Introdução
A análise de algumas práticas sexuais
"patológicas" revelam que estas
últimas representam não somente
uma solução afim de evitar sofrimentos
psíquicos insuportáveis - uma forma
de sobrevivência psíquica - mas que
constituem também uma tentativa de construir
um sentimento de identidade sexual. Este sentimento,
como tive oportunidade de mostrar em outro lugar,
pode encontrar-se em desacordo com a anatomia
do sujeito, desaf_ famosa afirmação
de Freud: "a anatomia é o destino".
Aqui, o conceito de neo-sexualidade(1) é
muito útil pois descreve organizações
psíquicas inovadoras resultantes de intensos
investimentos libidinais.
Nesta perspectiva, certas práticas sexuais
ditas perversas podem representar, para o sujeito,
a única possibilidade de atividade sexual
e, ao mesmo tempo, de construir um sentimento
de identidade sexual. Por outro lado, renunciar
a tais práticas pode significar uma verdadeira
ameaça de castração, no sentido
de uma fantasia de inexistência total e
permanente de toda capacidade sexual. Não
é de se estranhar que estas práticas
sejam, por muito tempo, mantidas em segredo, e
o sujeito só seja capaz de analisá-las
quando o vínculo transferencial está
bem estabelecido. Além disto, raramente,
tais práticas constituem a razão
de procura da análise.
Uma pergunta nos acompanhará ao longo deste
texto: em quais circunstâncias uma manifestação
da sexualidade - por mais "perversa"
que ela seja em relação a uma normalidade
dentro de um contexto cultural - deve ser considerada
uma "versão modificada" da sexualidade
adulta, e quando ela deve ser considerada sintomática?
O que motiva esta pergunta é a noção
mesmo de perversão antes de Freud e o remanejamento
que esta noção sofreu após
a ruptura freudiana, embora paradoxalmente alguns
psicanalistas se esqueçam disto.
Para deixar bem claro a perspectiva deste trabalho,
uma rápida incursão na noção
de perversão se faz necessária.
A palavra "perversão", (perversio
em latim), define a "ação de
perverter", "transformar em mal",
"depravação", "corrupção":
perversão dos costumes, do gosto artístico...
Na esfera do sexual, fala-se de perversão
quando determinada prática desvia-se de
uma finalidade dada à sexualidade humana.
O que sustenta este julgamento é a noção
de uma sexualidade normal segundo a natureza -
união de dois orgãos sexuais diferentes
para a preservação da espécie
- cujo desvio, a depravação (pravus)
é definido como "contra a natureza".
Tal concepção, herdeira d_` mento
grego em particular de Aristóteles, apoia-se
na concepção teológica de
uma Natureza (physis), onde existiriam inclinações
naturais nas coisas. Logo, todo ato sexual que
desvia da finalidade primeira da sexualidade -
pedofilia, necrofilia, masturbação,
heterossexualismo separado da procriação,
homossexualismo, sodomia - é perverso.
É neste discurso teológico que se
apoiam determinadas ações jurídicas
destinadas a reprimir todo ato perverso: certos
atos ditos "contra a natureza" são
considerados_` _tado ao pudor ou à opinião
pública, o que acarreta sanções.
Ao definir a perversão em função
de uma finalidade natural e universal, o discurso
psiquiátrico vigente no século XIX,
o da época de Freud, dá continuidade
às posições teológicas
e jurídicas e faz com que o penal passe
a ser da ordem médica. Surgem então
novas patologias que vêm juntar-se à
infindável nosografia psiquiátrica
da época: voierismo, exibicionismo, sadismo,
masoquismo...
O Sexual Perverso
A partir de 1896, e sobretudo no começo
de 1897, Freud começa a inverter este quadro
ao interessar-se, através da análise
das psiconeuroses em particular da histeria, pelas
manifestações ditas perversas da
sexualidade.
Freud(2) observa que as construções
e os fantasmas apresentados pelos pacientes, correspondiam
às perversões descritas pelos grandes
clínicos da época. Ou seja, o que
aparece nas perversões está, mascarado,
recalcado nas psiconeuroses. "A histeria,
escreve Freud(3), não é uma sexualidade
repudiada, mas, antes, uma perversão repudiada."
A grande contribuição de Freud para
a compreensão da perversões não
vem do tipo de material clínico observado
(Freud cita, nos Três Ensaios , os autores
que já haviam falado de perversão,
sobretudo Havelock Ellis), mas da afirmação
escandalosa de que as tendências perversas
minuciosamente catalogadas pelos seus colegas
como aberrações humanas assombram
o espíritos de todos os homens, inclusive
daqueles que as catalogaram estando também
presentes nas crianças: "a criança
é um perverso polimorfo".
O inconsciente dos homens, afirma Freud, é
animado pelos desejos que os perversos põem
em cena. Se na perversão as pulsões
inconscientes estão "a céu
aberto"; na neurose elas agem na clandestinidade,
disfarçadas nos sintomas: "a neurose
é o negativo da perversão".
As perversões sexuais deixam então
de ser uma prática que só eles -
os perversos - exibem e passam a ser entendidas
como algo presente, ainda que no inconsciente,
em todos os seres humanos. Como diz Hamlet no
final do segundo ato: "a se tratar cad_`
_segundo seu merecimento, quem escapará
do açoite?"
As raízes da sexualidade humana,constata
Freud, se encontram nas pulsões parciais
e o objetivo destas pulsões múltiplas
e anárquicas é simples: o prazer;
o prazer imediato e ao menor preço possível.
O objeto nos fantasmas eróticos, sublinha
Freud, é o que há de mais intercambiável,
parcial, instável: tudo é bom desde
que se obtenha prazer! Pode ser que o sujeito
se faça objeto para gozar de um outro objeto;
ou que o outro seja utilizado sem a menor consideração
daquilo que ele realmente é.
(Uma reflexão se impõe: ora, se
a sexualidade se baseia em pulsões parciais
cujo objetivo é o prazer e se o objeto
da pulsão é variável, como
definir, do ponto de vista da psicanálise,
o que seria normal em sexualidade? O que é
uma fantasia normal?)
Outro escândalo vem contrariar a visão
que a biologia, a moral, a religião e a
opinião popular têm da natureza da
sexualidade: o objetivo da sexualidade humana
não é a procriação;
ela escapa à ordem da natureza, agindo
a serviço próprio: ela é
contra a natureza.
Em suma, o que Freud denuncia aqui e que foi,
e continua sendo, tão difícil a
digerir é a ideologia que está por
trás da definição tradicional,
e em vigor até hoje, de "perversão".
Freud vai mostrar, vale a pena insistir, que todas
estas perversões são manifestações
da sexualidade e, como tal, integram o psiquismo
humano. Ou seja, o estudo das perversões
mostra que a pulsão não possui um
objeto fixo; que a normalidade é uma ficção;
que não existe mais diferença qualitativa
entre o normal e o patológico.
Gostaria de discutir, através de fragmentos
de um caso clínico, uma forma de sexualidade
que pode ser compreendida como a única
possibilidade que o sujeito teve de construir,
ainda que a um preço elevado, uma vida
sexual e um sentimento de identidade sexual.
Caso Clínico
João, 35 anos, procurou-me para um trabalho
analítico encaminhado por uma colega que
tinha em análise o seu companheiro. Este
última ameaçara de deixá-lo
pois ele - João - estava levando ___`0áticas
sado-masoquistas "um pouco longe demais".
João teria, num excesso de excitação,
quase quebrado o braço de seu namorado.
João, a princípio, não achou
que, devido ao acontecido, precisasse ver alguém.
Por outro lado, esta seria uma boa ocasião
visto que, há algum tempo vinha sentindo
um tanto deprimido e que a vida sua vida estava
meio vazia. As vezes tinha crises de angústia
quando sentia algo que definia como "medo
de tudo".
Ao mesmo tempo, ele não dava muito crédito
ao trabalho analítico, e os primeiros meses
de nosso trabalho foram marcados por uma intensa
transferência negativa que se manifestava
por um desfile de queixas e de reservas quanto
a eficacidade da psicanálise e a competência
profissional do analista. Ele faltou algumas sessões
dizendo que estava pensando seriamente a interromper
a análise.
Entre ameaças de abandono e ausências
- chegou a faltar duas semanas sem avisar - João,
aos poucos, estabeleceu uma relação
transferencial. A medida que trabalho analítico
avançava, ele expressava sua angústia
dizendo que tinha muito medo de mudar com a análise;
de não mais se reconhecer; e mais, que
começava a compreender que tinha perdido
muito tempo e que se dava conta que era impossível
recuperar o tempo perdido. Que seu grande medo,
disse após muita hesitação,
era de perder a sua sexualidade que, afinal, dava-lhe
muito prazer.
Um detalhe fundador da história de João
merece ser contado:
O lugar de João na economia libidinal
da família é peculiar. Ele relato
um fato, que pode ser entendido como seu mito
fundador: a mãe de João, tinha uma
irmã dois anos mais nova que ela. Quando
essa irmã tinha 4 anos, logo a mãe
de João 6, a irmã ficou gravemente
doente, com febre alta, diarreia, etc, provavelmente
devido à uma infecção. A
avó de João, figura central em toda
a dinâmica familiar, sentida como distante,
ausente, fria, recusou a levar a menina para o
hospital sem a presença do marido. Segundo
a historia corrente, o avô de João
tinha uma amante e estaria com ela naquela noite.
Enfim, o que aconteceu foi que quando levaram
a criança para o hospital, era tarde demais
e esta veio a falecer. (Esta avó morreu
num hospital psiquiátrico e foi João
que autorizou que os aparelhos que a mantinham
viva fossem desligados.)
Quando a mãe de João engravidou-se,
o então namorado, tentou convencê-la
de abortar; como ela recusou-se a fazê-lo,
ele se viu obrigado a casar. Quando João
nasceu, diz ele, a mãe o "deu"
para a avó para que ela cuidasse dele pois
sentia-se incapaz de fazê-lo. (Pode-se aqui
conjecturar-se sobre os sentimentos de culpa da
mãe quando da morte da irmã pequena,
que de certa forma forma apaziguados neste ato
de "doação do filho.)
João apresenta sua mãe como "era
uma mulher obcecada por limpeza, sobretudo pela
higiene pessoal". Precocemente, João
foi obrigado a aprender a controlar os esfincteres
e cada vez que isto não acontecia era severamente
punido: João vivia esta punição
como uma ameaça de perda do amor maternal.
Seu pai, sentido como uma ausência constante,
partira de casa quando João tinha 8 anos.
Ele só veio a revê-lo quando já
era adolescente e nunca o perdoou por "tê-lo
abandonado deixando-o só com sua mãe".
De sua sexualidade, ele me dá a seguinte
apresentação: "trepar nunca
foi um problema para mim: quando estou afim, vou
e trepo. É isto aí".
A vida sexual de João começou bem
cedo, e aos 20 anos tinha uma intensa atividade
sexual com parceiros de ambos os sexos. Contudo,
à medida que o tempo passava ele "optou"
por uma orientação exclusivamente
homossexual. "Com os homens, disse-me, consigo
viver melhor minhas fantasias". Para isto,
era preciso encontrar um parceiro que ele procurava
nas boates Hard, e que se prestasse a participar
a um cenário bem preciso, em vários
atos, no qual cada detalhe era cuidadosamente
preparado para que o "prazer máximo"
fosse alcançado. Este cenário sexual,
francamente sodo-masoquista, consistia em dominar
o parceiro. Tudo começava por uma luta
corpo-a-corpo, até que o adversário
fosse totalmente subjugado para ser, em seguida,
amarrado.
A etapa seguinte consistia em torturar o pênis
do vencido. Quando maior esse fosse, mais intensa
eram as torturas infligidas e, consequentemente,
mais gloriosa a vitória. "Meu parceiro,
disse-me ele, enquanto pessoa, não conta
em nada: a única coisa que conta é
seu pinto."
(Esta separação entre pulsão
e objeto foi, em determinado momento, central
na análise de João)
Um dia, durante seu segundo ano de análise,
ele começou a sessão dizendo: "Há
algum tempo hesito em falar sobre algumas de minhas
fantasias sexuais". Agora acho que tenho
a confiança necessária para falar
disso, e acho que você é forte o
bastante para suportá-lo", acrescentou.
Para atingir o "prazer máximo",
o que nem sempre acontecia, era necessário
dar vazão a suas fantasias escatofílicas.
"Defecar em alguém, evacuar toda minha
sujeira em cima da pessoa, é a pior humilhação
que se pode infligir a alguém: este é
o meu maior prazer." Várias vezes
ele participou de "surubas escato",
se bem que, segundo ele, isto não lhe interessava
muito: "sou obrigado, disse, a mostrar em
público as coisas que eu produzo. Entretanto,
eu sempre tive a impressão que minhas fezes
são mais limpas que as dos outros."
Todo seu prazer corria o risco de ser aniquilado
caso fosse o parceiro que tomasse a dianteira.
Quer dizer, se seu parceiro pedisse que João
defecasse nele. "Nesta situação,
ele disse, sou tomado por uma grande angústia,
pois tenho a impressão que estou fazendo
isto para ele e não para meu próprio
prazer." Uma fantasia de "impotência
fecal" aparecia quando ele tinha_` _as intestinas
pois em tais circunstâncias, "minhas
fezes podem estar líquidas. E aí,
não tenho nenhum controle sobre elas. Quando
está sólida, pode-se controlá-la
e limpá-la. Ela é limpa. Mas a merda
líquida escorre por toda parte. É
impossível limpá-la."
Um dia ele chega muito agitado, e angustiado:
tinha-se apaixonado pela primeira vez. Esta relação
aconteceu durante as férias de verão.
Discussão
A análise permitiu a João de elaborar
as fantasias subjacentes as suas práticas
sexuais e de se libertar de seu jugo. Por exemplo,
ele compreendeu que torturar o pênis do
parceiro era uma maneira de se vingar, e ao mesmo
tempo de se defender, de seu pai e dos homens
em geral. O pênis, objeto parcial, foi transformado,
por condensação e deslocamento,
em objeto total, ao mesmo tempo idealizado e persecutório:
controlando-o ele podia, finalmente, possedê-lo.
Ele associou sua angústia face a demanda
escatofílica de seu parceiro aos momentos
quando, ainda criança, sua mãe o
acompanhava ao banheiro, que se encontrava fora
da casa, para seu "cocô matinal".
Sua mãe, o esperava de fora e, às
vezes, reclamava do frio que fazia. João
se sentia então obrigado a fazer um grande
esforço para evacuar rapidamente "toda
minha sujeira para deixar minha mãe contente"
e também para que ela pudesse, em seguida,
utilizar o toalete. "Que coisa mais doida,
disse, não era eu que tinha vontade de
fazer cocô, era minha mãe!"
Suas fezes, assim como tudo que ele produzia -
sua capacidade de amar, de ser amado - tudo isto
era sujo. Por associação, o interior
de seu corpo era também sujo.
Sua análise revelou que, para João,
toda esta sujeira vinha de sua mãe, ou
melhor de seu interior. Mas, João, que
esteve no interior daquele corpo não seria
ele também sujo? De fato, isto constituía
uma fantasia fundamental para ele. A partir daí,
ele compreendeu que as "scato parties"
às quais ele participava tinham por objetivo,
dentre outros, o de saber se aquilo que ele produzia
era mais sujo que os produtos dos outros. Quanto
às fezes líquidas, tão temidas,
João as associou, através de sonhos
e de devaneios, ao leite maternal que, segundo
ele, nunca o alimentara realmente pois "este
leite que vinha do interior do corpo de minha
mãe era seguramente sujo."
O fato que João achasse que suas fezes
eram mais limpas que as dos outros indica que
ainda que a relação com sua mãe
não tenha sido "suficientemente boa"(4),
João pôde, ao menos obter o mínimo
de afeto necessário, evitando assim arranjos
psíquicos mais catastróficos.
A erotização das fezes, e seu contrário,
o excesso de limpeza, criaram entre João
e sua mãe uma território privilegiado
de trocas sem que, no entanto, as fezes tenham
sido transformadas em objeto fetiche.(5)
A medida que João compreendia os significados
inconscientes de suas práticas sexuais,
estas últimas tornaram-se menos compulsivas
e ele pode encontrar outras formas de prazer em
suas relações. A angústia
que sentiu quando se apaixonou pela primeira vez,
foi associada ao fato que foi-lhe muito difícil
se reconhecer em sua nova vida sexual: a fantasia
subjacente era que ao mudar sua sexualidade, ele
correria o risco de perdê-la completamente.
Ao mesmo tempo, as associações à
partir de seu relacionamento amoroso que começou
quando eu "o abandonei" para sair de
férias, permitiu-lhe elaborar sua raiva
em relação a seu pai que, também,
o abandonara.
Finalmente, o afeto que se manifestava em forma
de angústia ligado ao medo de mudanças,
de não mais se reconhecer, enfim, de perder
suas referências identificatórias,
pôde ser lentamente reinvestido em relações
afetivas mais estáveis, menos persecutórias
permitindo, ao mesmo tempo, um aumento de investimentos
não erotizados.
Manifestações da sexualidade
A economia libidinal do ser humano, assim como
as manifestações da sexualidade
- a maneira como cada sujeito leva concretamente
sua vida sexual - é o resultado de um longo
percurso pulsional que repousa sobre as relações
- sempre em movimento - estabelecidas entre as
identificações ao pai e à
mãe.(6) É isso que permitirá
ao sujeito investir libidinalmente, de maneira
manifesta ou latente, os objetos dos dois sexos,
de criar imaginariamente o fantasma do sexo que
ele não possui, assim como de construir
a representação psíquica
de corpo próprio.(7) O que se pode chamar
de "saúde psíquica" reside
no equilíbrio dinâmico das tendências
pulsionais homossexuais e heterossexuais; a dissociação,
ou a denegação, desses elementos
pode levar a graves distúrbios. "Em
todos nós, no decorrer da vida, escreve
Freud, a libido oscila normalmente entre objetos
masculinos e femininos."(8)
A identidade sexual representa uma criação
particular e única que cada sujeito tem
que fazer na tentativa de dar soluções
aos conflitos - reais ou imaginários -
presentes desde o início da vida, uma forma
de escapar ao sofrimento psíquico(9): não
podemos compreender as construções
identitárias, sem levar em conta o equilíbrio
singular de cada sujeito. As diversas manifestações
da sexualidade, por mais sintomáticas que
possam parecer, são parte integrante do
sentimento de identidade sexual. Isso não
exclui, entretanto, a possibilidade de que a sexualidade
possa ter um uso defensivo. Ou seja, uma prática
sexual compulsiva, ou seu oposto uma total falta
de sexualidade, pode constituir uma defesa contra
o perigo de se entrar em contato com representações
inconscientes cujos conteúdos são
potencialmente depressivos.
Se certas manifestações da sexualidade
podem surpreender por seu caráter insólito,
a análise de tais práticas mostram
que estas "invenções"
são, no fundo, rearranjos de velhos conflitos
que, quando criança, o sujeito teve que
enfrentar em suas primeiras trocas com o mundo.
Quando a libido se fixa nestes pontos conflituais,
a sexualidade infantil se perpetua, de forma que
a sexualidade adulta torna-se uma repetição
empobrecida da infantil. A angústia que
então se manifesta, reduz consideravelmente
as possibilidades relacionais do sujeito assim
como sua capacidade sublinatória.
Notas Bibliográficas:
McDOUGALL, J., As múltiplas faces de Eros,
Rio de Janeiro, Martins Fontes, 1997, p. 188.
FREUD, S., Três ensaios sobre a teoria da
sexualidade (1905). Vol VII, E. S. B., , 1972.
MASSON, J., A correspondência completa Freud-Fliess,
1887-1904. Rio de Janeiro, Imago, 1986, 213.
WINNICOTT, D., W., Collected Papers, London, Tavistock
Publications, 1958.
STEWART, S., "Quelques aspects théoriques
du fétichisme", in La sexualité
perverse, Paris, Payot, 1972.
CECCARELLI, P. R. "A construção
da Masculinidade", Percurso 19, São
Paulo: Sedes Sapientiae, 1998
CECCARELLI, P. R. "Os destinos do Corpo",
in Psicossoma II. São Paulo: Casa do Psicólogo,
1998..
FREUD, S., A psicogênese de um caso de homossexualismo
numa mulher (1920). Vol XVIII, E. S. B., 1976,
p. 196.
McDOUGALL,J.,As múltiplas faces de Eros,
Rio de Janeiro,MartinsFontes, 1997
* in Psychê, ano II, 2,Univ. de São Marcos,
São Paulo, 61-69, 1998.
** Psicólogo; psicanalista;
Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise
pela Universidade de Paris VII; Co-fundador do
Laboratório de Psicopatologia Fundamental
do Departamento de Psicologia Médica e
Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas
da UNICAMP; Membro da Rede Universitária
de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental; Membro
Praticante da "Société de Psychanalyse
Freudienne", Paris, França; Consultor
científico (Editorial Reader) do "International
Forum of Psychoanalysis"; Membro do Conselho
Científico da Revista Psychê (Revista
do Centro de Estudos e Pesquisas em Psicanálise
Univ. São Marcos - SP); Membro Fundador
da ONG TVer (ONG fundada pela Dra. Marta Suplicy
que discute a qualidade da TV brasileira); , Ex-consultor
e colaborador no projeto PRO-SEX (Projeto Sexualidade)
do Departamento de Psiquiatria do Hospital das
Clínicas de SP; Ex-colaborador do Ambulatório
de Endocrinologia do HC-SP; Professor no Departamento
de Psicologia da PUC-MG; Membro Efetivo do X Plenário
do Conselho Regional de Psicologia da Quarta Região
- CRP/O4
http://www.geocities.com/HotSprings/Villa/3170/PauloCeccarelli.htm