poderá optar por usar um nick diferente de
seu habitual, se achar conveniente.
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