A
maioria dos homens que vivencia uma excitação
sexual que se prolonga até a ejaculação exibe
as alterações fisiológicas descritas abaixo.
Contudo, como verificaremos em outros textos,
esses estágios seqüenciais resultam de respostas
coordenadas em sistemas diferentes, ainda que
inter-relacionados. Isso explica o fato de que,
em certas condições clínicas, os estágios não
são coordenados e não ocorrem seqüencialmente.
Essa seqüência depende do momento, da situação
e, principalmente, do envolvimento emocional,
pois mesmo sendo uma reação puramente física,
o psicológico envolve - e muito - as etapas e
formas de prazer que o homem vai desenvolver.
As provas clínicas e fisiológicas indicam
que há três componentes distintos na resposta
sexual masculina:
(1) um estágio de desejo sexual;
(2) uma reação vasocongestiva do pênis,
que produz uma ereção (fases de excitação e nivelamento);
(3) as contrações musculares clônicas que
acompanham o orgasmo masculino (fase orgásmica).
Pode-se observar uma dissociação dos dois
últimos componentes em certos estados clínicos,
nos quais, por exemplo, o homem tem uma ereção,
mas a ejaculação fica involuntariamente inibida,
ou ejacula sem que ocorra ereção.
A separação da resposta sexual humana nessas
fases é comprovada pelo fato de que a ereção e
a ejaculação se apóiam em estruturas anatômicas
e mecanismos fisiológicos separados, sendo cada
um deles diferentemente afetado por certos traumas
psicológicos e físicos, estados de doença, drogas
e envelhecimento.
Além disso, sabe-se agora claramente que
o desejo, a ereção, a ejaculação e o orgasmo,
embora habitualmente coordenados e tendo a aparência
de uma resposta unificada, constituem, na verdade,
respostas separadas.
Por exemplo, uma pequena percentagem dos
homens submetidos à castração, enquanto sexualmente
maduros e ativos, e que não recebem uma terapia
substitutiva à base de testosterona, continua
a experimentar algum desejo, ereção e orgasmo,
embora sem nenhuma emissão, durante anos.
Ademais, as síndromes clínicas que implicam
um prejuízo do desejo, ereção e ejaculação apresentam
etiologias um tanto diversas, reagem a diferentes
estratégias de tratamento e têm prognósticos diferentes.
Fase de Desejo
As três fases sucessivas no ciclo de resposta
sexual masculina normal são:
(1) desejo;
(2) lubrificação-intumescência (as fases
de excitação e nivelamento);
(3) fase orgásmica.
Embora as bases fisiológicas do desejo
sexual sejam precariamente conhecidas, diversos
fatos já ficaram estabelecidos.
Primeiro, o desejo sexual masculino geralmente
exige quantidades suficientes de testosterona,
embora não seja simples estabelecer a relação
entre o nível de desejo e a quantidade de hormônio.
Segundo, o impulso sexual está relacionado,
de algum modo, com o funcionamento do sistema
límbico, posto que alguns pacientes com convulsões
psicomotoras experimentam alterações substanciais
no impulso sexual; o uso de medicamentos que reduzem
a atividade convulsiva ou a execução de uma lobotomia
temporal alteram ainda mais o impulso sexual.
Terceiro, sabemos que há neurotransmissores
centrais de amina envolvidos, posto que os distúrbios
afetivos, como a depressão e a mania, nos quais
se acham implicadas alterações na disponibilidade
funcional dessas substâncias, estão geralmente
associados com aumentos ou reduções substanciais
no impulso sexual. As doenças ou intervenções
médicas que afetam esses sistemas neurotransmissores
centrais podem modificar o nível de interesse
sexual.
Fase de Excitação (estágio inicial da
fase de lubrificação-intumescência)
No homem, a primeira resposta à estimulação
sexual eficaz é a ereção. Há também uma reação
mais generalizada de vasocongestão e tensão muscular
aumentada. Os batimentos cardíacos aumentam, a
pressão sangüínea eleva-se e a respiração torna-se
mais profunda e mais rápida. Outras modificações,
durante esse estágio, incluem achatamento e espessamento
do saco escrotal e encurtamento dos cordões espermáticos,
o que resulta na elevação dos testículos.
Fase de platô (estágio avançado da fase
de lubrificação-intumescência)
A fase de platô é um prolongamento e uma
extensão da fase de excitação. Com o aumento da
estimulação e da excitação sexual, as respostas
vasocongestiva e miotônica continuam e o pênis
atinge seu ingurgitamento máximo com sangue. Os
testículos também se tornam túrgidos, aumentando
cerca de uma vez e meia em relação a seu tamanho
no estado não-congestivo.
Os testículos dão continuidade à elevação
iniciada no estágio de excitação, atingindo eventualmente
uma posição estreitamente oposta ao períneo. Durante
esse estágio, aparecem duas ou três gotas de material
mucóide, que emerge do meato peniano. Acredita-se
que a fonte desse material seja a glândula de
Cowper.
Fase Orgásmica
Ambos os componentes da ejaculação masculina
foram descritos por Masters e Johnson. O primeiro
componente, que consiste nas contrações dos órgãos
acessórios internos da reprodução, é acompanhado
pela sensação de ejaculação iminente e, em seguida,
inevitável. Esse aspecto da fase orgásmica é chamado
"emissão".
Durante o segundo componente, denominado
"ejaculação propriamente dita", ocorrem contrações
de recorrência regular do esfincter uretral e
dos músculos bulboesponjosos, isquíocavernoso
e transverso superficial e profundo do períneo,
todos dando origem a diversos jorros ejaculatórios
a intervalos de 0,8 segundo.
As sensações mais intensamente prazerosas
são experimentadas nesse estágio. A emissão ocorre
um ou dois instantes antes da ejaculação propriamente
dita. Acredita-se que os órgãos internos se contraiam
de modo a que os vários componentes do ejaculado
possam acumular-se na uretra bulbar, imediatamente
antes da expulsão efetuada pelo poderoso mecanismo
muscular bulbar.
Após a ejaculação, o homem fica resistente
à estimulação sexual adicional, no sentido de
que se faz necessário o decurso de um período
variável de tempo antes que outra ejaculação se
torne possível. Há um período inicial absolutamente
resistente, durante o qual nenhuma quantidade
de estimulação desencadeia outra ejaculação, seguido
por um período mais longo e relativamente resistente,
no qual a ejaculação pode ocorrer, embora exija
estimulação mais intensa e mais prolongada.
Em geral, o período resistente dos homens
torna-se mais longo à medida que envelhecem. Assim,
na adolescência, é possível que sejam necessários
de alguns momentos a um ou dois minutos para que
o homem seja capaz de experimentar uma segunda
ejaculação, mas, nos homens mais velhos, o período
resistente pode prolongar-se por horas, ou, em
alguns casos, dias.
Nos homens mais velhos, Masters e Johnson
observaram que, mesmo sem a ejaculação, a capacidade
de conseguir novamente uma ereção após sua perda
pode ficar adiada por várias horas. Os autores
denominaram esse fenômeno de "período resistente
paradoxal".
Estágios de Resolução
Durante a resolução, as modificações que
acompanham a tensão sexual aumentada retrocedem,
à medida que o organismo volta a seu estado de
repouso, não-estimulado. Tendo ocorrido o orgasmo,
a respiração, o ritmo cardíaco e a pressão sangüínea
retornam rapidamente ao nível basal. Os testículos
decrescem de tamanho e voltam a sua posição habitual
de repouso.
Exceto nos homens jovens, o pênis detumesce
em duas etapas após o orgasmo. Há uma redução
imediata de 50% do tamanho, provavelmente em vista
do esvaziamento dos corpos cavernosos. A detumescência
da segunda etapa é mais retardada, em decorrência
do esvaziamento mais lento do corpo esponjoso
e da glande.
A primeira etapa da involução do pênis
prolonga-se quando os estágios de excitação e
nivelamento do ciclo da resposta sexual são deliberadamente
estendidos. A segunda etapa é retardada quando
há alguma estimulação sexual residual, tal como
ocorre quando o pênis permanece no interior da
vagina.
Quando o período imediatamente pós-ejaculatório
é desprovido de estímulos sexuais, como pode acontecer
se o homem levantar-se e andar, falando sobre
algum assunto diferente, a detumescência completa
ocorre com maior rapidez.
Fontes:
Patologia e Terapia Sexual - 1ª
Ed. - 1994.
Guyton - Fisiologia Humana - 13º
ed - 2001.